QUEIXAM-SE DE QUÊ?

Imagem obtida de http://setubalcity.olx.pt

O recente aumento da electricidade gerou uma onda de protestos nas autarquias, o que é demonstrativo de quem não sabe perspectivar o futuro, nem projectar a médio longo prazo a gestão que lhe compete.
Ávidos como estão dos seus projectos para mostrar obra feita e que na maioria não servem para nada, a não ser para sorver dinheiros públicos, na vã glória de se eternizarem para a posteridade e mostrar a sua suposta grandeza, esqueceram-se do essencial.
O essencial é saber prever a médio longo prazo os problemas e lançar os projectos para a sua resolução, para que haja uma gestão ponderada e com bom senso, em prol da sociedade civil e não em prol do próprio poder público.
O aumento da electricidade era mais do que previsível há do que dois anos atrás, mas nada fizeram para prevenir o aumento da despesa com o seu pagamento, quando o deveriam ter feito e lhes era exigido que o fizessem.
Não foi por mero acaso que no programa eleitoral da minha candidatura à dois anos atrás, à Câmara de Estremoz, dediquei toda uma área ao ambiente e às energias renováveis, pois as condições de que Portugal dispõe são óptimas, comparadas com outros países, como os do norte da europa.
Os projectos de implantação de infraestruturas que apresentei permitiriam ganhos em termos de diminuição da despesa pública da ordem dos 40% a 70% na factura da electricidade, com óbvias vantagens ao nível da poluição e do surgimento de novas áreas de emprego.
A instalação de sistemas de climatização, de arrefecimento e aquecimento, dos edifícios públicos por bombas de calor, iria aproveitar as diferenças de temperatura existentes entre o subsolo e a superfície, sem gastos de energia elétrica, permitindo uma diminuição acentuada da despesa.
A instalação de painéis fotovoltaicos em edifícios públicos para produção de energia eléctrica permitira a sua utilização pelo município ou a sua venda à rede elétrica, o que permitira que não se andasse agora a desligar candeeiros da via pública para poupar dinheiro.
O mesmo se diga das centrais de biomassa para produção de electricidade, com a vantagem de aproveitar todos os desperdícios florestais e agrícolas, resolvendo, simultaneamente, o problema das limpezas e desmatação das florestas, com óbvios ganhos na prevenção do combate aos incêndios, para além dos postos de trabalho que criaria com esta actividade.
São investimentos ambientais que ajudam na diminuição da produção de CO2 e na sustentabilidade ambiental das cidades, bem como na diminuição acentuada da despesa pública, que poderia agora ser canalizada para áreas como a do apoio social.
Acresce que, são investimentos que a UE apoia financeiramente e, portanto, grande parte do investimento tem uma componente comunitária.
Nada disto previram ou projectaram, tal é a ânsia de colocar a lápidezinha com o seu nome, pelo que não percebo do que é que agora se queixam, pois só podem queixar-se da sua própria incompetência ou incapacidade de governarem.
Afinal queixam-se de quê?

Estremoz tem mais encanto

Veja aqui um vídeo sobre Estremoz

Ciência na Rua - 2011





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CASA PROCURA-SE



CASA, PROCURA-SE

Ando procurando casa,
Quero mudar este Verão –
A alma já me extravasa:
É pequena esta morada
Para tanto coração.

Vou visitando os olhares,
Em busca de novo abrigo –
Se comigo te cruzares,
Prende-te aos meus vagares
Nesta via que prossigo.

Deixa que na tua pele
Minha alma pouse os lábios –
E que esse beijo tão breve
Pra dentro de ti me leve
E acalme os meus cuidados.

Tua alma é arejada,
Cabem lá as minhas dores?
Vou aí fazer pousada,
Se tudo nela me agrada
E paciente tu fores.

Minha alma às vezes acorda
(E não tem hora nem dia)
A velha dor sempre nova,
E dentro da dor soçobra –
Queres esta companhia?

A de um velho coração
Que anda procurando casa –
Que quer outra habitação,
Com alicerces no chão
E por telhado uma asa?

Mas onde esta dor profunda
Possa caber à vontade –
E encontrar em ti ajuda,
Que a dor dilua e cubra
Da ternura que te invade.

Queres este velho poeta
Que continua menino
E na alma sempre inquieta
A dor do mundo projecta,
E a outra, do seu destino?

Dá-me só a tua mão
Pra que a ternura se acenda –
Teus olhos logo dirão,
Se avanço na instalação –
Depois, discute-se a renda.

Posso pagar-te em poemas?
Um por dia, chegará? –
Só quero que tu entendas
Que melhores pagas ou prendas
Do que as palavras, não há.

Nada mais tenho pra dar-te
Do que esta escrita empenhada –
Com maior ou menor arte,
Contigo tudo reparte
Meu estro em tua morada.

Mas se ninguém me quiser,
Se minha alma é excessiva,
Há sempre casa e mulher
Onde o poema estiver –
Onde ele vive, que eu viva.

António Simões
(do livro a publicar: Poemas Circulares: Moradias e Navegações)

COSÌ FAN TUTTE!


