Sobre a comparação entre o Ajustamento de Portugal e da Irlanda

A Net tem destas coisas... maravilhosas...
 
Hoje dei com este texto, que é uma lição para todos os que apenas conseguem ver um palmo à frente do nariz e não vão ao fundo das questões, transmitindo apenas o que lhes colocam em cima da secretária da redação...
 
Parabéns Hugo Mendes...

Sobre a Irlanda (ou como não fazer comparações)

por Hugo Mendes, em 21.11.13
 
João Miguel Tavares escreve hoje no “Público” uma crónica comparando o ajustamento na Irlanda e em Portugal:  
 
“A Irlanda reduziu o seu défice de 30,6% em 2010 para 7,3% (estimativa) em 2013 e quer atingir 5,1% em 2014. Estamos a falar de um esforço muitíssimo mais violento do que o português — uma queda de 25,5 pontos percentuais. Segundo o Financial Times, os cortes na despesa irlandesa desde 2008 já ascendem a 28 mil milhões de euros. O défice português em 2010 foi de 10,2%, e aquilo que se pretende é que ele venha a ser de 4% em 2014 — ou seja, uma diminuição de 6,2 pontos percentuais, quatro vezes menos do que a Irlanda.”
 
Imagino que o João Miguel Tavares tenha sido atraiçoado pelo jornal em causa,  mas estes números dificilmente fazem algum sentido.
 
Vamos por partes.
 
Primeiro, o défice orçamental de 2010 na Irlanda só atingiu os 30,6% porque o Eurostat obrigou o país a registar o apoio extraordinário concedido ao setor financeiro nesse ano.
 
Sem este efeito extraordinário, o défice teria sido de 10,6% do PIB.
 
Isto pode ser visto em qualquer relatório do PAEF irlandês feito pelo FMI ou pela Comissão Europeia. 
 
 
 
Veja-se, já agora, como a redução do défice tem sido lenta na Irlanda.
 
Por exemplo, entre 2012 e 2013 o défice – ainda a níveis altíssimos - praticamente não se moveu: passará de 7,6% para 7,5%, e isto num contexto que, não sendo de “crescimento” económico que se veja – cresceu 0,2% em 2012 e a Comissão Europeia estima que cresça apenas 0,3% em 2013 -, também não é de recessão como em Portugal (o que dificulta mais a consolidação).
 
Isto não me parece um desempenho exemplar.
 
Quanto ao alegado corte de 28 mil milhões na despesa, a única explicação que encontro para este valor é um cálculo absurdo: o contabilizar o fim do efeito na despesa pública do apoio à banca – que causou o défice grotesco de 30,6% em 2010 -  como "redução de despesa".
 
Em caso contrário, não vejo sinceramente onde está esse brutal corte de despesa.
Vejamos o gráfico seguinte, que mostra a evolução da despesa nominal total na Irlanda: "despesa total", "despesa corrente", despesas com "investimento" e outra "despesa de capital".
Podia ter reunido estas duas em "despesas de capital", mas deixo os itens separados para se perceber o que se passou.
No que toca à despesa corrente, ela praticamente não se mexeu: era 64,3 mil milhões em 2008, no ano em que chega a crise, e será de 65 mil milhões no fim de 2013.
Isto não quer dizer que não tenha havido cortes efetivos (ver abaixo).
 
Quer dizer apenas que a Irlanda não teve uma queda da despesa nominal, e que é improvável que tenha havido cortes da ordem dos €28 mil milhões.
 
 
Em segundo lugar, para além do expectável corte de mais de €6,5 mil milhões na despesa com investimento, o comportamento atípico está na rubrica «outra despesa de capital», onde está contabilizado o apoio extraordinário ao setor financeiro.
É esta a chave para perceber a ideia (falsa) de que a Irlanda «reduziu a 28 mil milhões de despesa» desde 2008.
 
