Escrito na cal - Novo romance de José Movilha
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Hernâni Matos
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domingo, 17 de junho de 2012
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O estremocense José Movilha, lançou ontem o seu novo romance “Escrito na cal”, edição de autor “Monócolo”. O evento teve lugar pelas 16 horas na Casa da Cultura de Santa Iria de Azóia e contou com a presença de muito público, leitores e admiradores de José Movilha. A apresentação esteve a cargo do professor Vítor Viçoso.
Do evento criado pelo autor no Facebook, extraímos o seguinte texto:
Tendo por palco as vicissitudes dos dias que correm, o autor coloca dois jovens da nossa era que forçados a regressar à província, herdando uma velha casa decrépita e uma nesga de terra, mergulham na leitura de um velho manuscrito, herança escrita por um familiar, que conta os acontecimentos das primeiras décadas do século XX, a terrível Guerra Civil de Espanha e as ante-vésperas da Segunda Guerra Mundial. Um Portugal amordaçado pela ditadura, pela fome e pela doença, onde duas gerações partilham o mesmo sonho de liberdade e igualdade. Do revigorar desta leitura o seu lema de luta passa a ser uma das frases emblemáticas que lhes é legada: "Um homem só, é uma semente aprisionada sem medro de se erguer aos palmos do céu, muitas sementes são a força que brada contra o vento e se erguem sem detença num só sentido. Havia de vir um dia que todos percebessem essas sementes..."
O livro de 276 páginas e formato 13,5 x 21 cm , tem capa de de Carina Figueiredo e custa 14 euros, portes incluidos. Quem quiser adquirir o livro deverá contactar o autor, que do livro já tinha falado no seu blogue ATHANOR DE LETRAS.
Daqui enviamos a José Movilha um forte abraço e congratulamo-nos por mais esta sua obra, decerto um êxito editorial.
Hernâni Matos
Um aspecto parcial da assistência durante a apresentação
do livro"Escrito na cal", de José Movilha,
na Casa da Cultura de Santa Iria da Azóia.
O painel de apresentação do livro “Escrito na Cal”. À esquerda
Christelle, da editora Monóculo; o Professor Vítor Viçoso;
Freguesia de Santa Iria de Azóia.
O Professor Vítor Viçoso e o autor José Movilha.
O autor José Movilha dando conta de alguns episódios da narrrativa.
Um aspecto da sala completamente repleta.
Um grupo de senhoras amigas, que fez questão de estar presente.
LEVANTA-TE!
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Luis Assis
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Imagem recolhida de Portugal Start-Up
Deu muito que falar a expressão utilizada pelo Primeiro-Ministro a propósito da situação dos desempregados, vindo logo a esquerda, num coro de protestos, fazer a pseudodefesa destes, aproveitando para fazer política barata com a perversão do significado da mesma.
Não está aqui em causa, nem o coloco, a dignidade das pessoas nem a situação humana em que se encontram, que é, de facto, complicada de gerir a todos os níveis, mas tal facto não deve ser levado ao extremo como o fez a esquerda e grande parte da comunicação social.
A questão que se coloca e aquilo que o Primeiro-Ministro disse é que as pessoas devem reagir e procurar activamente uma solução para o problema, quer na procura de emprego, quer na criação de emprego próprio, com o recebimento, por inteiro do valor do subsídio de desemprego. Estes são apenas dois exemplos.
Todos sabemos que é uma característica muito portuguesa este lastimar da situação em que estão, ficando à espera que alguém lhes resolva o problema, não percebendo ou não querendo perceber que são as próprias pessoas que têm que resolver as questões que lhes dizem respeito.
Este fado muito português de ficar à espera que o Estado aja como se fosse pai é uma mentalidade muito arreigada entre nós, que tem que mudar, para que possamos encarar a vida de outra forma e procurar soluções para nós próprios de forma independente.
Mas muitas dessas pessoas nunca se lembraram de pensar que há muitas que se empregaram no desemprego e no RSI, retirando possibilidades a quem delas realmente precisa, retirando capacidade financeira ao Estado para poder socorrer quem, de facto, precisa.
