MENTALIDADES!


Eis que se agigantam as vozes dos velhos do restelo sobre a diminuição do valor da indemnização a pagar em caso de despedimento ilícito, único que releva para o efeito, decorrente de uma visão marxista das relações laborais, de guerra permanente contra os malvados dos patrões.
Nos outros casos, como o despedimento por acordo o valor sempre foi negociado, portanto a questão não se coloca. Nos casos de insolvência da empresa, todos sabemos que quando a mesma é declarada insolvente, já nada resta para pagar.
A questão em causa é, fundamentalmente, política e de origem marxista que ainda domina todo o sistema jurídico do direito laboral português, fruto da dominação do PCP no pós 25 de Abril e tem conseguido manter-se até hoje
Há, pois, que mudar a mentalidade e a forma de pensar as coisas, e colocar a tónica na produtividade e na criação de riqueza, em vez da defesa de interesses corporativos dos sindicatos, que muitas vezes têm sido prejudiciais para os próprios trabalhadores.
A mentalidade de um emprego para a vida, quer se trabalhe ou não, quer se produza ou não, colocando em igualdade de circunstâncias os trabalhadores que trabalham e produzem com aqueles que nada fazem e que se limitam a arrastar-se pelas instalações ou a apresentar sucessivos atestados médicos tem que acabar de uma vez por todas.
Tem sido esta mentalidade uma das grandes culpadas do estado de não produção e de não criação de riqueza a que chegámos, a par dos entraves e obstáculos que a própria legislação laboral coloca à dinâmica evolutiva do mercado de trabalho.
Se queremos, de facto, um país que crie riqueza e produza para, através dela criar bem-estar económico e social, a legislação laboral tem que ser pensada sob o ponto de vista de um instrumento ao serviço do país e do seu desenvolvimento económico.
A legislação laboral não pode, nem deve, estar ao serviço de uma ideologia e, principalmente, de uma ideologia marxista que já provou o seu total e absoluto colapso, em que o Estado tem obrigação de empregar todos os trabalhadores.
Quem tem que criar emprego é o sector privado, devendo o Estado criar as condições para que o mesmo surja, se desenvolva e obtenha resultados que projectem o país e se alcance um nível de bem-estar económico e social aceitável. Não é isso, de todo, a que tem acontecido.
Todos sabemos que um trabalhador que é bom, que trabalha e produz não é despedido pela entidade patronal, mas têm sido igualados àqueles que nada fazem e nada produzem, pela protecção legal que estes últimos têm tido.
É esta mentalidade igualitária da mediocridade e da mediania que tem que ser invertida se queremos, de facto, que o país cresça, produza e se desenvolva, deixando de tratar de igual forma o que é diferente.
O Estado não é pai de ninguém, nem temos que ficar à espera que ele nos resolva os nossos problemas, decorrentes das nossas próprias opções e decisões de vida; temos que assumir as responsabilidades das nossas próprias decisões.
Temos que saber ser independentes e promover uma cultura de mérito e de trabalho, porque é isso que nos distingue e dignifica enquanto pessoas. Esta alteração será uma importante forma de alterar a mentalidade vigente, premiando o mérito e o trabalho.

FORAM-SE 1344!


A notícia saiu na última edição deste jornal, sem surpresa para mim, embora com tristeza a tenha lido, pois é o resultado duro, mas objectivo, do que não foi feito em prol do desenvolvimento de Estremoz.
O concelho de Estremoz perdeu 1344 habitantes em 10 anos! Nada que não fosse previsível em face dos sucessivos executivos camarários que nada fizeram para inverter a desertificação humana, a que vimos assistindo plácida e calmamente sentados, como quem vê passar o tempo.
Mas não são só os executivos camarários os culpados, porque o governo central também o é e de que maneira, pois a aposta na litoralização do país tem sido por demais evidente ao longo dos últimos anos.
Este resultado poderia ter sido invertido se tivessem sido tomadas as medidas necessárias para que tivéssemos crescimento no interior do país e, nomeadamente, no concelho de Estremoz.
Basta analisarmos o que foram as políticas traçadas pelos executivos camarários nos últimos dez anos para chegarmos à conclusão que tudo foi feito para que este resultado se tornasse inevitável, quando poderia ter sido, senão evitado, pelo menos minorado.
Nada foi feito em prol do desenvolvimento económico do concelho, na atração de empresas criadoras de riqueza que, permitissem criar expectativas de vida às pessoas e equacionar o seu futuro no concelho.
Preferiu-se o investimento em obras públicas de mais do que duvidosa rentabilidade e necessidade, em vez de se criarem as condições para que a iniciativa privada criasse riqueza. Muitas vezes afastaram-se interessados para que a Câmara não perdesse o poder e o controlo sobre as pessoas que dela dependem para ter um emprego.
Não se criaram as condições fiscais para incentivar as pessoas a não partir em busca de um melhor lugar que lhes dê perspectivas de futuro e realização profissional, obrigando-as a partir, na ânsia da necessidade momentânea de dispor de dinheiro para pagar despesa pública sem utilidade nenhuma.
Não conseguiram, até hoje, os sucessivos executivos camarários, traçar objectivos de médio longo prazo para inverter a desertificação humana do concelho de Estremoz, pelo que o resultado só poderia ser este. Tal como não quiseram abri-lo à iniciativa privada para não perderem poder.
Mas o desinvestimento e a total ausência de preocupação por parte do governo central quanto a esta questão foi determinante, abandonando à sua sorte todo o interior do país porque não lhe dá votos.
Pela primeira vez ouvi um Ministro das Finanças preocupar-se, a sério, com o interior do país, ao propor drásticas medidas fiscais de incentivo à inversão da desertificação, ao afirmar que o regime fiscal do interior deveria ser de metade em relação ao do litoral, isto é, a taxa dos impostos deveria ser de metade em relação à do litoral.
Foi imediatamente criticado pelos litoralistas e por todos aqueles que não perceberam o alcance e as consequências positivas da afirmação.
Haja alguém que perceba a destruição que tem sido feita ao interior de Portugal e que tenha a coragem de o afirmar publicamente com propostas drásticas para estancar esta hemorragia que sangra a olhos vistos há mais de dez anos.