Já que falamos de medidas de consolidação orçamental, vale a pena olhar para a composição destas nos anos que vão de 2011 a 2013, os do PAEF irlandês (o gráfico consta do relatório do FMI da 11ª revisão regular do programa, pode encontrá-lo aqui).
 
 
 
Repare-se que se é verdade que o programa previa uma maior redução de despesa do que aumento de receita, também é verdade que, no que toca à «despesa corrente» (a verde) – e quando se saliva por cortes na despesa, é da despesa corrente (i.e., de salários e pensões) que se fala -, ela vale precisamente o mesmo valor relativo ao aumento da receita (a amarelo): €5 mil milhões.
 
Vale também a pena comparar o esforço feito pela Irlanda ao longo deste três anos – contabilizam-se €13 mil milhões em medidas de consolidação – com o realizado por Portugal no mesmo período. Recuperando um célebre gráfico usado por Vítor Gaspar em março passado…
 
 
…vemos que, em 3 anos, as medidas de consolidação em Portugal – um país onde o peso da procura interna no PIB é superior, sendo por isso mais vulnerável aos efeitos recessivos da redução de despesa - atingiram quase €24 mil milhões, não muito longe do dobro do esforço irlandês.
 
Se o ajustamento foi "violentíssimo", não sei bem como qualificar o português.
 
É verdade que os irlandeses começaram a ajustar a meio de 2008, dois anos antes de Portugal (lembram-se do PECI?).
 
Ainda estou a tentar contabilizar quanto valeram as medidas nesses 2 anos e meio que antecederam o PAEF irlandês, mas não vejo como possa ser possível chegar €28 mil milhões de cortes na despesa sem recorrer ao artifício jornalística e politicamente desonesto de contabilizar nestes cálculos o valor usado para recapitalizar a banca em 2010.
 
Ah, é verdade, os irlandeses cortaram salários aos funcionários públicos.
 
Sobre isto, vale a pena dar três notas:
 
1) A Comissão Europeia publicou recentemente um estudo sobre as diferenças salariais entre o setor público e o setor privado, com dados para os anos de 2006 e 2010.
Portugal faz parte do grupo de países onde o prémio salarial da função pública é mais elevado: 11,9% (atenção, isto são dados de 2010, antes do corte médio de 5% para salários a partir de €1500 inscritos no OE2011, e, claro, dos cortes subsequentes; curiosamente, a Alemanha também faz parte deste grupo: o prémio salarial da função pública era em 2010 de 10%).
 
Ora, como se comporta a Irlanda nesta questão ?
A Irlanda era em 2010 (e não sei se os cálculos já integram os cortes feitos nesse anoa os funcionários irlandeses) o país onde o prémio salarial da função pública era o mais elevado de toda a UE: 21,2%.
 
2) Entre os anos 2000 e 2008, antes da crise internacional virar as economias de pernas para o ar, as diferenças que existiam entre Portugal e Irlanda quanto ao peso percentual das «despesas com pessoal» no PIB foram anuladas.
Enquanto em Portugal, o país onde alegadamente o Estado gastou como se não houvesse amanhã, as despesas com pessoal baixaram de 13,7% para 12% do PIB (uma redução de 12%) nesse período, na Irlanda, esse Estado prudente e poupado, as despesas com pessoal aumentaram 40% (de 8,4% para 11,8% do PIB).
 
  
 
3) Claro que podemos sempre dizer que a Irlanda tem funcionários públicos excecionalmente bem pagos porque ele são poucos.
O que nos dizem sobre isto os dados do recente «Government at a Glance 2013» da OCDE ?
 
Três coisas:
- que Portugal baixou a percentagem de funcionários públicos na população ativa entre 2001 e 2011;
- que os valores para Portugal são nestes dois anos inferiores à média da OCDE (e da Irlanda);
- e que a Irlanda não só aumentou a percentagem de funcionários entre 2001 e 2011, como passou de uma posição em que estava abaixo da média da OCDE em 2001 para uma posição acima da média em 2011.
 