Esta é uma luta que tem que ser simultânea, pois é uma situação que consome rios de dinheiro que podia e devia ser atribuído a quem realmente precisa, em vez de servir para empregar pessoas no desemprego e no RSI.
A questão fundamental é a escolha que as pessoas fazem na forma como reagem às situações, se o fazem pela positiva ou pela negativa, isto é, se em face de uma situação extrema e adversa, como é o desemprego, decidem reagir positivamente, procurando soluções ou negativamente, sentando-se à espera que alguém lhes resolva o problema.
Depende dessa escolha a capacidade de reação do país, para alterar as circunstâncias em que vivemos e batalharmos pela criação de riqueza, produtividade e competitividade do país, que é, afinal, a nossa própria capacidade.
Em vez de tratarmos as pessoas como coitadinhas e desgraçadas, devemos incutir-lhes confiança e perseverança para vencer os desafios que vão sendo colocados ao longo da vida, porque é deles que nasce a nossa força e capacidade de realização pessoal e profissional.
As pessoas têm que cortar o cordão umbilical com o Estado e deixarem de ser dele dependentes, porque só assim teremos uma sociedade civil forte e independente, para que situações idênticas àquelas em que vivemos não se tornem a repetir.
Conheço casos concretos de pessoas que criaram os seus negócios, em plena crise, sem ficar à espera que o Estado lhes resolva a sua vida, e continuam a ter bons resultados, o que significa que quando vamos à luta, por nós próprios e acreditamos na nossa capacidade, conseguimos alcançar os objectivos a que nos propusemos.
Que futuro para a Europa?
O
período que vivemos, de uma transição profunda de paradigma, profundamente
agarrado a um passado que parece não ser possível de continuar no presente e
muito menos, para já, atirar para o futuro, ganhou alento com as eleições
francesas e com a vitória de Hollande. Mas a sua eleição, assim como o novo
acto eleitoral grego, não garante uma mudança
rápida do posicionamento dos “donos” do projecto europeu.
A Europa, hoje profundamente abalada, deixou cair uma visão de modernização, progresso e desenvolvimento, assentando o seu ritmo diário na instabilidade, na imprevisibilidade, ou não, dos ditos mercados e naquilo que devia ser um grande pilar, uma sociedade mais solidária.
Estas mudanças, que levaram a que não mais se falasse nos centos de decisão europeus em desenvolvimento sustentável, por exemplo, assim como em outros assuntos que definem o nosso futuro comum, obrigam-nos a questionar aquilo que à meia dúzia de anos eram certezas inabaláveis. Obriga a olhar o presente e o futuro, como momento de alteração mas também de esperança em soluções inteligentes e mais promissoras para a Europa.
Redefinir dinâmicas, até mesmo territoriais, e não somente económicas ou financeiras, com propostas de soluções para o tempo que atravessamos carece de inteligência, mas acima de tudo de vontade política. É essa vontade que a Europa tem de decidir se quer ou não ter, porque caso o não queira, esse será um projecto falhado num muito curto espaço de tempo.
A Europa, hoje profundamente abalada, deixou cair uma visão de modernização, progresso e desenvolvimento, assentando o seu ritmo diário na instabilidade, na imprevisibilidade, ou não, dos ditos mercados e naquilo que devia ser um grande pilar, uma sociedade mais solidária.
Estas mudanças, que levaram a que não mais se falasse nos centos de decisão europeus em desenvolvimento sustentável, por exemplo, assim como em outros assuntos que definem o nosso futuro comum, obrigam-nos a questionar aquilo que à meia dúzia de anos eram certezas inabaláveis. Obriga a olhar o presente e o futuro, como momento de alteração mas também de esperança em soluções inteligentes e mais promissoras para a Europa.
Redefinir dinâmicas, até mesmo territoriais, e não somente económicas ou financeiras, com propostas de soluções para o tempo que atravessamos carece de inteligência, mas acima de tudo de vontade política. É essa vontade que a Europa tem de decidir se quer ou não ter, porque caso o não queira, esse será um projecto falhado num muito curto espaço de tempo.
