Não vejo senão canalha...
Postado por
Hernâni Matos
|
terça-feira, 17 de julho de 2012
|
Marcadores:
Escrito na Cal,
Estremoz,
Hernâni Matos,
José Movilha,
Livros
|
0
comentários
O painel de apresentação do livro era constituído (da esquerda para a direita)
por Hernâni Matos , José Movilha (autor de “Escrito na Cal”), Guiomar Morais
(professora da UCA) e Emídio Lourenço (Presidente da UCA).
(Fotografia de Luís Figueiredo)
“Escrito na cal”, romance do escritor estremocense José Movilha, editado pela “Monóculo”, foi apresentado no passado sábado, 14 de Julho, pelas 11 horas na Casa de Estremoz. O evento no qual participaram cerca de sete dezenas de pessoas, terminou com uma sessão de autógrafos. Tratou-se de uma iniciativa da Biblioteca Municipal de Estremoz, que contou com o apoio do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal.
O painel de apresentação do livro era constituído por Hernâni Matos, Guiomar Morais (professora da UCA – União de Cultura e Acção, de Santa Iria da Azóia), Emídio Lourenço (Presidente da UCA) e José Movilha (autor de “Escrito na Cal”), os quais intervieram por esta sequência.
O livro tem a particularidade de a maioria da acção se desenrolar em Estremoz, designada por “Vila de Gadanha”, nos anos 30 do século XX. Na época, Portugal vivia amordaçado pela ditadura, pela fome e pela doença. O povo sonhava com liberdade e igualdade e por elas lutava. O livro dá conta dessa luta.
O título da obra resulta de um dos capítulos do livro. Na vila de Gadanha, um grupo de oposicionistas ao regime, reúne-se numa casa da antiga rua dos Judeus, perto da igreja de Santiago.
Na reunião é feita uma caracterização da situação política e da luta desenvolvida e a desenvolver, sendo deliberado escrever na cal das paredes da Tapada Grande, exigindo a Libertação do ganhão Jaime da Manta Branca, preso às ordens do regime por ser poeta e homem livre no pensamento e na acção. É que o latifundiário D. Albuquerque Salcedo, bem comido e bem bebido, em súcia com amigos e outras gentes de Lisboa, mandara chamar o ganhão Jaime da Manta Branca, poeta popular afamado, para o divertir a ele e aos amigos. Jaime pensou desde logo em dizer umas décimas que dessem voz aqueles que são explorados no dia a dia para sustentar a ostentação e riqueza de alguns. Disse então as bem conhecidas décimas sujeitas ao mote:
Não vejo senão canalha
De banquete p’ara banquete,
Quem produz e quem trabalha
Come açordas sem “azête".
Em tom narrativo, semeado aqui e além de diálogos entre personagens, o autor utiliza uma linguagem fotográfica, rigorosa e certeira, rica no regionalismo do seu vocabulário e que incorpora na sua textura, património da tradição oral, tal como adágios, quadras e décimas que são postas na boca de alguns personagens, servos da gleba, como o ganhão-poeta Jaime da Manta Branca, com elevada consciência de classe, que se levantou do chão quando disse o que disse.
Através da narração, José Movilha revela-se profundo conhecedor da História e dos usos e costumes do Alentejo, bem como das práticas agro-pastoris cujo registo faz no seu livro. Estas, tal como as relações de produção entre senhores da terra e servos da gleba, eram ainda no Alentejo nos anos sessenta do séc XX, as mesmas que as descritas nas “Geórgicas” pelo poeta romano Virgílio, filho de agricultor que viveu entre os anos 70 e 19 antes de Cristo.
Com este seu romance, José Movilha, assentou arraiais na praça das Letras Lusitanas, o que muito nos congratula e nos honra, por ser um escritor alentejano e estremocense que resistiu e lutou com as armas da razão, com o verbo fácil, mas certeiro, tal como a poesia do poeta-ganhão Jaime da Manta Branca.
Através deste seu romance com R grande, José Movilha revela-se o repórter duma época de luta pelo trabalho, pela paz, pela liberdade, pela habitação, pela educação, o que só foi conseguido com “As portas que Abril abriu” e que se estão de novo a fechar.
O livro “Escrito na cal” vale por si, graças ao mérito de josé Movilha. Todavia, ele fortalece-se fruto da consonância daqueles que sentem o mesmo pulsar do Universo.
O Jaime da Manta Branca, o Chico, o Leonardo, o dr. Guido, o Cacheirinha ou o Arrobas, personagens reais da Vila de Gadanha, não têm uma caracterização inferior à das personagens saramaguianas. Sou levado a dizer ao autor:
- Companheiro! Tu não precisas de marketing, nem de Fundação. Tu falas com a força das braguilhas dum povo que desde sempre tem feito para se levantar do chão. À laia de Fernão Lopes e com cronistas como tu, oh meu cronista alentejano da diáspora de Santa Iria da Azóia, havemos de consegui-lo.
Que “Escrito na cal” seja o primeiro de muitos outros romances onde se historie e exalte a luta do Homem por um mundo melhor, mais livre, mais justo, mais solidário e mais fraterno.
No decurso da apresentação de “Escrito na cal” foi entregue ao seu autor, José Movilha, um boneco de Estremoz, criado pelas Irmãs Flores e que é uma alegoria no barro ao seu romance. Tratou-se dum testemunho dos estremocenses como preito de reconhecimento pelo seu trabalho, que muito nos honra. O boneco representa o ganhão Chico a escrever na cal a palavra LIBERDADE, exigindo a libertação do ganhão-poeta Jaime da Manta Branca.
E como a Vila de Gadanha nos prende com os seus encantos, na sequência de apresentação do livro de José Movilha, trinta e seis convivas foram presos até ao restaurante “Cadeia Quinhentista”, onde apreciaram os saberes e os sabores da gastronomia alentejana, que ali se podem usufruir duma maneira ímpar. Daqui felicitamos vivamente o Senhor João Simões e toda a sua equipa, pela qualidade do serviço prestado, o qual deve ser realçado. Depois de uma bela manhã literária, a gastronomia da “Cadeia Quinhentista” foi “ouro sobre azul”. Dali fomos até ao Museu Municipal, numa visita guiada destinada a reforçar a nossa identidade cultural e que foi excelentemente conduzida por uma funcionária de serviço. Ficou-nos a vontade de voltar mais e mais vezes, para conhecermos mais em profundidade, aquilo que nos toca o fundo da nossa alma alentejana: bonecos de Estremoz, olaria, arte pastoril, etc., etc.
Um aspecto da assistência.
(Fotografia de Luís Figueiredo)
Outro aspecto da assistência.
(Fotografia de Luís Figueiredo)
José Movilha ao receber uma alegoria ao seu romance, perpetuada
nos bonecos de Estremoz, pelas barristas Irmãs Flores.
(Fotografia de Luís Figueiredo)
Escrito na cal - Boneco de Estremoz, criado pelas Irmãs Flores.
(Fotografia de Luis Figueiredo)
Escrito na cal - Novo romance de José Movilha
Postado por
Hernâni Matos
|
domingo, 17 de junho de 2012
|
Marcadores:
Alentejo,
Escrito na Cal,
Estremoz,
José Movilha
|
0
comentários
O estremocense José Movilha, lançou ontem o seu novo romance “Escrito na cal”, edição de autor “Monócolo”. O evento teve lugar pelas 16 horas na Casa da Cultura de Santa Iria de Azóia e contou com a presença de muito público, leitores e admiradores de José Movilha. A apresentação esteve a cargo do professor Vítor Viçoso.
Do evento criado pelo autor no Facebook, extraímos o seguinte texto:
Tendo por palco as vicissitudes dos dias que correm, o autor coloca dois jovens da nossa era que forçados a regressar à província, herdando uma velha casa decrépita e uma nesga de terra, mergulham na leitura de um velho manuscrito, herança escrita por um familiar, que conta os acontecimentos das primeiras décadas do século XX, a terrível Guerra Civil de Espanha e as ante-vésperas da Segunda Guerra Mundial. Um Portugal amordaçado pela ditadura, pela fome e pela doença, onde duas gerações partilham o mesmo sonho de liberdade e igualdade. Do revigorar desta leitura o seu lema de luta passa a ser uma das frases emblemáticas que lhes é legada: "Um homem só, é uma semente aprisionada sem medro de se erguer aos palmos do céu, muitas sementes são a força que brada contra o vento e se erguem sem detença num só sentido. Havia de vir um dia que todos percebessem essas sementes..."