Para fazer uma comparação séria entre o ajustamento nos dois países, convém levar em linha de conta todos estes elementos.
 

A Segurança Social...

Vou reavivar a memória de alguns, que ou se esqueceram ou não sabem o que dizem, quando falam no assunto, com este artigo do professor aposentado, José Manuel Catarino Soares, que nos diz muitas verdades sobre o tema...
 
Se fossemos fazer bem as contas da Segurança Social veríamos que quem deve a quem é o Estado à Segurança Social, no seu conjunto, e seriam certamente, algumas centenas de mil milhões de euros.
 
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Carta Aberta

OLHOS NOS OLHOS

Exma. Sra.
Dra. Judite de Sousa


O programa Olhos nos Olhos que foi hoje para o ar (14.10.2013) ficará nos anais da televisão como um caso de estudo, pelos piores motivos.


Foi o mais execrável exercício de demagogia a que me foi dado assistir em toda a minha vida num programa de televisão.
O que os senhores Medina Carreira e Henrique Raposo disseram acerca das pensões de aposentação, de reforma e de sobrevivência é um embuste completo, como demonstrarei mais abaixo. É também um exemplo de uma das dez estratégias clássicas de manipulação do público através da comunicação social, aquela que se traduz no preceito: «dirigir-se ao espectador como se fosse uma criança de menos de 12 anos ou um débil mental».

Mas nada do que os senhores Medina Carreira e Henrique Raposo dizem ou possam dizer pode apagar os factos.
Os factos são teimosos.
Ficam aqui apenas os essenciais, para não me alargar muito:

1. OS FUNDOS DO SISTEMA PREVIDENCIAL da Segurança Social (Caixa Nacional de Aposentações e Caixa Geral de Aposentações), com os quais são pagas essas pensões, NÃO PERTENCEM AO ESTADO (muito menos a este governo, ou qualquer outro).
Não há neles um cêntimo que tenha vindo dos impostos cobrados aos portugueses (incluindo os aposentados e reformados). PERTENCEM EXCLUSIVAMENTE AOS SEUS ACTUAIS E FUTUROS BENEFICIÁRIOS, QUE PARA ELES CONTRIBUIRAM E CONTRIBUEM DESCONTANDO 11% dos seus salários mensais, acrescidos de mais 23,75% (também extraídos dos seus salários) que as entidades empregadoras, privadas e públicas, deveriam igualmente descontar para esse efeito (o que nem sempre fazem [voltarei a este assunto no ponto 3]).

2. As quotizações devidas pelos trabalhadores e empregadores a este sistema previdencial, bem como os benefícios (pensões de aposentação, de reforma e sobrevivência; subsídios de desemprego, de doença e de parentalidade; formação profissional) que este sistema deve proporcionar, são fixadas por cálculos actuariais, uma técnica matemática de que o sr. Medina Carreira manifestamente não domina e de que o sr. Henrique Raposo manifestamente nunca ouviu falar. Esses cálculos são feitos tendo em conta, entre outras variáveis, o custo das despesas do sistema (as que foram acima discriminadas) cujo montante depende, por sua vez — no caso específico das pensões de aposentação, de reforma e de sobrevivência — do salário ou vencimento da pessoa e do número de anos da sua carreira contributiva.
O montante destas pensões é uma percentagem ponderada desses dois factores, resultante desses cálculos actuariais.