Pensar a militância partidária

Está eleito o novo secretário-geral do Partido Socialista tendo a escolha da maioria dos militantes do PS que votou recaído em António José Seguro, o desfecho era esperado e não causa grande surpresa.
O preocupante nestas eleições do Partido socialista, que corresponderam ao que se passa em outros partidos da nossa democracia, foi o número de votantes, cerca de 35 mil, que correspondem grosso modo a 30% dos militantes do PS. Quando em causa estava a eleição do secretário-geral do maior partido da oposição, num acto em que não havia lista única, votarem somente 30 % dos 116 mil militantes do partido, deve ser motivo de reflexão sobre a participação dos portugueses na vida política e partidária.
Numa eleição em que o PS procura um novo caminho depois de 6 anos de governo os militantes alhearam-se deste acto? Os militantes estão insatisfeitos com a forma de actuação do PS e afastaram-se da militância? Poderíamos continuar a colocar uma série de questões e a todas elas poderíamos ir buscar uma resposta para as interrogações ou para o “ses” de tão baixa participação.
A real resposta pode ser muito mais profunda que a desilusão de uns quantos e o afastamento de meia dúzia. E significa que na realidade os militantes efectivos do Partido Socialista, como de outros partidos, não são hoje os que constam dos documentos oficiais. Este assunto daria pano para mangas, ou seja uma discussão interminável mas necessária.
Há a necessidade urgente, embora as nossas atenções estejam hoje voltadas para as questões económicas e para a grave crise financeira que se abate sobre a Europa, de rever todo o processo de adesão e de manutenção de militantes nos partidos, sob pena de vivermos uma ilusão de participação democrática nos partidos políticos em Portugal.

A REFORMA!



Origem da imagem. http://economico.sapo.pt


Todos conhecemos a Suíça e todos aceitamos que é considerado um dos países do mundo que melhor satisfaz as condições sócio-económicas da sua população, gerando um grande sentimento de bem-estar.

É um país que é considerado como aquele em que a sua população sente grande satisfação das suas necessidades por parte do Estado, quer na saúde, quer na educação, quer na segurança social e no apoio aos mais idosos e às suas condições de vida.

É pois um bom exemplo que devemos reter, para efeitos de aprendermos como resolveram a questão da segurança social, o problema da sua sustentabilidade, do regime de reformas e dos apoios sociais atribuídos pelo Estado.

O segurança social Suíça assenta na fixação de um tecto máximo do valor das pensões de reforma e na impossibilidade de se poder receber mais do que uma pensão de reforma, tendo fixado um tecto máximo do valor da pensão de reforma em €: 1.700,00, sendo obrigatória a constituição de PPR’s pelos trabalhadores.

É isso mesmo, ninguém recebe mais do que €: 1.700,00 de pensão de reforma pagos pela Segurança Social Suíça, que depois será complementada pelos Planos Poupança Reforma feitos pelos trabalhadores.

A fundamentação deste tecto máximo, tem, não só que ver com a sustentabilidade do sistema, mas para libertar dinheiro para outras prestações sociais, nomeadamente, para as mães que não trabalham para poderem criar os seus filhos, bem como para que essas disponibilidades financeiras sejam redistribuídas pelas pensões mais baixas.

Olhando para estes exemplos e vendo o que se passa em Portugal podemos concluir que muito há a fazer para contribuirmos para uma maior justiça na redistribuição das disponibilidades financeiras da Segurança Social portuguesa.

Desde logo impõe-se a criação de um tecto máximo do valor das pensões de reforma que deverá ser complementado com a constituição de planos poupança reforma pelos trabalhadores, para que, à semelhança do que acontece na Suíça, o Estado possa ter disponibilidades financeiras para redistribuir, quer pelas pensões mais baixas, quer por outro tipo de apoios sociais, dando uma melhor qualidade de vida aos beneficiários.

Deve, também, ser definida a regra da proibição de cumulação de pensões de reforma, sem qualquer excepção, principalmente entre os vários organismos do Estado que tenham regimes especiais de reforma que não estejam englobados na Segurança Social.

