Esquerda

Está perto mais um acto eleitoral para a eleição directa dos deputados à Assembleia da República, e de forma indirecta para a escolha do Primeiro-Ministro e do Governo de Portugal. Estas eleições acontecem rodeadas de uma crise económica e financeira e assentes no debate da ajuda externa que o País solicitou.
Mas o Portugal de hoje tem alguma coisa a ver, por exemplo, com o Portugal da segunda metade do Século XX? Nos anos 50 e 60 o País era atrozmente desigualitário.
Ao longo destes 37 anos de democracia o País mudou. Mudou, e muito, e com ele fomos percebendo que nenhum País pode desenvolver-se e ser feliz se a grande maioria dos seus concidadãos forem pobres.
Mesmo sabendo-se hoje em que há novas formas de pobreza, que pobres sempre haverá, a preocupação com as desigualdades sociais deve ser uma das grandes preocupações do novo Governo, assim como a valorização do mérito.
A redução das desigualdades sociais deve ser um dos pilares do novo executivo, mas com medidas sérias e não somente nos discursos de campanha. Não basta apresentar documentos que reflectem estudos onde se concluem que a meta em 2020 é que a pobreza diminua em 200.000.
Não se pode viver em ambiente de cinismo político constante, e onde ingenuamente vamos ouvindo que se luta por uma sociedade mais justa ou, onde nas entrelinhas se vai afirmando, que os pobres apenas existem porque não querem trabalhar. Este cinismo mina a coesão da sociedade.
Estas eleições abrem um espaço à esquerda, à esquerda democrática ou social democracia, como se lhe queira chamar, uma nova esquerda (talvez uma 4.ª via) que não se feche no interior dos aparelhos partidários e se abra a novas ideias de manutenção e reforço do Sistema Nacional de Saúde, da Educação Pública, da Segurança Social…etc.
Mas para isso também é preciso que a esquerda democrática se refunde, e as próximas legislativas também vão ser isso mesmo.

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