3. Este sistema em nada contribuiu para o défice das contas públicas e para a dívida pública. Este sistema não é insustentável (como disse repetidamente o senhor Raposo).
Este sistema esteve perfeitamente equilibrado e saudável até 2011 (ano de entrada em funções do actual governo), e exibia grandes excedentes, apesar das dívidas das entidades empregadoras, tanto privadas como públicas (estimadas então em 21.940 milhões de euros) devido à evasão e à fraude contributiva por parte destas últimas.
Em 2011, último ano de resultados fechados e auditados pelo Tribunal de Contas, o sistema previdencial teve como receitas das quotizações 13.757 milhões de euros, pagou de pensões 10.829 milhões de euros e 1.566 milhões de euros de subsídios de desemprego, doença e parentalidade, mais algumas despesas de outra índole.
O saldo é pois largamente positivo. Mas o sistema previdencial dispõe também de reservas, para fazer face a imprevistos, que são geridas, em regime de capitalização, por um Instituto especializado (o Instituto de Gestão dos Fundos de Capitalização da Segurança Social) do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social. Ora, este fundo detinha, no mesmo ano de 2011, 8.872,4 milhões de euros de activos, 5,2% do PIB da altura.

4. É o aumento brutal do desemprego (952 mil pessoas no 1º trimestre de 2013), a emigração de centenas de milhares de jovens e menos jovens, causados ambos pela política recessiva e de empobrecimento deste governo, e a quebra brutal de receitas e o aumento concomitante das despesas com o subsídio de desemprego que estes factos acarretam, que está a pôr em perigo o regime previdencial e a Segurança Social como um todo, não a demografia, como diz o sr. Henrique Raposo.

5. Em suma, é falso que o sistema previdencial seja um sistema de repartição, como gosta de repetir o sr.Medina Carreira.
É, isso sim, um sistema misto, de repartição e capitalização.
Está escrito com todas as letras na lei de bases da segurança social (artigo 8º, alínea C, da lei nº4/2007), que, pelos vistos, nem ele nem o senhor Henrique Raposo se deram ao trabalho de ler.
É falso que o sistema previdencial faça parte das “despesas sociais” do Estado (educação e saúde) que ele (e o governo actual) gostariam de cortar em 20 mil milhões de euros.
Mais especificamente, é falso que os seus benefícios façam parte das “prestações sociais” que o senhor Medina Carreira gostaria de cortar.
Ele confunde deliberadamente dois subsistemas da Segurança Social: o sistema previdencial (contributivo) e o sistema de protecção da cidadania (não contributivo). É este último sistema (financiado pelos impostos que todos pagamos) que paga o rendimento social de inserção, as pensões sociais (não confundir com as pensões de aposentação e de reforma, as quais são pagas pelo sistema previdencial e nada pesam no Orçamento de Estado), o complemento solidário de idosos (não confundir com as pensões de sobrevivência, as quais são pagas pelo sistema previdencial e nada pesam no Orçamento do Estado), o abono de família, os apoios às crianças e adultos deficientes e os apoios às IPSS.

6. É falso que o sr. Henrique Raposo (HR) esteja, como ele diz, condenado a não receber a pensão a que terá direito quando chegar a sua vez, “porque a população está a envelhecer”, “porque o sistema previdencial actual não pode pagar as pensões de aposentação futuras”, “porque o sistema não é de capitalização”.
O 1º ministro polaco, disse, explicou-lhe como mudar a segurança social portuguesa para os moldes que ele, HR, deseja para Portugal.
Mas HR esqueceu-se de dizer em que consiste essa mirífica “reforma”: transferir os fundos de pensões privados para dentro do Estado polaco e com eles compensar um défice das contas públicas, reduzindo nomeadamente em 1/5 a enorme dívida pública polaca.
A mesma receita que Passos Coelho, Vítor Gaspar e Paulo Portas aplicaram em Portugal aos fundos de pensões privados dos empregados bancários! (para mais pormenores sobre o desastre financeiro que se anuncia decorrente desta aventura polaca, ver o artigo de Sujata Rao da Reuters, «With pension reform, Poland joins the sell-off», 6 de Setembro de 2013, http://blogs.reuters.com/ globalinvesting/2013/09/06/with-pension-reform-poland-joins-the-sell-off-more-to-come/; e o artigo de Monika Scislowska da Associated Press, «Poland debates controversial pension reform», 11 de Outubro de 2013, http://news.yahoo.com/poland-debates-controversial-pension-reform-092206966--finance.html).
HR desconhece o que aconteceu às falências dos sistemas de capitalização individual em países como, por exemplo, o Reino Unido.
HR desconhece também as perdas de 10, 20, 30, 40 por cento, e até superiores, que os aforradores americanos tiveram com os fundos privados que geriam as suas pensões, decorrentes da derrocada do banco de investimento Lehman Brothers e da crise financeira subsequente — como relembrou, num livro recente, um jornalista insuspeito de qualquer simpatia pelos aposentados e reformados.
O único inimigo de HR é a sua ignorância crassa sobre a segurança social.