Claro que a esquerda dirá que isso é inaceitável e que os trabalhadores ficam a perder, etc, etc, naquele que é o seu costume de acharem que defendem os direitos dos trabalhadores, mas que, na verdade, não defendem.

Basta olharmos para o regime vigente na Suíça para verificarmos que os trabalhadores não se sentem prejudicados nem excluídos dos benefícios pagos pelo Estado, nem vemos ou ouvimos reclamações sobre a sua falta de protecção.

A reforma da Segurança Social não pode ser vista de forma egoísta, como se fossemos os únicos beneficiários, pois temos que a perspectivar para todos aqueles que hoje começam a trabalhar, garantindo-lhes a sua reforma.

O desmantelamento do Museu Ferroviário em Estremoz

Veja a notícia aqui...
É triste!... Pode parecer um desabafo fácil mas há CULPADOS disto e foram de dois tipos: (1) foram os que pensaram mal e nada fizeram, ou seja, exactamente aqueles que disseram e escreveram que o caminho-de-ferro (eu ainda escrevo sem ligar pevide ao A. Ortográfico) "espartilha o desenvolvimento da malha urbana da cidade" (o anterior executivo camarário); e (2) aqueles que nem sequer parecem dotados do privilégio do pensamento e que, portanto, ou fazem mal ou fazem pior (o actual executivo camarário).
Se tivessem protestado, se tivessem tentado encontrar outras soluções... enfim, sempre diríamos "pelo menos, tentaram!". Mas não! Não só não fizeram nada que defendesse o nosso património histórico e cultural, a nossa memória colectiva, como fizeram exactamente o contrário: contribuíram para esta situação, facilitando-a sem qualquer rebuço de consciência.
Eu, pela minha parte, estou de consciência tranquila: andei a pregar no deserto mas lutei pelos meios que tinha ao meu alcance e que podem ser lidos aqui, aqui, aqui e ainda noutros sítios, nomeadamente nas actas da Câmara Municipal de Estremoz onde me pronunciei repetidas vezes contra este desfecho.

Estremoz merece mais!

Fazer hoje um balanço destes primeiros 20 meses de gestão autárquica de Luis Mourinha e do MIETZ terá de ser, objectivamente, fazer um balanço do programa que propuseram aos estremocenses.Essa consulta tem-se revelado um autêntico anedotário…
A começar pela prioridade das prioridades: água, saneamento e resíduos. A propósito, consulte-se o discurso de Mourinha na tomada de posse: a grandiloquência não escondeu a desorientação.
Das 85 medidas propostas no seu programa (impossíveis de analisar num artigo deste tamanho) nenhuma foi implementada. Outras regrediram ainda…
Por exemplo:
1. “Recuperar o diálogo com os funcionários da autarquia” significa para o MIETZ perseguir, instaurar processos, dividir e afrontar publicamente.
2. “Reabilitar áreas urbanas degradadas” quer dizer deixar cair a cidade aos poucos.
3. “Melhorar e modernizar os sistemas de limpeza…” implica que aos Domingos (numa altura em que o calor e a afluência de turistas exigem essa recolha) o lixo e os maus cheiros se acumulem por toda a cidade.
4. “Colaborar com todas as forças vivas do Concelho” quis dizer o ataque baixo e soez contra uma das associações que mais prestigiam Estremoz: a LACE.
E assim por aí adiante…
Não vou falar aqui de “Apresentar a candidatura de Estremoz a Património Mundial” pelo ridículo que representa para o Concelho, mas gostava de salientar que a única proposta em que a autarquia deu passos importantes (embora já tenha tropeçado várias vezes) foi na recuperação da Praça de Touros.
Vinha esta proposta na secção Educação, Cultura e Desporto… é notável.
Mas quando Mourinha propôs “Apoiar a recuperação e dinamização da Praça de Touros de Estremoz” não disse que era para o fazer com dinheiros de reabilitação urbana, desviando recursos da recuperação das casas dos mais carenciados.
Há no entanto uma frase no programa do MIETZ cada vez mais actual: ESTREMOZ MERECE MAIS !

Outra vez o (Des)Acordo Ortográfico

Esta imagem foi colhida no sítio para o qual aponta a respectiva hiperligação
Depois de tudo quanto já foi dito, debatido e rebatido sobre o incorrectamente designado "acordo" ortográfico, acho redutor considerar-se que há "tipos" - por mais pertinentes que sejam as razões que avançam para não aderirem, no todo ou em parte, aos preceitos da dita reforma ortográfica - que são saudosistas e que recusam a ideia de mudança.
Ora aí está o argumento demolidor das mentes supostamente evoluídas, alegadamente superiores (porque aceitam a mudança) arremessada contra o "conservadorismo" dos que recusam mudar apenas porque não concordam. É, de facto, um argumento “elevado” que parece esconder a falta de razões mais ponderosas para justificarem técnica e fundamentadamente os motivos da sua adesão ao “acordo”. Revela também alguma falta de tolerância para com as diferenças de opinião. Lamentável. Escusado.
(A minha opinião sobre o acordo ortográfico ficou expressa aqui: