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O FRANCO ATIRADOR - Poesia Popular









 Hernâni Matos
O FRANCO ATIRADOR


A Associação Filatélica Alentejana que comemora este ano o seu 27º aniversário, há muito que vem desenvolvendo trabalho com poetas populares, promovendo um ou mais Encontros anuais, visando o convívio entre eles e a comunidade, bem como a apresentação pública dos seus trabalhos.
Foi o que aconteceu no passado sábado, dia 15 Maio, quando um grupo de poetas populares interveio no acto inaugural da exposição “Defesa do Património” no Centro Cultural Dr. Marques Crespo, em Estremoz.
Altino Carriço, Constantina Babau, Joaquim Gavião, Manuel Gomes, Mateus Maçaneiro e Renato Valadeiro foram os poetas populares presentes no evento.
À noite, o Encontro de Poetas Populares continuou no Museu Municipal de Estremoz, integrado no evento internacional conhecido por “Noite dos Museus”, que registou a participação de Museus de toda a Europa e contou com o alto patrocínio da UNESCO.

Fotografia de Isabel Água
Antes da actuação dos poetas populares, coube-me como palestrante convidado, dissertar sobre Poesia Popular. Dada a vastidão e a complexidade do tema, debrucei-me apenas por contextos que tenho investigado sob um ponto de vista etnológico. Em primeiro lugar, o “Cancioneiro Agro-Pastoril”, produzido por homens e mulheres, em tarefas de grupo, cíclicas e sazonais, como a monda, a ceifa, a azeitona, a vindima e a tiragem da cortiça. Produzido também por pastores na solidão da sua vida de nómadas, esse cancioneiro é constituído sobretudo por décimas e quadras que registaram no livro vivo da sua memória, pois muitos nem sequer sabiam ler. A maior parte dessas composições tornaram-se anónimas e transmitindo-se oralmente passaram a integrar o património colectivo. Em segundo lugar, o “Cancioneiro Popular de Natal”, porque ajuda a perceber a religiosidade própria do homem alentejano, o qual apesar da sua pouca religiosidade, nutre respeito pela Sagrada Família, a qual todavia é tratada terra a terra e mesmo com uma certa ironia.
O Cancioneiro Popular que temos é rico e diversificado. Dele nos devemos orgulhar por ser parte integrante da nossa identidade cultural, que urge preservar e transmitir às gerações mais novas. Daí a importância da sua recolha e registo escrito como forma de assegurar a perpetuidade do que tem de mais rico e genuíno a nossa memória colectiva.

(Publicado também no jornal ECOS, nº 85, de 21 de Maio de 2010)

Museu de Estremoz participa na “Noite dos Museus”

Pela primeira vez e correspondendo a um convite do Instituto dos Museus e da Conservação, o Museu Municipal de Estremoz “Professor Joaquim Vermelho”, participa no evento internacional conhecido por “NOITE DOS MUSEUS”. O acontecimento, que regista este ano a sua sexta edição, ocorre anualmente a um sábado, próximo do Dia Internacional dos Museus (18 de Maio), conta com a participação de Museus de toda a Europa e tem o alto patrocínio da UNESCO.
Associando-se ao lema deste ano “Museus e Harmonia Social”, a Câmara Municipal de Estremoz, através do seu Museu e numa parceria com a Associação Filatélica Alentejana (AFA), organizou um “Encontro de Poetas Populares”. As finalidades, de acordo com a “Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial”, aprovada pela UNESCO em 2003, são a salvaguarda e o respeito pelo património cultural imaterial das comunidades, dos grupos e dos indivíduos (neste caso Poesia Popular), no quadro de um mundo cada vez mais globalizado, que ameaça uniformizar as culturas do mundo, aumentando simultaneamente as desigualdades sociais.
Do programa, a desenvolver na Sala da Exposições Temporárias do Museu Municipal, a 15 de Maio, constam:
- 20 h 30 min: “FALANDO DE POESIA POPULAR” – Palestra pelo Presidente da AFA, Hernâni Matos;
- 21 h: POETAS POPULARES PELA NOITE DENTRO.
O Museu Municipal estará aberto ao público visitante, no horário normal e das 17 h 30 min até às 24 h. A entrada é livre, estando porém a “ Noite dos Museus”, condicionada a 40 visitantes.
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Dia Mundial do Livro

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Por decisão da UNESCO, desde 1986 que a 23 de Abril é comemorado o Dia Mundial do Livro. Trata-se de uma data que merece alguma reflexão.
O desenvolvimento vertiginoso das novas tecnologias tem-nos legado múltiplos sucedâneos do livro cujo antepassado mais remoto e vulgarizado é o ebook. Disponível e facilmente acessível como poderão comprovar pela proliferação de bibliotecas e hemerotecas digitais que há por esse mundo fora.
Apesar disso, nada poderá substituir o prazer físico de ler um livro, folheá-lo, andando para trás ou para diante, sublinhá-lo, pôr-lhe uma ou mais marcas, escrever nele uma assinatura de posse ou até mesmo colar nele o nosso ex-líbris.
Um livro é um companheiro e um amigo das horas de solidão. É um timoneiro que nos conduz a bom porto. É um mestre mudo que fala dentro de nós. Por isso, apesar de todo o avanço tecnológico, os livros terão sempre um lugar muito especial, reservado nas nossas estantes e nos nossos corações.
Como homem de escrita, aproveito esta data para dar conhecimento aos que gostam de me ler, que tenho entre mãos o projecto de edição de um livro, a sair lá para o final do ano, se as contas não me saírem furadas. Trata-se de “METRALHA LIGEIRA”, uma colectânea de crónicas reunidas em seis grandes capítulos: 1 - Do Alentejo; 2 - De Estremoz; 3 - Da Arte; 4 - Dos Amigos; 5 - Do Humor; 6 - Da Infância e da Juventude;
Faço votos para que a concretização do meu projecto seja bem sucedida, além de que seja do vosso agrado. O tempo o dirá.