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CASA PROCURA-SE



CASA, PROCURA-SE

Ando procurando casa,
Quero mudar este Verão –
A alma já me extravasa:
É pequena esta morada
Para tanto coração.

Vou visitando os olhares,
Em busca de novo abrigo –
Se comigo te cruzares,
Prende-te aos meus vagares
Nesta via que prossigo.

Deixa que na tua pele
Minha alma pouse os lábios –
E que esse beijo tão breve
Pra dentro de ti me leve
E acalme os meus cuidados.

Tua alma é arejada,
Cabem lá as minhas dores?
Vou aí fazer pousada,
Se tudo nela me agrada
E paciente tu fores.

Minha alma às vezes acorda
(E não tem hora nem dia)
A velha dor sempre nova,
E dentro da dor soçobra –
Queres esta companhia?

A de um velho coração
Que anda procurando casa –
Que quer outra habitação,
Com alicerces no chão
E por telhado uma asa?

Mas onde esta dor profunda
Possa caber à vontade –
E encontrar em ti ajuda,
Que a dor dilua e cubra
Da ternura que te invade.

Queres este velho poeta
Que continua menino
E na alma sempre inquieta
A dor do mundo projecta,
E a outra, do seu destino?

Dá-me só a tua mão
Pra que a ternura se acenda –
Teus olhos logo dirão,
Se avanço na instalação –
Depois, discute-se a renda.

Posso pagar-te em poemas?
Um por dia, chegará? –
Só quero que tu entendas
Que melhores pagas ou prendas
Do que as palavras, não há.

Nada mais tenho pra dar-te
Do que esta escrita empenhada –
Com maior ou menor arte,
Contigo tudo reparte
Meu estro em tua morada.

Mas se ninguém me quiser,
Se minha alma é excessiva,
Há sempre casa e mulher
Onde o poema estiver –
Onde ele vive, que eu viva.

António Simões
(do livro a publicar: Poemas Circulares: Moradias e Navegações)

As Cinco Estações do Ano

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António Simões
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É sabido que sou um homem dado a colecções e que sou exigente naquilo que colecciono. Como é o caso dos Amigos.
Hoje vou falar-vos dum Amigo que segundo as suas próprias palavras:
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“Escreve poemas desde os dez anos e neles fala de insectos, pedras, flores, tremuras de alma ou do vento e de outras coisas do seu abcedário de ternura. Um dia, inventou uma barca para navegar pelas infinitas searas do amado Alentejo de sua infância e vai por elas fora por uma fresta aberta num poema e sabe que um dia chegará às praias de luz onde nasce o dia.”
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É um Amigo que, apesar de eu ser um coleccionador incorrigível, não troco por nenhum outro. É que as suas palavras fazem-me vibrar as cordas das emoções e ressoam-me por todo o corpo.
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Tenho muito orgulho nesse Amigo. Por isso, partilho Convosco um Poema desse meu Amigo, que decerto também será Amigo de muitos de Vós.
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O Nosso Amigo chama-se ANTÓNIO SIMÕES e são de AUGUSTO MOTA as Fotos que ilustram o Poema “AS CINCO ESTAÇÕES DO ANO”.
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Digam-me lá, se o Poema é ou não é uma Ode à Alegria?
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