Così Fan tutte foi a ópera levada à cena no Teatro Bernardim Ribeiro, em Estremoz, totalmente produzida no Alentejo pela Contemporeaneus, com sede em Estremoz, numa versão contemporânea de qualidade, tal como a orquestra.
Num teatro com características acústicas únicas, que permitiu que a representação fosse realizada sem recurso aos meios sonoros, o que demonstra a qualidade do teatro, para além de ser dos poucos do interior do país que dispõe de fosso de orquestra.
A sala cheia, totalmente esgotada, demonstrou que existe público para este tipo de espetáculos no interior do país e que, se mais houvesse, mais público teria. É esta uma demonstração plena da vitalidade da sociedade civil do interior, pese embora todos os problemas de desertificação a que temos vindo a assistir ao longo dos anos.
Tive o prazer de assistir a esta ópera e de, mais uma vez, ouvir a música sublime de Mozart, génio inigualável.
Mas esta representação trouxe-me à memória outros não menos grandes espetáculos que ocorreram em Estremoz, realizados e organizados pela ETMOZ, presidida pelo Senhor Eng. José Domingos Morais, os Concursos Internacionais de Canto Tomás Alcaide.
Tomas Alcaide um dos nossos maiores cantores líricos de renome internacional, foi o mote para a organização de um concurso internacional de canto lírico, em Estremoz, sua terra natal, que trouxe a esta cidade uma grande quantidade de cantores internacionais para nele participarem.
Estremoz foi o palco internacional do canto lírico nos dois concursos que se realizaram, projectando-se internacionalmente pela música, tornou-se conhecida por esse facto, para além do júri internacional que presidia ao concurso.
Foram dois grandes momentos altos de cultura em Estremoz, num concurso que durava uma semana, desde os ensaios à final, todos eles realizados no Teatro Bernardim Ribeiro, que, tal como aconteceu nesta ópera, estava totalmente cheio, mesmo durante os ensaios que se realizavam em dias de semana.
Isto é a mais pura demonstração da existência de público para este tipo de eventos, com a presença das mais variadas pessoas e faixas etárias, pelo que não se pode afirmar que sejam espetáculos de elite.
Mas, como acontece em Portugal, tudo o que é bom acaba depressa, quando alguém do poder público sente que pode aproveitar eventos desta natureza, começando a criar situações que levam a um desfecho infeliz, perdendo-se todo um trabalho de enorme valor e de valorização da terra.
Um concurso que teve uma aceitação internacional e nacional de grande relevo, poderia ser hoje, o ponto de encontro do canto lírico a nível internacional, que, para além de projectar Estremoz no mundo, conferia-lhe um inegável valor cultural, ganhando com ele.
Estremoz seria hoje uma referencia do canto lírico, no contexto internacional, ganhando toda a economia local, em todas as suas vertentes, se tivesse sabido preservar a continuidade da realização do Concurso Internacional de Canto Tomás Alcaide.
É caso para dizer: così fan tutte menos Estremoz!

De que lado está este governo?

Face à terrível crise criada pelos especuladores financeiros, multimilionários dos EUA e de França mostram-se disponíveis para devolver à sociedade e aos mais pobres aquilo que lhes retiraram durante décadas.
Por cá Américo Amorim afirma que não é rico mas apenas “um trabalhador”…
O governo do PSD e CDS que com toda a naturalidade nos vão buscar ao bolso metade do 13º mês, mais uns trocos no IVA e no IRS, recusa-se a taxar as grandes fortunas.
Paga o mais pobre e a classe média.
Segundo dados estatísticos de 2010 as 31 maiores fortunas do nosso país somavam em conjunto um património de mais de 25 mil milhões de euros.
Apenas 1% deste valor dava para construir 4 aeroportos de Alcochete por ano…
Esta direita que se diz popular e se “embrulha” em planos assistencialistas (até a Igreja já os criticou…) de descontos no gás e na electricidade para os “pobrezinhos”, mais valia que tivesse a coragem de ir buscar o dinheiro onde o há, aplicá-lo a dinamizar a economia, a criar emprego e a restituir a dignidade às pessoas.
Só nos últimos meses houve um acréscimo de dezenas de milhar de novas solicitações de Rendimento Social de Inserção, o governo vem dizer que em 2012 ainda vai ser pior do que este ano e, por fim, veio o país a ter conhecimento de mais um buraco financeiro devido a mais um magnífico exemplo do que é um Governo PSD a governar…
Metade do 13º mês de quem trabalha vai direitinho para a ilha cor de laranja…
Mas mesmo perante este cenário de catástrofe a direita recusa-se a taxar os mais ricos.
Este não é um governo para salvar a economia, é um governo para afrontar quem trabalha!

Museu Ferroviário

Luis Mourinha abriu mão do Museu Ferroviário e isso não é um bom sinal para candidatar Estremoz a Património Mundial…
Nos últimos anos não tem havido uma focalização dos executivos municipais naquilo que é importante para um concelho do interior: movimentar a economia e atrair culturalmente os jovens.
Estremoz tem vivido ultimamente de obras de fachada. Tudo parece ser feito no centro da cidade. As freguesias rurais e as zonas mais desfavorecidas continuam a desmoronar.
E o que faz a Câmara? Recupera a Praça de Touros…
O que é verdadeiramente urgente é um plano de recuperação das casas degradadas (onde a autarquia pode ter um papel relevante e decisivo) que dê emprego aos pequenos empresários individuais e aos desempregados/as do concelho.
Em segundo lugar é preciso colocar Estremoz “no mapa”. Veja-se o exemplo do Crato, de Marvão, de Campo Maior, de Redondo e de tantos outros sítios onde as iniciativas municipais são verdadeiras romarias.
Com uma taxa de desemprego nos 13%, com a taxa de natalidade a descer, com a fuga para o litoral e estrangeiro a crescer e consequentemente a desertificação a aumentar, os últimos executivos camarários não conseguiram ir mais longe do que investir os parcos meios dos impostos municipais em estudos megalómanos para reconversões do Rossio, avenidas novas, recuperações de praças de touros e compra de imóveis que só fizeram sentido para quem os vendeu…
O Bloco de Esquerda tem insistido na revitalização da economia porque sabe que é a única medida que pode “dar a cana” em vez do peixe a quem precisa de trabalhar.
Porque Estremoz são as pessoas…