O Pombal dos Jardins Suspensos da Babilónia

Fotografia do jornal "BRADOS DO ALENTEJO" nº 729 - Janeiro de 2010

Ao estudar a Mesopotâmia, os estudantes de História tomam conhecimento que ao sul daquela região, no séc. VI a.C., o rei Nabucodonosor II, mandou construir os chamados  "Jardins Suspensos da Babilónia" , em homenagem à mulher Amitis, saudosa das montanhas do lugar onde nascera. E tal era a grandiosidade desses jardins que foram consideradas uma das sete maravilhas do mundo antigo, pelo poeta grego Antípatro de Sídoni (~190 - 140 a. C.).  
Na nossa cidade, também temos alguns jardins suspensos, não são da Babilónia, mas são de Estremoz, são muito nossos.
Alguns desses jardins são fruto do desmazelo e irresponsabilidade dos proprietários e da incúria de quem há muito devia ter agido e não o fez.
O caso mais gritante, que não o único, é o do telhado do edifício da antiga firma Luís de Sousa Duarte Campos, que depois de ter sido expurgado pelo proprietário do seu rico recheio azulejar, que há muito devia ter sido considerado património municipal, se transformou num pombal gigante, donde partem pombos da cidade [1], à conquista de comida e mais território, conspurcando telhados e varandas com fezes e, causando incómodos de ordem sanitária e higiénica.
As fezes, de natureza ácida corroem metais, descoram pedras, apodrecem madeira, danificam superfícies e as penas sós ou conjuntamente com as fezes entopem caleiras e ralos. Se são diminutos os riscos de saúde pública, o mesmo não se poderá dizer da “saúde” dos telhados habitados pelos pombos da cidade, que não pediram para ser adubados e vêem a sua capacidade de escoamento diminuída.
Nada tenho contra os pombos-correios, que são atletas de competição, devidamente alimentados e tratados pelos seus proprietários, que têm os seus próprios pombais, sendo a columbofilia uma actividade desportiva devidamente regulamentada por lei.
Os pombais dos columbófilos são frequentemente limpos e desinfectados com produtos químicos, pois os pombos-correios quando não há largada, estão fechados no pombal, aí deixando os excrementos. A vagabundagem nos telhados ou nos campos é contrária à prática columbófila uma vez que os pombos-correios podem contrair doenças ou ser mesmo envenenados. Portanto, os pombos-correios não nos causam problemas.
O mesmo não se poderá dizer dos pombos da cidade, desalojados maioritariamente da Torre dos Congregados e do Edifício da Câmara Municipal e que se acoitaram nos edifícios com telhados abatidos e janelas partidas, como é o caso, entre outros, dos edifícios da antiga firma Luís de Sousa Duarte Campos, do CDCR, do Círculo Estremocense e do Palace Hotel.
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E o que têm feito as Câmaras? Que responda quem souber…
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E o que poderá fazer o actual  Executivo Municipal ?
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A meu ver o seguinte:
1  –  Fazer um levantamento exacto da situação;
2 – Intimidar pelos meios legais, os proprietários de edifícios degradados onde se acoitam os pombos da cidade, para que por medidas sanitárias e higiénicas, entaipem os buracos dos respectivos edifícios, para obrigar os pombos a regredir para os campos;
3 – Assumir a Câmara essa tarefa, no caso dos proprietários não responderam à intimidação, cobrando-lhes coercivamente essas despesas “à posteriori”;
4 – Dissuadir a população de dar de comer aos pombos da cidade, o que para alguns, como os frequentadores do quiosque frente à Câmara, é um passatempo;
5 – Distribuir aos pombos da cidade comida tratada quimicamente, que sem os matar, impeça a sua procriação, fazendo-os regredir em número. Assim procedeu com êxito a Câmara Municipal de Lisboa.
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Julgamos que pedir isto à Câmara, não é pedir demais. E pedimos com bons modos e civilidade. É um direito cívico que nos assiste. Assim como igualmente uma resposta ao que aqui é pedido, a qual estamos crentes não ficará para as calendas gregas, antes nos será dada em tempo útil.

Hernâni Matos

[1] – O chamado “pombo da cidade” é uma ave distinta do “pombo-correio” e do “pombo-bravo”.

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