Os senhores Medina Carreira e Henrique Raposo, são, em minha opinião, casos perdidos. Estão intoxicados pelas suas próprias lucubrações, irmanados no mesmo ódio ao Tribunal Constitucional («onde não há dinheiro, não há Constituição, não há Tribunal Constitucional, nem coisíssima nenhuma» disse Medina Carreira no programa «Olhos nos Olhos» de 9 de Setembro último;« O Tribunal Constitucional quer arrastar-nos para fora do euro» disse Henrique Raposo no programa de 14 de Outubro de 2013). E logo o Tribunal Constitucional ! — última e frágil antepara institucional aos desmandos e razias de um governo que não olha a meios para atingir os seus fins.
Estes dois homens tinham forçosamente que se encontrar um dia, pois estão bem um para o outro: um diz “corta!”, o outro “esfola!”. Pena foi que o encontro fosse no seu programa, e não o café da esquina.

Mas a senhora é jornalista.
Não pode informar sem estar informada.
Tem a obrigação de conhecer, pelo menos, os factos (pontos 1-6) que acima mencionei.
Tem a obrigação de estudar os assuntos de que quer tratar «Olhos nos Olhos», de não se deixar manipular pelas declarações dos seus interlocutores. S
e não se sentir capaz disso, se achar que o dr. Medina Carreira é demasiado matreiro para que lhe possa fazer frente, então demita-se do programa que anima, no seu próprio interesse.
Não caia no descrédito do público que a vê, não arruíne a sua reputação.
Ainda vai a tempo, mas o tempo escasseia.

José Manuel Catarino Soares

(Professor aposentado)

Lisboa. 15-10-2013

Prémio LeYa para Gabriela Ruivo Trindade

Gabriela Ruivo Trindade


Gabriela Ruivo Trindade, ganhou o PRÉMO LEYA 2013.
Parabéns Gabriela!

Com a devida vénia transcrevemos a notícia difundida pela agência Lusa e recolhida no DN ARTES:

O vencedor do Prémio LeYa, no valor de 100.000 euros, é o romance "Uma outra voz", de Gabriela Ruivo Trindade, anunciou hoje o escritor Manuel Alegre, presidente do júri.