ENCONTRO, ALMOÇO e CONVÍVIO de Antigos Alunos das Escolas de Estremoz
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JOSE CAPITAO PARDAL
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sábado, 12 de maio de 2012
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É já a 26/05/2012 que se realiza o Encontro, Almoço e Convívio dos Antigos Alunos das Escolas de Estremoz
Contactos:
Inscrições para o Encontro-Almoço-Convívio dos Antigos Alunos das Escolas de Estremoz.
Manuel Gato
Tel. 967008000
Email: manuel-gato@sapo.pt
Leonel Painho
Tel. 925484572
Email: leonelpainho@hotmail.com
José Capitão Pardal
Email : jose.f.pardal@netvisao.pt
João Margalho
Tel. 962036642
José Albano
Tel. 962570803
Está na hora de concretizar.
Até dia 21/5/2012
Não deixem para a última hora.
José Capitão Pardal
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Leonel Painho
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José Capitão Pardal
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Está na hora de concretizar.
Até dia 21/5/2012
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José Capitão Pardal
As Freguesias
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Pedro Nunes da Silva
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segunda-feira, 9 de abril de 2012
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Pedro Nunes da Silva
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Freguesias actuais do concelho de Estremoz
É a democracia que temos … ou nos permitem
O
OÀ conta da “necessidade” de “equilibrar” as contas do país, o governo tem assumido o papel de reformador implacável – estava-lhe destinado.
Agora é que Portugal se vai modernizar, tornando-se mais competitivo nos mercados. Será?
No rol de reformas que se pretendem implementar, conta-se a da administração local, a começar pelas freguesias.
Para isso o governo já tomou algumas iniciativas: primeiro foi o “Documento Verde…” (Setembro de 2011); mais recentemente, a Proposta de Lei nº. 44/XII (Fevereiro de 2012).
Em relação ao primeiro daqueles documentos os deputados municipais de Estremoz já assumiram posições: na Assembleia Municipal de 16.12.2011foram aprovadas duas moções, respectivamente da iniciativa do PS, uma, e da CDU, outra, contra a extinção (fusão, integração, agrupamento, aglomeração – a terminologia é fértil) de freguesias, sem ser com o acordo manifesto e iniciativa das populações.
Na Assembleia Municipal de 27.1.2012, convocada extraordinariamente o MiETZ assumiu “… que a existência das freguesias, em especial das freguesias rurais, se revela de extrema importância na disponibilização de serviços de proximidade às populações garantindo uma maior eficácia na detecção dos seus problemas e das suas necessidades, contrariando desta forma a tendência de despovoamento das áreas rurais.”Quanto à Proposta de Lei, na última Assembleia Municipal, reunida em 24.2.2012, o grupo de deputados da CDU propôs uma declaração em que propunha que aquela manifestasse “… o seu mais profundo repúdio pela forma como, na Proposta de Lei nº. 44/XII, se pretende condicionar as deliberações das Assembleias Municipais no que respeita à reorganização administrativa do território das freguesias, conforme decorre do artigo 9º-5.”Esta declaração foi aprovada com os votos: a favor – CDU (5), PS (7); contra – PSD (7, dos quais dois são presidentes de junta), MiETZ (3, sendo um presidente de junta); abstenção – MiETZ (9), Juntos por Glória (1), Movimento Independente Pelos Arcos (1) – estes dois últimos são presidentes de junta.
Para se perceber o sentido desta votação, é conveniente atendermo-nos sobre a Proposta de Lei.
No artigo 5º, “Parâmetros de agregação”, alínea C) é explicitado o seguinte: “Nos municípios de nível 3 (no qual Estremoz se inclui), redução, no mínimo, de 50% do número de freguesias cujo território se situe, total ou parcialmente no mesmo lugar urbano ou em lugares urbanos sucessivamente contíguos e de 25% do número das outras freguesias.”Quer dizer, na cidade de Estremoz, onde existem duas freguesias urbanas – Santo André e Santa Maria – passaria a haver apenas uma. Quanto às restantes freguesias, todas consideradas rurais, das onze existentes, passariam a nove.
