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COMO SE VAI DE DUARTE PIO À UNIÃO?


Duarte de Bragança, em entrevista à Lusa no dia em que comemoramos a restauração da independência, mais uma vez (repete-se muito), disse que a República foi uma perda de tempo e que a monarquia poderia ter proporcionado a Portugal as mesmas realizações que a aquela. Diria eu que à Monarquia não faltou tempo para o demonstrar e parece que também o perdeu.
Não me interessa o que diz Duarte Pio, nem por que razão ainda o vão ouvir. Na verdade nem é o meu ponto de partida, o 1º de Dezembro , dia do ano em que comemoramos a restauração da independência em 1640 e nos demarcámos do domínio dos Filipes que me importa, mas o tema que dali, em associação livre, me apareceu, e que foi o 1º de Dezembro de 1977, marco de um renascimento que na minha história pessoal, como na doutros, aparece misturada com o Hino da Restauração. Nesse dia, depois de aprendido o solfejo e as primeiras notas num instrumento sob a batuta do saudoso Mestre Genaro Manteigas, a Banda saiu à rua com um bando de miúdos e seguramente muitas fífias que os músicos seniores da União tentaram abafar e apoiar. Tocou-se o Hino da Restauração. Eu estava lá, do lado das fífias (é claro). Esse 1º de Dezembro marca o que foi o ressurgimento da Banda da União (como conhecemos a Banda Municipal de Estremoz), que está aí, sempre a ensinar música aos estremocenses, desempenhando na formação dos que têm a sorte de por lá passar um papel inestimável, a troco de quase nada que não a dedicação.
Dos colegas que tive na União muitos tinham talento e deles alguns encontraram, a partir do que ali aprenderam, uma carreira profissional que, diga-se também, alguns puseram ao serviço daquela Casa que estimam, ensinando às crianças de Estremoz uma das mais sublimes artes.
Outros, como eu, já lá não estão, mas está com eles, como comigo, o muito que ali aprenderam. O conhecimento é um tesouro de que nos apropriamos e eu, que o valorizo, posso testemunhar que, na vida, me serviram os saberes que ali me ofereceram, sem dar nada em troca, a não ser o meu reconhecimento e muita saudade.
Também não interessam os meus estados de alma e não perderia tempo com eles se não estivesse segura de que a União, como as restantes Filarmónicas do concelho, desempenham um papel na educação e formação musical das nossas crianças que é precioso e que está ali, para todos, sem excepção, uma oportunidade de conhecimento, de descoberta de talentos e de destinos a que devíamos dar mais atenção. E, além de tudo isto, fazem muito mais.
Cumpro assim o estranho itinerário que me levou de Duarte Pio à União.