O júri justificou a escolha - o prémio foi atribuido a uma mulher pela primeira vez - com a "consistência narrativa", nomeadamente "na caracterização das personagens femininas".
O júri salientou também "a originalidade" com que Gabriela Ruivo Trindade "combina o individual e o coletivo, bem como a inclusão da perspetiva do(s) narrador(es) no desenho cuidado de um universo de vastas implicações, mas circunscrito à esfera do mundo familiar ao longo de um século de História"
"A exploração ficcional de registo diarístico e a inclusão da fotografia dão um sinal de modernidade formal" à obra, realçou o júri.
"Uma outra voz" foi escolhida por maioria, revelou Manuel Alegre.
Aos jornalistas, Manuel Alegre disse que apesar de ser uma escolha cega, isto é, sem se conhecer o autor, "adivinhava-se que fosse uma mulher pela caracterização muito forte das personagens e pela forma como caracteriza uma dada personagem masculina".
Por outro lado, o escritor, rejeitou a possibilidade de ser autobiográfico, apesar de registar factos verídicos.
O escritor realçou que pela segunda vez é dado um prémio a um desempregado - o anterior tinha sido João Ricardo Pereira, vencedor com "O teu rosto será o último", em 2011.
"É algo que nos enche de alegria", rematou.
A autora de "Uma outra voz" vive em Londres, tem 43 anos e é natural de Lisboa.
Segundo fonte do grupo LeYa, o romance será editado "em princípios do próximo ano".
Esta sexta edição do galardão foi a mais concorrida de sempre, tendo-se candidatado 491 originais de 14 países.
O júri do Prémio LeYa 2013 foi o mesmo da edição do ano passado, tendo sido presidido por Manuel Alegre, e do qual fizeram também parte os escritores Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, o professor da Universidade de Coimbra José Carlos Seabra Pereira, o reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, Lourenço do Rosário, e a professora da Universidade de São Paulo Rita Chaves.
À análise do júri foram submetidas sete obras finalistas que foram avaliadas em regime de "prova cega", isto é, sem saber quem é o seu autor, tendo o critério de seleção à final sido feito pelos editores do Grupo LeYa, explicou à Lusa fonte do grupo editorial.
O primeiro vencedor do Prémio LeYa, em 2008, foi o romance "O Rastro do Jaguar", do jornalista brasileiro Murilo Carvalho.

Em 2009 venceu o romance "O Olho de Hertzog", do escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho, na edição de 2010 o júri decidiu, por unanimidade, não atribuir o Prémio LeYa, dada a falta de qualidade dos originais a concurso, em 2011 foi distinguido o romance "O Teu Rosto Será o Último", estreia literária do português João Ricardo Pedro, e o ano passado venceu o português Nuno Camarneiro, com o romance "Debaixo de Algum Céu".


"O sonho de Pedro Passos Coelho..."

Hoje dei com esta pérola no Facebook...

Leiam... A brincar, vamos dizendo umas verdades?!... Não será isto que está sucedendo?!...
O tempo e as estatísticas falarão..

José Capitão Pardal

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"Um terço é para morrer.
Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo.
E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis.
Se quiséssemos matá-los ...mesmo era por aí um clamor que Deus me livre.
Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor.
É por isso que nós não os vamos matar.
Eles é que vão morrendo.
Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos.
E as estatísticas já mostram isso.
 
O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho.
Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar.
Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde?
Eles lá sabem.
Por isso, joga tudo a nosso favor.
A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência.
Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos.
A natureza faz o resto.
 
O Paulo Macedo também faz o que pode.
Não é genocídio, é estatística.
Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo.
Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas.
E as escolhas implicam sempre sacrifícios.
Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza.
Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.
 
Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim.
Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.
 
Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma.
Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem.
Tem de haver equidade.
Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos.
 
Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos.
O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento?
Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta.
Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro.
E os deficientes.
Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade.
Não era justo.
E temos de promover a justiça social.
O outro terço temos de os pôr com dono.
É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar.
Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente.
Não digo voltar à escravatura – é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura.
Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam.
A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam – ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós.
O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira.
Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários.
Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda.
Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua.
E enchê-los de futebol e telenovelas e *reality shows* para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.
O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo.
Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.
 
Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável.
A verdade é que a pegada ecológica da sociedade atual não é sustentável.
E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia.
Não vou ficar em Massamá a vida toda.
O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."

Texto indicado no Facebook, como sendo de:
José Vítor Malheiros - Jornal Público - 11/09/2012

Do Tempo da Outra Senhora: Hoje é dia de reflexão

Do Tempo da Outra Senhora: Hoje é dia de reflexão: Pensador (1939). Escultura em bronze de Mestre Leopoldo de Almeida (1898-1975). Dimensões (cm): altura: 33; largura: 22; profundidade:...

Começou o Outono


(Leia aqui)




Vídeo de promoção da novela "Belmonte", a novela da TVI
cuja acção decorre em Estremoz (Portugal) e no Pantanal /Brasil)