Há uns anos publiquei no jornal "Brados do Alentejo" o artigo de opinião que transcrevo abaixo, sobre a problemática da construção da variante a Estremoz (IP2).
Como o assunto, infelizmente, para "mal dos nossos pecados" ainda não se encontra resolvido (apesar de novas soluções já terem sido apresentadas e também chumbadas) e se mantem actual, eu tomo a liberdade de plagiar alguém que um dia disse: "Construam-me, porra!...".

A minha Opinião sobre...
Por José Capitão Pardal

IP2 – Variante a Estremoz

Duplamente Dividido, mas necessitado de uma Solução Rápida

Era eu uma criança..., quando há mais de 40 anos, presenciei o primeiro levantamento topográfico para, a já na altura, necessária Variante a Estremoz, à então Estrada Nacional 18. Estava então pensada para, no sentido de Portalegre, passar entre a Quinta do Carmo e as Quintinhas, indo desembocar no cruzamento para a Frandina.

O IP2 – Itinerário Principal nº 2, pretende ligar todo o interior, no sentido Norte-Sul e é uma das vias estruturantes, mais importantes do PRN – Plano Rodoviário Nacional, considerado prioritário pelo actual Governo e o traçado, entre Portalegre e Estremoz está concluído, há vários anos, até à entrada desta última, junto à Frandina.

Não sou indiferente à discussão desta questão, mas terei que confidenciar que me tenho mantido, duplamente dividido, primeiro entre o racional e o sentimental, e em segundo entre as condicionantes económico/ambientais e políticas.

Primeiro porque sou um dos milhares de Estremocenses, a quem a passagem da Estrada Nacional 18, no interior da cidade de Estremoz, causa imensos transtornos, pois passa junto a três Escolas, Centro de Idosos, Piscinas Municipais, Pavilhão Municipal, Centro de Emprego, Centro de Saúde e Urgências, etc., e a escassos 5 metros da minha cabeceira, facto que condiciona grandemente o descanso de todos, os que como eu, vivem nessas condições (o que não é negligenciável) e pretendem uma solução urgente, e porque me encontro, sentimentalmente, ligado ao último traçado projectado.

Não posso deixar de recordar com saudade, os tempos em que, ainda menino, “fiz” a primeira comunhão na Igreja de S. Brissos, “andei” aos espargos, às “alabaças” e aos “cardinhos”, “cacei” pardais e tordos, “matei” a sede na nascente da Tapada Grande, dormi a sesta à sombra de um “chaparro”, “comprei” cal no Forno e “atabefe” na queijaria da Granja, e já rapazola “colhi” amoras silvestres e namorisquei precocemente, na “Azinhaga” do Assentista.

Reconheço que, pessoalmente e nesta questão concreta, o sentimental levou vantagem sobre o racional e o desejo da continuidade de toda a envolvente, para que os vindouros possam usufruir daquilo que foram os impactos positivos na minha formação como homem (a natureza, o silêncio, o calor do Verão e o frio do Inverno, a paisagem, os passarinhos, as flores primaveris, os silvados, os montes isolados, os sobreiros e as oliveiras, etc.).

Naturalmente, que a vida não é só sentimento e teremos sempre de analisar todas as condicionantes dos problemas, que nos são colocados, suas vantagens e inconvenientes, para que consigamos posições o mais homogéneas e consensuais possíveis.

Reconheço que os impactos económicos e ambientais daquele traçado seriam de alguma monta, destacando os que afectariam sectores, com um futuro que se prevê muito competitivo, o vinhedo e o sobreiral, cuja valia económica para o concelho, país e cidadãos afectados (apesar das devidas indemnizações) seria significativa e de difícil substituição no imediato.

Sobre os impactos ambientais negativos e a sua dimensão, não posso deixar de salientar, o que afectaria o aquífero existente naquela zona, onde, nem nos Verões mais tórridos, faltava a água, a quem uma eventual construção da Variante afectaria sobremaneira.

Reconheço a justiça daqueles que, empresários afectados ou simples cidadãos, se organizaram, defenderam os seus interesses e obtiveram êxito, provando que, neste caso, a democracia funcionou.

Do ponto de vista político destaco que:
- As várias soluções de traçado da Variante, apresentadas pelas Estradas de Portugal (e suas antecessoras), ao longo dos tempos, foram sempre direccionadas no sentido Poente à cidade de Estremoz e a solução Nascente, nunca foi equacionada (desconheço porque razão).

- A construção do Nó de ligação à A6 (Auto Estrada Marateca-Caia) a poente coloca dificuldades acrescidas a uma solução a Nascente de Estremoz e é dificilmente defensável a construção de uma nova saída da A6, não só pelos custos presentes e futuros, mas também pela curta distância, entre as saídas de Estremoz e Borba.

- A Variante é de uma importância crucial para a Cidade, para a Região e para o País, a maioria dos estremocenses anseia pela sua urgente concretização, os poderes públicos (Câmara e Governo) têm mostrado vontade política para avançar, é necessário assegurar o seu financiamento, através de fundos estruturais do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional) e concretizar o investimento até 2013.

- Os Impactos Negativos devem ser reduzidos ao mínimo.

- E tratando-se de uma questão crucial para todos, devemos sanar eventuais divergências de partida, mostrar vontade e determinação na concretização da solução encontrada, que sirva os cidadãos e dignifique a cidade.

Nesta questão e nesta altura do “campeonato”, em que a solução apresentada pela Estradas de Portugal, SA, foi definitivamente, “chumbada” pelas entidades competentes, tem a “palavra” a Estradas de Portugal, SA. que, após ouvir os estremocenses, as suas organizações e os seus órgãos de decisão política deve, com MUITA URGÊNCIA, apresentar as soluções adequadas, não repetindo os erros grosseiros do passado.


Obrigado por me terem lido.

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