Foi publicado no nº 16 Jornal E de Estremoz, de 03 de Dezembro de 2010

Já nas bancas - Jornal E - Número 4

O Pragmático

Pintura digital de Carlos Paes sobre modelos fotográficos. Posterior caricaturização. Publicada na revista FHM (http://crgpaes.wordpress.com/2009/09/30/papa/).
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Em 29 de Setembro Cavaco Silva fez no Palácio de Belém uma declaração aos portugueses, na sequência da patética história das escutas a Belém, da qual se pode, no mínimo, dizer que não fez sentido ou então que fez um sentido que só a Cavaco foi possível perceber. As únicas ideias claras que expôs foram que o Presidente acha que ninguém fala em seu nome, a não ser os chefes das suas Casas Civil e Militar, que acha que não é crime um membro do seu staff ter sentimentos de desconfiança em relação a outras pessoas e que descobriu as vulnerabilidades dos sistemas informáticos a investidas do exterior. Tudo o mais que quis confidenciar aos portugueses (as manipulações de membros não identificados, mas identificáveis, de elementos do partido do governo no sentido de colarem o Presidente ao PSD e a tentativa de distrair os portugueses dos verdadeiros problemas que preocupavam os portugueses), independentemente da sua realidade, veio ao mundo num discurso desarticulado, irrazoável, às vezes mesmo ilógico. Cavaco Silva não tem o dom da palavra, mas, ao contrário do que é seu timbre, naquela declaração não foi assertivo. Quando se calou, o país emudeceu confuso. Pensei que era aquela a fífia de que Cavaco havia de ficar refém. Afinal Cavaco, o intocável, também se enredava na escura teia da política menos elevada e, quando se defendeu, por inexplicável falta de eficácia, apareceu como culpado.
A 17 de Maio passado, veio com nova declaração, agora sobre o diploma da Assembleia da República que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Acusando os deputados de não se terem esforçado para encontrar uma solução que evitasse “clivagens desnecessárias na sociedade portuguesa”, decidiu não vetar o diploma. O veto politico devolveria a lei ao Parlamento. Cavaco explicou que tal devolução nada mudaria, uma vez que as forças políticas que se juntaram para aprovar o diploma o fariam mais uma vez passar, obrigando o Presidente a promulgá-lo depois. Olhou, mediu, fez umas contas e decidiu não vetar, porque a lei sempre passaria, sendo melhor não perder com ela o precioso e pouco tempo que Portugal tem para discutir e resolver a “dramática situação em que o País se encontra”. Pôs, como disse, a ética da responsabilidade acima das convicções pessoais e promulgou uma lei que nunca quis.
Um sector conservador e católico da direita portuguesa perdeu a cabeça e lançou-se na busca de uma alternativa a Cavaco para a próxima corrida a Belém. Para eles, esta foi a fífia do Presidente. Cedo perceberão que não há na direita uma alternativa a Cavaco, como já se percebeu pela posição do PP e do PSD.
No meio de tudo isto, eu, que não sou uma devota de Cavaco Silva, vejo-me neste estranho papel de o compreender: Cavaco foi igual a si próprio e, sem sobressaltos, foi exactamente o homem que deu a conhecer aos portugueses. Cavaco é um pragmático e, por isso, o que faz, normalmente, é previsível. Cavaco não decide com o coração, Cavaco avalia a utilidade dos seus actos e determina-se de acordo com essa apreciação. Quem esperava de Cavaco um acto inútil, ou não o conhece, ou julgou, errando, que seria influenciado pelo estreito convívio Papal que antecedeu a decisão.
O Presidente deixou claro o que o ser humano Aníbal pensava, o que sentia, o seu desejo íntimo e decidiu em contrário, explicando de forma prática e lógica as razões por que o fez. Entendo-o, mas não deixa de me arrepiar, por ser muito contrário à minha natureza abrir mão de uma convicção.
Discorri sobre esta promulgação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo e sobre o percurso lógico do raciocínio do Presidente da República que nela culminou, não pela decisão, que era previsível, mas pelo que representa na definição do homem que a tomou, em oposição àquele que podemos antecipar ser o seu grande opositor nas próximas eleições para a Presidência da República: Manuel Alegre (agora apoiado pelo PS, sem que consiga perceber se foi ele que engoliu Sócrates ou se foi Sócrates que teve que o engolir). Poderia Manuel Alegre, o Poeta, promulgar uma lei que ferisse as suas convicções íntimas, nas circunstâncias em que Cavaco o fez?
Publicado no Jornal E, nº 3, de 03/06/2010

"Como analisa as recentes medidas de austeridade aprovadas pelo Governo?"

por, Nuno Rato em 16/05/2010

Em primeiro lugar quero referir o seguinte:
Concorda com as recentes medidas de austeridade aprovadas pelo Governo? Não.
São medidas duras para a generalidade do país, para os portugueses? Sim.
Vai-lhe custar muito aceitar estas medidas, bem como dispor dos meus (cada vez mais escassos) rendimentos familiares? Claramente, SIM.
Concorda com a redução de 5% nos vencimentos dos políticos e gestores públicos? SIM, também acho que esta redução deveria ser mais ambiciosa, no mínimo 10 a 15%.
As recentes medidas de austeridade aprovadas pelo Governo são necessárias? Na actual conjuntura, temo que infelizmente sejam. Mas deve ter um carácter extraordinário e transitório e que todas as medidas devem ser supervisionadas em permanência por entidades independentes do Governo e sob a alçada da Assembleia da República. Porém continuo a achar que a redução do défice público deverá passar sobretudo por cortes na despesa, por parte do Estado e não no agravamento de impostos (sobretudo a taxa mínima do IVA que incidirá nos bens essenciais).
Dito isto, importa referir que para o PSD “a situação é de emergência nacional, e que eventuais sacrifícios que venham a ser pedidos aos Portugueses, que estes sejam distribuídos de forma justa e equilibrada, com o Estado a dar o exemplo”.
A razão fundamental por que o nosso país está nessa situação tem a ver com as estratégicas políticas erradas que foram seguidas, pelo menos na última década, pelos sucessivos governos do PS.
Aliás, nós há muito que temos vindo a alertar para esta situação. O PSD não é, certamente, responsável por este contexto de dificuldades. Se a arrogância do Governo Sócrates permitisse ter-nos ouvido e se o Estado já tivesse implementado, um conjunto de medidas por nós sugeridas, cerca de ano e meio atrás, estas medidas de austeridade pedidas ao POVO, àqueles que vivem honestamente do seu trabalho, hoje não fariam sentido.
Porém, esta situação de emergência nacional com que estamos confrontados faz com este não seja o momento para se assacar as responsabilidades ao PS e ao seu governo. Nesse sentido, o objectivo fundamental, no momento presente, é o combate ao défice público. Nesta altura, a nossa principal preocupação deve ser Portugal e os portugueses.
Citando um lema, existente desde a fundação do PSD, proferido por Sá Carneiro: “Para nós primeiro que o Partido está a DEMOCRACIA; e primeiro que a democracia está o PAÌS!”

