Museu Ferroviário

Luis Mourinha abriu mão do Museu Ferroviário e isso não é um bom sinal para candidatar Estremoz a Património Mundial…
Nos últimos anos não tem havido uma focalização dos executivos municipais naquilo que é importante para um concelho do interior: movimentar a economia e atrair culturalmente os jovens.
Estremoz tem vivido ultimamente de obras de fachada. Tudo parece ser feito no centro da cidade. As freguesias rurais e as zonas mais desfavorecidas continuam a desmoronar.
E o que faz a Câmara? Recupera a Praça de Touros…
O que é verdadeiramente urgente é um plano de recuperação das casas degradadas (onde a autarquia pode ter um papel relevante e decisivo) que dê emprego aos pequenos empresários individuais e aos desempregados/as do concelho.
Em segundo lugar é preciso colocar Estremoz “no mapa”. Veja-se o exemplo do Crato, de Marvão, de Campo Maior, de Redondo e de tantos outros sítios onde as iniciativas municipais são verdadeiras romarias.
Com uma taxa de desemprego nos 13%, com a taxa de natalidade a descer, com a fuga para o litoral e estrangeiro a crescer e consequentemente a desertificação a aumentar, os últimos executivos camarários não conseguiram ir mais longe do que investir os parcos meios dos impostos municipais em estudos megalómanos para reconversões do Rossio, avenidas novas, recuperações de praças de touros e compra de imóveis que só fizeram sentido para quem os vendeu…
O Bloco de Esquerda tem insistido na revitalização da economia porque sabe que é a única medida que pode “dar a cana” em vez do peixe a quem precisa de trabalhar.
Porque Estremoz são as pessoas…

Plano de Emergência Social

Em primeiro lugar o Governo PSD/CDS apresenta um programa até 2014: quererá isto dizer que vamos viver em “emergência social” até essa data? Quatro anos?
Será coincidência com a data das próximas eleições?
Em segundo lugar porquê fazer caridade quando o que o país precisa é da economia a funcionar?
Metades dos desempregados não recebem subsídio de desemprego. A maioria dos empregados fica-se pelo salário mínimo. Os reformados vêem congeladas as pensões. Os jovens só arranjam empregos precários e a recibos verdes, e o ministro do CDS não vê outra solução do que atribuir cerca de 11,00 € por mês aos indigentes…
As cantinas das IPSS ficam dispensadas da ASAE, isto é, limpeza e asseio só para os mais afortunados…

Os infelizes que recebem o Rendimento Mínimo vão ser obrigados a trabalhar fazendo assim baixar ainda mais os salários por via desta concorrência “asiática”…
Os desempregados vão ver aumentado o Subsídio de Desemprego (isto é para rir de certeza…)…
Mas o que o país precisa, é de medidas de carácter económico que nos tirem da crise conforme prometeram!
Não precisamos de subsídios, precisamos de empregos!
Mais Justiça e mais Economia!
Afinal quem ganhou as eleições com promessas de solução dos problemas ainda só apresentou três medidas: Aumentar os impostos para os mais pobres, cortar no 13ª mês a quem trabalha e fazer caridadezinha…
Só já falta mesmo a esposa do Américo Tomás a presidir aos chás de caridade…


A reforma do País

Somos daqueles que há alguns anos considera que o país precisa de uma reforma administrativa. A evolução tecnológica, a melhoria da rede viária e as novas formas de gestão levam a que um novo modelo administrativo e de organização territorial seja definido de forma a que possamos ganhar escala nas decisões e uma eficiente melhoria na resolução dos problemas das populações.
Depois de alguns anos com assunto ser “discutido”, ou pelos menos a ser lembrado, em algumas reuniões políticas do partido que suportava o anterior Governo, com defensores e adversários de uma reforma territorial e administrativa, o actual Governo parece querer seguir em frente com esta ideia.
O municipalismo pós 25 de Abril de 1974 tem tido um papel importantíssimo na melhoria da qualidade de vida dos portugueses, como é reconhecido por toda a gente, mas torna-se evidente a necessidade de um novo modelo.
Mas esta reforma não poderá ser encarada como uma “cartada” política num momento de grave crise financeira, nem devendo só ser encarada como uma melhoria na eficácia e eficiência na aplicação de recursos públicos, ela terá de ser uma reforma organizacional e estrutural do país.
Não temos um modelo definido de organização territorial, e pensamos que com os novos tempos e a evolução que o país sofreu ao longo destes anos de democracia, um bom inicio para uma eficiente reforma poderá passar pela união de freguesias e municípios, não pela sua extinção. Pensamos no entanto que tal passo deverá ser objecto de discussão na sociedade, dando assim um grande contributo para a consolidação da democracia e para que esta reforma seja compreendida e não imposta.