Como é que processa esta redução de freguesias, segundo a Proposta de Lei?
Através da “Assembleia Municipal, após consulta ou proposta da câmara municipal, delibera sobre a reorganização administrativa do território das freguesias (…).”Depois de deliberar – “pronúncia da assembleia municipal” – sobre a reorganização / redução das freguesias, a mesma deve ser entregue à Assembleia da República. Como prémio de “bom comportamento” – onde já se ouviu isto – e de “consolação” as freguesias agregadas beneficiam de um aumento de 15% DO Fundo de Financiamento das Freguesias (FFF) durante o primeiro mandato (quatro anos) após a agregação.
E se a assembleia municipal se pronunciar contra a agregação, como parece / poderá parecer ser o caso da maioria dos deputados municipais de Estremoz, pelo menos tendo em consideração as posições já anteriormente assumidas?
Faz-se à mesma a agregação, pelo menos é essa a intenção expressa na Proposta de Lei, com a penalização de não beneficiarem do aumento de 15% de FFF, o tal artigo 9º-5. Trata-se, efectivamente, de impor uma reforma da administração local, mesmo que seja contra a vontade das populações.
E assim se criam os “consensos democráticos”, com os “legítimos representantes das populações”, nem que seja à força.
Por isso é que a votação da declaração aprovada na Assembleia Municipal de 24.2.2012 assume particular importância: o repúdio por processos que nos fazem lembrar, em muito, os utilizados pelo antigo regime, que por sinal se queria novo (o Estado Novo), por um lado; a diversidade de posições expressas, que traduz, nalguns casos, não tanto a liberdade de voto, mas o receio de represálias futuras – porque considerando que a redução do número de freguesias é inevitável, pelo menos que não se seja penalizado e se beneficie de um bónus (participação de 15% no FFF) – por outro.
E assim, a democracia é capturado pelo poder. A seguir lamenta-se a falta de proximidade entre eleitos e eleitores … Poderá ser de outra forma?
Freguesias: porquê?
O
O
OÀ conta da “necessidade” de “equilibrar” as contas do país, o governo tem assumido o papel de reformador implacável – estava-lhe destinado.
Agora é que Portugal se vai modernizar, tornando-se mais competitivo nos mercados. Será?
No rol de reformas que se pretendem implementar, conta-se a da administração local, a começar pelas freguesias.
Para isso o governo já tomou algumas iniciativas: primeiro foi o “Documento Verde…” (Setembro de 2011); mais recentemente, a Proposta de Lei nº. 44/XII (Fevereiro de 2012).
Em relação ao primeiro daqueles documentos os deputados municipais de Estremoz já assumiram posições: na Assembleia Municipal de 16.12.2011foram aprovadas duas moções, respectivamente da iniciativa do PS, uma, e da CDU, outra, contra a extinção (fusão, integração, agrupamento, aglomeração – a terminologia é fértil) de freguesias, sem ser com o acordo manifesto e iniciativa das populações.
Na Assembleia Municipal de 27.1.2012, convocada extraordinariamente o MiETZ assumiu “… que a existência das freguesias, em especial das freguesias rurais, se revela de extrema importância na disponibilização de serviços de proximidade às populações garantindo uma maior eficácia na detecção dos seus problemas e das suas necessidades, contrariando desta forma a tendência de despovoamento das áreas rurais.”Quanto à Proposta de Lei, na última Assembleia Municipal, reunida em 24.2.2012, o grupo de deputados da CDU propôs uma declaração em que propunha que aquela manifestasse “… o seu mais profundo repúdio pela forma como, na Proposta de Lei nº. 44/XII, se pretende condicionar as deliberações das Assembleias Municipais no que respeita à reorganização administrativa do território das freguesias, conforme decorre do artigo 9º-5.”Esta declaração foi aprovada com os votos: a favor – CDU (5), PS (7); contra – PSD (7, dos quais dois são presidentes de junta), MiETZ (3, sendo um presidente de junta); abstenção – MiETZ (9), Juntos por Glória (1), Movimento Independente Pelos Arcos (1) – estes dois últimos são presidentes de junta.