Publicado na última edição do Jornal E

De olhos postos no chão


As crises são, habitualmente, um álibi que os políticos usam para justificarem não fazer o que prometeram. Quem chega ao poder diz que encontrou cofres vazios, que tem que pagar dívidas (invariavelmente contraídas pelos antecessores) e que, só por isso, as promessas ficam por cumprir. Outros, surpreendidos pelas dificuldades já no poder, escudam-se nas crises internacionais, como se nunca tivessem governado. Independentemente da dose de razão que possam ter, foram eleitos para tomarem decisões, governarem o melhor que possam e saibam, com os recursos de que dispõem e que devem incluir, além do dinheiro, capacidade para captar recursos, saber estudar e agarrar oportunidades, criatividade, inteligência, capacidade de organização dos meios disponíveis para a maximização da satisfação das necessidades de todos. Dinheiro é indispensável, mas não é tudo. Com muito dinheiro, qualquer um parece um bom político. Com pouco dinheiro, pode optar-se por fazer quase nada (convenhamos que é difícil não fazer nada), ou pode optar-se por trabalhar, usando de forma racional o que se tem para fazer obra e ser-se, de facto, um bom político.
O exercício que podemos convidar os nossos governantes e autarcas a fazerem é uma lista das coisas que podem fazer com o dinheiro que têm ou com aquele que, de qualquer forma, vão gastar.
Em Estremoz, com o mesmo dinheiro que sempre teria que ser gasto, poderiam varrer-se as ruas de forma a que fiquem limpas. Poderiam arrancar-se as ervas que crescem nas calçadas, dando à cidade um ar de desleixo e abandono. São precisos produtos que custam dinheiro? É preciso contratar empresas, que custam dinheiro? Será mesmo assim? Se for pouco o pessoal para as arrancar a todas (que a cidade é grande e a selva avança a ritmo acelerado), ainda assim há que começar por algum lado. Há ervas nas calçadas e era bom que fosse contínua a preocupação em as retirar, enquanto vão aparecendo, sem esperar que sejam um matagal. Podia começar-se pela calçada que circunda o Tribunal, no coração da cidade, onde as ervas não podem deixar de ser vistas, são já muitas, altas e crescem livremente (hoje, junto à entrada do Tribunal, vi mesmo que, juntas com um tufo de erva, cresceram duas lindas papoilas. Elas que me perdoem por eu, que ali as reconheci tão belas, venha dizer que aquele não é o seu lugar).
Podia também perceber-se de uma vez por todas que ter papeleiras ou recipientes para o lixo (gosto de lhes chamar papeleiras ainda que não recebam apenas papéis) em abundância, espalhados pela cidade, principalmente onde há uma maior afluência de pessoas é essencial à limpeza das ruas. Évora é exemplar: vão lá e contem os passos que vão entre uma papeleira e outra. Percebem-se as razões que explicam por que, apesar de tantos cruzarem diariamente as ruas da cidade, elas estão limpas.
Depois de beber uma garrafa de água, ficamos com ela na mão. Há quem ande uns metros e, não encontrando onde a deitar, opte por guardar o lixo na mala, se a tiver, ou por passear de garrafa vazia na mão o tempo que for necessário, que em Estremoz seria provavelmente muito. Há quem se livre do seu lixo de qualquer maneira, sem esperar pelo próximo caixote de lixo. Estas pessoas existem e, no caso de muitas, é tarde para lhes acoplar no cérebro, assim de repente, a consciência do dever cívico de não espalharem pelo mundo de todos o lixo que produzem
A existência, sempre presentes, de depósitos para lixo, é um estímulo para que, em vez de serem lançados para as ruas, os papéis e embalagens sejam lançados para os lugares próprios. Em Estremoz há poucas papeleiras, mesmo nos lugares da cidade onde há mais pessoas e se produz mais lixo. Levante o braço quem considere que há papeleiras suficientes no Rossio, quem ache que na Avenida 9 de Abril, percorrida por muitos jovens desde a estação de comboios (agora de autocarros) até à escola, há papeleiras em número suficiente para acolher o lixo dos que ali circulam.
A limpeza e o embelezamento da cidade é importante para quem nela vive e é-o também porque o turismo é um dos sentidos em que a economia do concelho tem que se desenvolver. A manutenção da cidade deve pensar-se de forma séria, organizada e sistemática. Dizemos que amamos a nossa terra. Convido todos a descerem dos pedestais ou torres onde vivem para uma visita, de olhos postos no chão, às ruas e praças da cidade. Depois, venham as declarações de amor.

Publicado no Jornal E, nº 2, de 20 de Maio de 2010

Jornal E apresentado na Casa de Estremoz.

O JORNAL E, será apresentado publicamente, amanhã, dia 24 de Abril, pelas 11 horas, na Casa de Estremoz.
Estremoz dispôs até agora de dois jornais, o JORNAL ECOS e o velhinho BRADOS DO ALENTEJO, fundado por Marques Crespo e dirigido por Inácio Grazina.
Estremoz passa agora a dispor de 3 jornais. Para um concelho como o nosso, é obra!