A oposição

Quando a oposição anda á deriva, seja num governo nacional seja local, todos fazem, oposição e governação, um mau mandato. Quem governa corre o risco de amolecer e quanto mais activa for a oposição, tendo uma postura séria e não de política de bota abaixo, mais quem governa afina a sua “imaginação” na governação, ganhado essencialmente a democracia e os cidadãos.
Uma oposição fraca, além de não espicaçar o governo, não se consegue definir como alternativa a esse mesmo governo e atingir o seu grande objectivo que é governar.
Quando falta uma oposição que tenha um verdadeiro projecto alternativo para oferecer aos cidadãos, em última instância são estes que perdem, por falta de debate e de políticas alternativas.
Não há oposição que consiga chegar ao governo se não plantar as sementes de uma alternativa e de novas políticas muito antes do período eleitoral.
Sem o incansável trabalho de fundo de divulgação de ideias da oposição, dificilmente se derrota que está no poder, a não ser por grande desgaste deste. Quando a oposição chega ao poder muitas das medidas que pode vir a tomar deixam de ser consideradas radicais se anteriormente já houve uma preparação. Acima de tudo a oposição terá de chegar ao poder pela batalha das ideias, mesmo se tiverem um custo elevado nos primeiros momentos, mas tem de ter ideias, não pode ter medo de as ter e de as apresentar.

Parabéns Estremoz

31Ago1926 - 31Ago2011

MENTALIDADES!


Eis que se agigantam as vozes dos velhos do restelo sobre a diminuição do valor da indemnização a pagar em caso de despedimento ilícito, único que releva para o efeito, decorrente de uma visão marxista das relações laborais, de guerra permanente contra os malvados dos patrões.
Nos outros casos, como o despedimento por acordo o valor sempre foi negociado, portanto a questão não se coloca. Nos casos de insolvência da empresa, todos sabemos que quando a mesma é declarada insolvente, já nada resta para pagar.
A questão em causa é, fundamentalmente, política e de origem marxista que ainda domina todo o sistema jurídico do direito laboral português, fruto da dominação do PCP no pós 25 de Abril e tem conseguido manter-se até hoje
Há, pois, que mudar a mentalidade e a forma de pensar as coisas, e colocar a tónica na produtividade e na criação de riqueza, em vez da defesa de interesses corporativos dos sindicatos, que muitas vezes têm sido prejudiciais para os próprios trabalhadores.
A mentalidade de um emprego para a vida, quer se trabalhe ou não, quer se produza ou não, colocando em igualdade de circunstâncias os trabalhadores que trabalham e produzem com aqueles que nada fazem e que se limitam a arrastar-se pelas instalações ou a apresentar sucessivos atestados médicos tem que acabar de uma vez por todas.
Tem sido esta mentalidade uma das grandes culpadas do estado de não produção e de não criação de riqueza a que chegámos, a par dos entraves e obstáculos que a própria legislação laboral coloca à dinâmica evolutiva do mercado de trabalho.
Se queremos, de facto, um país que crie riqueza e produza para, através dela criar bem-estar económico e social, a legislação laboral tem que ser pensada sob o ponto de vista de um instrumento ao serviço do país e do seu desenvolvimento económico.
A legislação laboral não pode, nem deve, estar ao serviço de uma ideologia e, principalmente, de uma ideologia marxista que já provou o seu total e absoluto colapso, em que o Estado tem obrigação de empregar todos os trabalhadores.
Quem tem que criar emprego é o sector privado, devendo o Estado criar as condições para que o mesmo surja, se desenvolva e obtenha resultados que projectem o país e se alcance um nível de bem-estar económico e social aceitável. Não é isso, de todo, a que tem acontecido.
Todos sabemos que um trabalhador que é bom, que trabalha e produz não é despedido pela entidade patronal, mas têm sido igualados àqueles que nada fazem e nada produzem, pela protecção legal que estes últimos têm tido.
É esta mentalidade igualitária da mediocridade e da mediania que tem que ser invertida se queremos, de facto, que o país cresça, produza e se desenvolva, deixando de tratar de igual forma o que é diferente.
O Estado não é pai de ninguém, nem temos que ficar à espera que ele nos resolva os nossos problemas, decorrentes das nossas próprias opções e decisões de vida; temos que assumir as responsabilidades das nossas próprias decisões.
Temos que saber ser independentes e promover uma cultura de mérito e de trabalho, porque é isso que nos distingue e dignifica enquanto pessoas. Esta alteração será uma importante forma de alterar a mentalidade vigente, premiando o mérito e o trabalho.