Para se perceber o sentido desta votação, é conveniente atendermo-nos sobre a Proposta de Lei.
No artigo 5º, “Parâmetros de agregação”, alínea C) é explicitado o seguinte: “Nos municípios de nível 3 (no qual Estremoz se inclui), redução, no mínimo, de 50% do número de freguesias cujo território se situe, total ou parcialmente no mesmo lugar urbano ou em lugares urbanos sucessivamente contíguos e de 25% do número das outras freguesias.”Quer dizer, na cidade de Estremoz, onde existem duas freguesias urbanas – Santo André e Santa Maria – passaria a haver apenas uma. Quanto às restantes freguesias, todas consideradas rurais, das onze existentes, passariam a nove.
Como é que processa esta redução de freguesias, segundo a Proposta de Lei?
Através da “Assembleia Municipal, após consulta ou proposta da câmara municipal, delibera sobre a reorganização administrativa do território das freguesias (…).”Depois de deliberar – “pronúncia da assembleia municipal” – sobre a reorganização / redução das freguesias, a mesma deve ser entregue à Assembleia da República. Como prémio de “bom comportamento” – onde já se ouviu isto – e de “consolação” as freguesias agregadas beneficiam de um aumento de 15% DO Fundo de Financiamento das Freguesias (FFF) durante o primeiro mandato (quatro anos) após a agregação.
E se a assembleia municipal se pronunciar contra a agregação, como parece / poderá parecer ser o caso da maioria dos deputados municipais de Estremoz, pelo menos tendo em consideração as posições já anteriormente assumidas?
Faz-se à mesma a agregação, pelo menos é essa a intenção expressa na Proposta de Lei, com a penalização de não beneficiarem do aumento de 15% de FFF, o tal artigo 9º-5. Trata-se, efectivamente, de impor uma reforma da administração local, mesmo que seja contra a vontade das populações.
E assim se criam os “consensos democráticos”, com os “legítimos representantes das populações”, nem que seja à força.
Por isso é que a votação da declaração aprovada na Assembleia Municipal de 24.2.2012 assume particular importância: o repúdio por processos que nos fazem lembrar, em muito, os utilizados pelo antigo regime, que por sinal se queria novo (o Estado Novo), por um lado; a diversidade de posições expressas, que traduz, nalguns casos, não tanto a liberdade de voto, mas o receio de represálias futuras – porque considerando que a redução do número de freguesias é inevitável, pelo menos que não se seja penalizado e se beneficie de um bónus (participação de 15% no FFF) – por outro.
E assim, a democracia é capturado pelo poder. A seguir lamenta-se a falta de proximidade entre eleitos e eleitores … Poderá ser de outra forma?
Freguesias: porquê?
O
Nos últimos tempos, tem-se falado muito das freguesias, embora com opiniões diversas – seja por pluralismo de opiniões, seja por desconhecimento.
Mas, sobre as freguesias, que constitui uma realidade que, naturalmente, a tróica não conhece (só existem em Portugal), e que são agora objecto de reforma, parece-nos ser um assunto demasiado importante do ponto de vista do nosso futuro colectivo, para ser resolvido segundo parâmetros que, na situação presente, pouco ou nada têm a ver com a génese das freguesias e a ocupação do território.
Vejamos: as freguesias, como unidade mínima administrativa, surge em meados do século XIX, com a reforma administrativa do liberalismo. Até aí, a unidade mínima administrativa eram os concelhos.
Ao contrário do resto da Europa, os concelhos em Portugal tinham uma dimensão muito reduzida.
Ora, para o regime liberal se consolidar, era necessário desmantelar a estrutura de poder do Antigo Regime (o Absolutismo).
