O problema das obras na Praça de Touros de Estremoz

A actual Praça de Touros de Estremoz foi inaugurada a 3 de Setembro de 1904, após reconstrução da primitiva Praça de Touros de Santa Catarina, que inaugurada a 25 de Julho de 1878, acabaria em ruínas e no abandono.

PRAÇA DE TOUROS DE ESTREMOZ - 1ª década do século XX (Cliché M. & R.)

PRAÇA DE TOUROS DE ESTREMOZ - 1ª década do século XX (Cliché E. Vieira).

106 anos depois dessa ressurreição, o estado de ruínas e de abandono repete-se. Como se as tragédias tivessem que se repetir ciclicamente. Mas não, o que se repete é a incúria de uns e a indiferença de outros.
Por isso, porque o candidato do PSD à Câmara Municipal de Estremoz, incluiu a Praça de Touros no seu Programa de Candidatura e porque no Facebook, surgiu o grupo Quero a Praça de Toiros de Estremoz arranjada, JÁ!, achei oportuno produzir uma reflexão em torno do tema.
A tendência actual é transformar as Praças de Touros em Fóruns cobertos, polivalentes, onde a realização de espectáculos diversificados, atrai múltiplos públicos: os aficionados da festa brava, os melómanos que ali podem apreciar concertos e ópera, os apreciadores de ballet, o pessoal da pesada que ali pode curtir o rock de que gosta, os amantes do circo, os amantes do fado, aqueles que gostam de música pimba, de festivais gímnicos ou de sessões de luta.
São diferentes modos de divertimento, correspondentes a diferentes maneiras de estar na vida, que são igualmente respeitáveis num estado democrático.
Só diferentes públicos podem assegurar a continuidade e sustentabilidade da exploração dum espaço deste tipo.
O problema que se põe é que a Praça de Touros de Estremoz é propriedade do Centro de Bem-Estar Social (Asilo), que tal como o(s) empresário(s) tem arrecadado receitas ao longo dos anos e nunca disponibilizou verba alguma para a respectiva manutenção. O estado de conservação da Praça atingiu a dada altura o estado de ruptura, o que conduziu à interdição da sua utilização em qualquer tipo de espectáculos. Numa analogia agrícola, foi como se alguém tivesse praticado agricultura intensiva, com a preocupação única de colher, não ligando àquilo que pudesse acontecer à terra.
Julgo serem evidentes várias coisas:
- O carácter emblemático que a Praça de Touros de Estremoz tem para os estremocenses;
- Não resolve estar a “bater no ceguinho” e zurzir culpas e responsabilidades a A ou B;
- A reconstrução da Praça é uma tarefa que deve unir os estremocenses e não dividi-los ainda mais;
- É suposto que o Centro de Bem-Estar Social (Asilo) não tem capacidade financeira para fazer obras;
- Só quem poderá ter capacidade financeira para o fazer é o Governo ou a Autarquia.
Eu tenho a minha opinião. E ela é que devia competir ao Governo esse financiamento, financiamento minúsculo quando comparado com os financiamentos faraónicos dos estádios de futebol para o Euro 2004, alguns dos quais estão às moscas, revelando que a tentação eleitoralista do cimento ocultou a falta de sustentabilidade dos projectos de exploração.
A Autarquia também poderá e deverá ter uma palavra a dizer. Contudo não poderá deixar de considerar o problema da reconstrução da Praça de Touros, conjuntamente com outros que a preocupam e não poderá deixar de definir prioridades, para bem de todos nós. E até se poderá dar o caso de a reconstrução não ser prioritária. Mas se o for, terá ainda de ver como assegurar o financiamento para o projecto e para as obras, para não falar já das contrapartidas que deve assegurar em termos de exploração futura.
Talvez possa ser uma hipótese meramente académica, mas talvez o Centro de Bem-Estar Social (Asilo), apesar de não ter capacidade financeira para fazer obras, possa ter capacidade, através do dinamismo dos seus dirigentes, para apresentar uma candidatura de financiamento a esses fundos que por aí andam e às vezes até voltam para trás, sem que ninguém os tenha utilizado.
Seja qual for a solução, tem que haver uma. O que me leva a dizer:

- MÃOS À OBRA!

Hernâni Matos
(Amante de festa brava, circo, luta, festivais gímnicos, ballet, concertos, ópera, fado, rock, música pimba e tudo!)

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