FORAM-SE 1344!


A notícia saiu na última edição deste jornal, sem surpresa para mim, embora com tristeza a tenha lido, pois é o resultado duro, mas objectivo, do que não foi feito em prol do desenvolvimento de Estremoz.
O concelho de Estremoz perdeu 1344 habitantes em 10 anos! Nada que não fosse previsível em face dos sucessivos executivos camarários que nada fizeram para inverter a desertificação humana, a que vimos assistindo plácida e calmamente sentados, como quem vê passar o tempo.
Mas não são só os executivos camarários os culpados, porque o governo central também o é e de que maneira, pois a aposta na litoralização do país tem sido por demais evidente ao longo dos últimos anos.
Este resultado poderia ter sido invertido se tivessem sido tomadas as medidas necessárias para que tivéssemos crescimento no interior do país e, nomeadamente, no concelho de Estremoz.
Basta analisarmos o que foram as políticas traçadas pelos executivos camarários nos últimos dez anos para chegarmos à conclusão que tudo foi feito para que este resultado se tornasse inevitável, quando poderia ter sido, senão evitado, pelo menos minorado.
Nada foi feito em prol do desenvolvimento económico do concelho, na atração de empresas criadoras de riqueza que, permitissem criar expectativas de vida às pessoas e equacionar o seu futuro no concelho.
Preferiu-se o investimento em obras públicas de mais do que duvidosa rentabilidade e necessidade, em vez de se criarem as condições para que a iniciativa privada criasse riqueza. Muitas vezes afastaram-se interessados para que a Câmara não perdesse o poder e o controlo sobre as pessoas que dela dependem para ter um emprego.
Não se criaram as condições fiscais para incentivar as pessoas a não partir em busca de um melhor lugar que lhes dê perspectivas de futuro e realização profissional, obrigando-as a partir, na ânsia da necessidade momentânea de dispor de dinheiro para pagar despesa pública sem utilidade nenhuma.
Não conseguiram, até hoje, os sucessivos executivos camarários, traçar objectivos de médio longo prazo para inverter a desertificação humana do concelho de Estremoz, pelo que o resultado só poderia ser este. Tal como não quiseram abri-lo à iniciativa privada para não perderem poder.
Mas o desinvestimento e a total ausência de preocupação por parte do governo central quanto a esta questão foi determinante, abandonando à sua sorte todo o interior do país porque não lhe dá votos.
Pela primeira vez ouvi um Ministro das Finanças preocupar-se, a sério, com o interior do país, ao propor drásticas medidas fiscais de incentivo à inversão da desertificação, ao afirmar que o regime fiscal do interior deveria ser de metade em relação ao do litoral, isto é, a taxa dos impostos deveria ser de metade em relação à do litoral.
Foi imediatamente criticado pelos litoralistas e por todos aqueles que não perceberam o alcance e as consequências positivas da afirmação.
Haja alguém que perceba a destruição que tem sido feita ao interior de Portugal e que tenha a coragem de o afirmar publicamente com propostas drásticas para estancar esta hemorragia que sangra a olhos vistos há mais de dez anos.