O livro de 276 páginas e formato 13,5 x 21 cm , tem capa de de Carina Figueiredo e custa 14 euros, portes incluidos. Quem quiser adquirir o livro deverá contactar o autor, que do livro já tinha falado no seu blogue ATHANOR DE LETRAS.
Daqui enviamos a José Movilha um forte abraço e congratulamo-nos por mais esta sua obra, decerto um êxito editorial.
Hernâni Matos
Um aspecto parcial da assistência durante a apresentação
do livro"Escrito na cal", de José Movilha,
na Casa da Cultura de Santa Iria da Azóia.
O painel de apresentação do livro “Escrito na Cal”. À esquerda
Christelle, da editora Monóculo; o Professor Vítor Viçoso;
Freguesia de Santa Iria de Azóia.
O Professor Vítor Viçoso e o autor José Movilha.
O autor José Movilha dando conta de alguns episódios da narrrativa.
Um aspecto da sala completamente repleta.
Um grupo de senhoras amigas, que fez questão de estar presente.
LEVANTA-TE!
Postado por
Luis Assis
|
|
Marcadores:
Alentejo,
CDS,
CDS-PP,
desemprego,
Estremoz,
negócio
|
0
comentários
Imagem recolhida de Portugal Start-Up
Deu muito que falar a expressão utilizada pelo Primeiro-Ministro a propósito da situação dos desempregados, vindo logo a esquerda, num coro de protestos, fazer a pseudodefesa destes, aproveitando para fazer política barata com a perversão do significado da mesma.
Não está aqui em causa, nem o coloco, a dignidade das pessoas nem a situação humana em que se encontram, que é, de facto, complicada de gerir a todos os níveis, mas tal facto não deve ser levado ao extremo como o fez a esquerda e grande parte da comunicação social.
A questão que se coloca e aquilo que o Primeiro-Ministro disse é que as pessoas devem reagir e procurar activamente uma solução para o problema, quer na procura de emprego, quer na criação de emprego próprio, com o recebimento, por inteiro do valor do subsídio de desemprego. Estes são apenas dois exemplos.
Todos sabemos que é uma característica muito portuguesa este lastimar da situação em que estão, ficando à espera que alguém lhes resolva o problema, não percebendo ou não querendo perceber que são as próprias pessoas que têm que resolver as questões que lhes dizem respeito.
Este fado muito português de ficar à espera que o Estado aja como se fosse pai é uma mentalidade muito arreigada entre nós, que tem que mudar, para que possamos encarar a vida de outra forma e procurar soluções para nós próprios de forma independente.
Mas muitas dessas pessoas nunca se lembraram de pensar que há muitas que se empregaram no desemprego e no RSI, retirando possibilidades a quem delas realmente precisa, retirando capacidade financeira ao Estado para poder socorrer quem, de facto, precisa.
Esta é uma luta que tem que ser simultânea, pois é uma situação que consome rios de dinheiro que podia e devia ser atribuído a quem realmente precisa, em vez de servir para empregar pessoas no desemprego e no RSI.
A questão fundamental é a escolha que as pessoas fazem na forma como reagem às situações, se o fazem pela positiva ou pela negativa, isto é, se em face de uma situação extrema e adversa, como é o desemprego, decidem reagir positivamente, procurando soluções ou negativamente, sentando-se à espera que alguém lhes resolva o problema.
Depende dessa escolha a capacidade de reação do país, para alterar as circunstâncias em que vivemos e batalharmos pela criação de riqueza, produtividade e competitividade do país, que é, afinal, a nossa própria capacidade.
Em vez de tratarmos as pessoas como coitadinhas e desgraçadas, devemos incutir-lhes confiança e perseverança para vencer os desafios que vão sendo colocados ao longo da vida, porque é deles que nasce a nossa força e capacidade de realização pessoal e profissional.
As pessoas têm que cortar o cordão umbilical com o Estado e deixarem de ser dele dependentes, porque só assim teremos uma sociedade civil forte e independente, para que situações idênticas àquelas em que vivemos não se tornem a repetir.
Conheço casos concretos de pessoas que criaram os seus negócios, em plena crise, sem ficar à espera que o Estado lhes resolva a sua vida, e continuam a ter bons resultados, o que significa que quando vamos à luta, por nós próprios e acreditamos na nossa capacidade, conseguimos alcançar os objectivos a que nos propusemos.
Que futuro para a Europa?
O
período que vivemos, de uma transição profunda de paradigma, profundamente
agarrado a um passado que parece não ser possível de continuar no presente e
muito menos, para já, atirar para o futuro, ganhou alento com as eleições
francesas e com a vitória de Hollande. Mas a sua eleição, assim como o novo
acto eleitoral grego, não garante uma mudança
rápida do posicionamento dos “donos” do projecto europeu.
A Europa, hoje profundamente abalada, deixou cair uma visão de modernização, progresso e desenvolvimento, assentando o seu ritmo diário na instabilidade, na imprevisibilidade, ou não, dos ditos mercados e naquilo que devia ser um grande pilar, uma sociedade mais solidária.
Estas mudanças, que levaram a que não mais se falasse nos centos de decisão europeus em desenvolvimento sustentável, por exemplo, assim como em outros assuntos que definem o nosso futuro comum, obrigam-nos a questionar aquilo que à meia dúzia de anos eram certezas inabaláveis. Obriga a olhar o presente e o futuro, como momento de alteração mas também de esperança em soluções inteligentes e mais promissoras para a Europa.
Redefinir dinâmicas, até mesmo territoriais, e não somente económicas ou financeiras, com propostas de soluções para o tempo que atravessamos carece de inteligência, mas acima de tudo de vontade política. É essa vontade que a Europa tem de decidir se quer ou não ter, porque caso o não queira, esse será um projecto falhado num muito curto espaço de tempo.
A Europa, hoje profundamente abalada, deixou cair uma visão de modernização, progresso e desenvolvimento, assentando o seu ritmo diário na instabilidade, na imprevisibilidade, ou não, dos ditos mercados e naquilo que devia ser um grande pilar, uma sociedade mais solidária.
Estas mudanças, que levaram a que não mais se falasse nos centos de decisão europeus em desenvolvimento sustentável, por exemplo, assim como em outros assuntos que definem o nosso futuro comum, obrigam-nos a questionar aquilo que à meia dúzia de anos eram certezas inabaláveis. Obriga a olhar o presente e o futuro, como momento de alteração mas também de esperança em soluções inteligentes e mais promissoras para a Europa.
Redefinir dinâmicas, até mesmo territoriais, e não somente económicas ou financeiras, com propostas de soluções para o tempo que atravessamos carece de inteligência, mas acima de tudo de vontade política. É essa vontade que a Europa tem de decidir se quer ou não ter, porque caso o não queira, esse será um projecto falhado num muito curto espaço de tempo.
ENCONTRO, ALMOÇO e CONVÍVIO de Antigos Alunos das Escolas de Estremoz
Postado por
JOSE CAPITAO PARDAL
|
sábado, 12 de maio de 2012
|
Marcadores:
26/05/2012,
Almoço,
alunos,
antigos,
convívio,
Encontro,
escolas,
Estremoz
|
0
comentários
É já a 26/05/2012 que se realiza o Encontro, Almoço e Convívio dos Antigos Alunos das Escolas de Estremoz
Contactos:
Inscrições para o Encontro-Almoço-Convívio dos Antigos Alunos das Escolas de Estremoz.
Manuel Gato
Tel. 967008000
Email: manuel-gato@sapo.pt
Leonel Painho
Tel. 925484572
Email: leonelpainho@hotmail.com
José Capitão Pardal
Email : jose.f.pardal@netvisao.pt
João Margalho
Tel. 962036642
José Albano
Tel. 962570803
Está na hora de concretizar.
Até dia 21/5/2012
Não deixem para a última hora.
José Capitão Pardal
Contactos:
Inscrições para o Encontro-Almoço-Convívio dos Antigos Alunos das Escolas de Estremoz.
Manuel Gato
Tel. 967008000
Email: manuel-gato@sapo.pt
Leonel Painho
Tel. 925484572
Email: leonelpainho@hotmail.com
José Capitão Pardal
Email : jose.f.pardal@netvisao.pt
João Margalho
Tel. 962036642
José Albano
Tel. 962570803
Está na hora de concretizar.
Até dia 21/5/2012
Não deixem para a última hora.
José Capitão Pardal
Subscrever:
Mensagens (Atom)