Se noutros países europeus, onde os municípios abrangiam áreas geográficas bastante amplas, se procedeu à sua segmentação, em Portugal aconteceu precisamente o inverso: os municípios foram agrupados, tendo alguns sido extintos – foi o caso, em Estremoz, dos municípios de Veiros e Evoramonte.
Porque os municípios passaram a ter uma dimensão muito superior àquela que detinham anteriormente, houve que, para assegurar a eficaz gestão do território, criar uma divisão administrativa abaixo do município.
Mas, que unidade? Baseada em quê?
Desde a sua fundação, Portugal era uma nação católica, não apenas porque a igreja tratava das almas dos seus habitantes, mas porque tinha poder e tratava de coisas mais terrenas, incluindo administrativas. Organizada em paróquias, a igreja estava bem implantada no território nacional – não deixa de ser curioso que, depois do Terramoto de 1755 o poder central recorra aos párocos para, através de inquérito (1758), saber das consequências que o mesmo teve no território nacional.
Mas, se recuarmos mais no tempo, até finais do século XIV, princípios do século XV, verificamos, nomeadamente aqui no Alentejo, à fundação de inúmeras igrejas espalhadas pelo campo.
A que se deve este facto?
Entre as várias guerras com Castela, 1369 / 1397 (incluindo-se aqui a Guerra da Independência – 1383 / 1385) no século XIV, e 1438, século XV, vive-se um período de relativa pacificação, que terá sido aproveitado para aumentar a produção agrícola e, em particular, a produção cerealífera. Aliás, a partir de 1400 e 1420 assiste-se a um significativo surto de arroteamento – desbravamento de terras para incentivar a cultura de cerais panificáveis.
Mas, para promover a transformação da terra, aumentando a área cultivável, era necessária mão-de-obra, e esta era escassa, sobretudo nos campos do sul. Havia, por isso, de desenvolver um certo esforço colonizador do território, ou seja, de distribuição e fixação das pessoas à terra.
Várias foram as medidas tomadas no sentido deste esforço colonizador, entre as quais a fundação de igrejas, sede de paróquias, unidade religiosa, mas também de enquadramento dos camponeses fixados num determinado território, reforçando redes de sociabilidade local.
São estas paróquias que se vão desenvolvendo ao longo de séculos que, na reforma administrativa do século XIX, são transpostas para a administração civil, constituindo as freguesias, que hoje perduram.
Assim, representando as freguesias um património histórico, social e cultural com séculos de existência, não podemos deixar, perante a reforma administrativa que o actual governo pretende implementar à força, de cima para baixo, de nos surpreender pela ligeireza com que o faz.
Por outro lado, mais valia que aprendessem um pouco com os nossos antepassados que, quando tiveram necessidade de colonizar o território criaram paróquias, que mais tarde estão na origem das actuais freguesias. Se hoje já se verifica problemas demográficos em muitas das freguesias rurais da nossa região, certo é que a extinção / aglomeração de parte destas irá acelerar ainda mais a desertificação das mesmas.
Será este o desenvolvimento que pretendemos para a nossa região e concelho?
RIO+20
Em 2012 vai acontecer, no Rio de Janeiro, no mês de Junho, uma nova Conferência da ONU a que foi dado o nome de “Rio+20”. Esta conferência marca os 20 anos sobre a Conferência de 1992, também conhecida por Cimeira da Terra, e que se debruçou pela primeira vez sobre o desenvolvimento sustentável. Tal como há 20 anos, a conferência “Rio+20” irá abordar os problemas ambientais que enfrentamos e as novas dimensões da injustiça social que eles trazem.
É verdade que nos últimos tempos a crise financeira da Europa tem sido o palco de todas as discussões e de todas as análises, eclipsando para o comum mortal a realização da referida cimeira e a importância daqueles temas e de como eles condicionam a nossa evolução e o combate á pobreza. Antes da crise, é verdade que muito se refletiu sobre os problemas ambientais, mas que hoje os diferentes meios de comunicação parecem ter deixado de lado, não percebendo que são também eles parte da origem da crise.
Temas que condicionam o futuro como as alterações climáticas, o acesso à água, a qualidade e a quantidade dos alimentos disponíveis, a justiça ambiental, etc. estarão em discussão até lá e na própria conferência, mas que em Portugal parecem ter estado arredados da discussão.
Em 1992 a Cimeira da Terra alertou para o perigo que a vida corria se o mito do crescimento económico infinito continuasse a dominar as teorias e práticas da política económica, assim como o problema do consumismo descontrolado e irresponsável. Concluiu-se que os ciclos de reposição de recursos naturais estavam a ser destruídos, sendo que umas das consequências seria a alteração do clima, que afetaria de forma ainda mais marcante os mais pobres, ampliando as injustiças sociais.
Quando países como o EUA, um dos maiores poluidores mundiais, se recusam a assumir o compromisso de redução de emissões que produzem aquecimento global, e a ONU não tem força para que assim não seja, parece-me que está tudo dito e leva ao descrédito daquilo que deveria ser a principal preocupação de todos, a de manter o planeta em estado de equilíbrio.
Daí que a próxima conferência seja de enorme importância, e onde inovações na abordagem ambiental vão ser discutidas, resumindo-se ao conceito de economia verde, qual é a posição de Portugal na Conferência “Rio+20” sobre estes temas? Para já não sabemos, porque a discussão, se tem existido, tem ficado presa nas salas dos especialistas, não chegando à base da pirâmide e ao cidadão “mais comum”. O País deveria ter uma estratégia coletiva, resultado de uma ampla
discussão em torno da temática e não somente a posição de uns quantos especialistas, que os representantes governativos assumirão em função daquilo que se prevê seja o quadro financeiro e económico do País, e não de um verdadeiro desenvolvimento sustentável e da minimização das injustiças sociais.
É verdade que nos últimos tempos a crise financeira da Europa tem sido o palco de todas as discussões e de todas as análises, eclipsando para o comum mortal a realização da referida cimeira e a importância daqueles temas e de como eles condicionam a nossa evolução e o combate á pobreza. Antes da crise, é verdade que muito se refletiu sobre os problemas ambientais, mas que hoje os diferentes meios de comunicação parecem ter deixado de lado, não percebendo que são também eles parte da origem da crise.
Temas que condicionam o futuro como as alterações climáticas, o acesso à água, a qualidade e a quantidade dos alimentos disponíveis, a justiça ambiental, etc. estarão em discussão até lá e na própria conferência, mas que em Portugal parecem ter estado arredados da discussão.
Em 1992 a Cimeira da Terra alertou para o perigo que a vida corria se o mito do crescimento económico infinito continuasse a dominar as teorias e práticas da política económica, assim como o problema do consumismo descontrolado e irresponsável. Concluiu-se que os ciclos de reposição de recursos naturais estavam a ser destruídos, sendo que umas das consequências seria a alteração do clima, que afetaria de forma ainda mais marcante os mais pobres, ampliando as injustiças sociais.
Quando países como o EUA, um dos maiores poluidores mundiais, se recusam a assumir o compromisso de redução de emissões que produzem aquecimento global, e a ONU não tem força para que assim não seja, parece-me que está tudo dito e leva ao descrédito daquilo que deveria ser a principal preocupação de todos, a de manter o planeta em estado de equilíbrio.
Daí que a próxima conferência seja de enorme importância, e onde inovações na abordagem ambiental vão ser discutidas, resumindo-se ao conceito de economia verde, qual é a posição de Portugal na Conferência “Rio+20” sobre estes temas? Para já não sabemos, porque a discussão, se tem existido, tem ficado presa nas salas dos especialistas, não chegando à base da pirâmide e ao cidadão “mais comum”. O País deveria ter uma estratégia coletiva, resultado de uma ampla
discussão em torno da temática e não somente a posição de uns quantos especialistas, que os representantes governativos assumirão em função daquilo que se prevê seja o quadro financeiro e económico do País, e não de um verdadeiro desenvolvimento sustentável e da minimização das injustiças sociais.
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