ÉTICA E VERDADE POLÍTICAS

Escrevo estas linhas já depois de ter formalizado a minha renúncia ao cargo de deputado municipal na Assembleia Municipal de Estremoz, depois de mais de 5 anos de actividade naquele órgão e para o qual fui eleito em 2005 e reeleito em 2009, na lista do Partido Socialista.

A minha renúncia àquele cargo fica a dever-se ao facto de considerar que o Partido Socialista pelo qual fui eleito não me facultou todas as informações que detinha sobre a real situação financeira e sobre a capacidade operacional da empresa Águas do Centro Alentejo, cujo contrato com a Câmara Municipal de Estremoz foi denunciado por decisão da Assembleia Municipal, decisão que teve, como é do conhecimento geral, a minha oposição activa.
As informações que entretanto fui obtendo, designadamente após a decisão da Câmara Municipal de Évora em rescindir o contrato que mantinha com a empresa Águas do Centro Alentejo, tornaram-me claro que o compromisso político que tinha com o Partido Socialista, enquanto membro do seu Grupo Municipal na A.M de Estremoz tinha sido quebrado e não restavam condições políticas para me manter no cargo que vinha ocupando.
Daí a minha decisão de renúncia, abrindo lugar a que o Partido Socialista possa preencher o meu lugar com outro elemento da sua lista, posta a sufrágio nas eleições autárquicas de 2009, porque, por razões de ética que sempre regeram a minha conduta política entendo que o cargo que ocupava pertence ao Partido Socialista e não à minha pessoa.

Apesar do que atrás fica dito, quero deixar claro que não retiro uma única linha às afirmações que produzi sobre este assunto, na Assembleia Municipal ou fora dela, designadamente no que se refere à inconsistência dos argumentos apresentados pelo executivo de Luís Mourinha como é o caso da questão do preço da água e da pretensa nulidade do contrato existente, tal como também não retiro uma linha às desconfianças que manifestei sobre as verdadeiras intenções de Luís Mourinha quando se recusou a esclarecer quais as alternativas que tinha em mente face à renúncia do contrato com as Águas do Centro Alentejo.

A decisão que agora tomei não significa de modo nenhum que me vou alhear do combate pela construção de uma alternativa política ao actual Executivo de Luís Mourinha, dentro do Partido Socialista ou fora dele, e que tenha como objectivos o desenvolvimento do concelho de Estremoz, com base numa política pela inovação e contra o imobilismo, uma política que combata o clientelismo político e aposte na competência e na qualidade, numa política que mobilize e aposte na acção da sociedade civil estremocense em detrimento do direccionismo autárquico, em nome da ÉTICA e da VERDADE políticas.

AS MULHERES DO MEU PAÍS

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CONVITE
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A Direcção da Associação Filatélica Alentejana tem o grato prazer de convidar Vª Exª a honrar-nos com a sua presença na inauguração da exposição “AS MULHERES DO MEU PAÍS”, a ter lugar pelas 17 horas de sábado, dia 12 de Fevereiro de 2011, no Centro Cultural Dr. Marques Crespo, na Rua João de Sousa Carvalho, em Estremoz.
No final será servido um cocktail.



AQUI D´EL REI!


0Durante o mandato do anterior executivo camarário, a bem do progresso e do bem-estar das populações e da sua mobilidade, decidiu-se arrancar a linha de caminho de ferro Estremoz/Vila Viçosa para, à velocidade do passo e da pedalada, se construir uma ciclovia, mostrando-se os inegáveis ganhos de progresso com tal decisão política.
Dizia o anterior executivo camarário que não fazia sentido a linha porque estava desactivada e iria ser toda arrancada, segundo a decisão do governo PS da altura, pois não fazia sentido mantê-la.
Nessa mesma altura declarei ser contra tal arranque e demonstrei as possibilidades da sua manutenção, quer para transporte de passageiros, quer para transporte de mercadorias, para além do potencial turístico que poderia ser retirado daquele troço de caminho de ferro e dos envolventes.
Pouco tempo passado, surge o projecto da REFER, único decente, para o espaço da estação de Estremoz, no qual já se contemplava a manutenção do caminho de ferro no mesmo sitio onde seria construída uma avenida, mas só até à porta do museu.
A apresentação do referido projecto teve honras de Secretário de Estado, que veio a Estremoz expor a vantagens inegáveis da manutenção do caminho de ferro e da ligação à capital de Distrito por causa do TGV, mas só o troço a partir da estação de São Bento do Ameixial.
Naquela altura o executivo camarário era PS e o governo central também o era, tal como o era o Ministério da Tutela da REFER e tal como deveria ser o Conselho de Administração da REFER, como é de esperar.
Naquela altura estavam reunidas todas as condições para que houvesse a possibilidade de se manter a linha de caminho de ferro, mas fez-se exactamente o contrário, isto é, pugnou-se pelo progresso da ciclovia, muito mais avançada do que a ferrovia, com capacidades transcendentes que só o então executivo camarário sabia e percebia existirem.
No projecto da REFER também se contemplava a manutenção do museu da ferroviário existente em Estremoz, mas com a condição de se manter a linha. Todos sabíamos que a linha não era para manter, qual monstro do século XIX que urgia exorcizar, para dar lugar à recente descoberta da ciclovia, mais rápida, mais limpa e mais saudável para a população.
Naquela altura nada se fez em prol da manutenção do museu ferroviário, muito embora do discurso oficial saísse o contrário, o certo é que a posição do anterior executivo era a de arrancar o monstro de ferro e, por isso, não pugnou junto do seu governo, pela manutenção da linha de caminho de ferro e muito menos pela sua reactivação.
Agora, perante o facto que já se esperava, mais dia menos dia, aqui d’el rei que tiram o Museu Ferroviário de Estremoz! Não percebo. Então a ciclovia não era a maravilha das maravilhas da técnica e da ciência moderna? Então a ciclovia já não é o símbolo do progresso da civilização, do bem-estar social e económico?
Não percebo tanto alarido por uma morte que estava mais do que anunciada e começou a ser construída durante o mandato do anterior executivo camarário.
O PS, pela calada da noite, tudo fez para que este desfecho fosse inevitável e não são declarações de intenções que resolvem o problema
O PS preferiu a ciclovia, agora aqui d’el rei que me tiram a ferrovia!

Festival Tauromáquico de Estremoz

Dia 23 de Abril de 2011, em Estremoz

Joaquim Bastinhas, Francisco Cortes, Marcos Tenório Bastinhas, Duarte Pinto, João Maria Branco e Miguel Moura são os cavaleiros, de S. Manços, Monforte e Elvas vêm os grupos de forcados, para o cartel do festival organizado pela TTE – Tertúlia Tauromáquica de Estremoz a realizar no próximo dia 23 de Abril (sábado de Páscoa) em praça portátil em Estremoz, por ocasião da FIAPE – Feira Internacional de Agro-Pecuária de Estremoz.

Serão lidados novilhos-toiros da ganadaria de Herdeiros de Cunhal Patrício.

Breve História do "Brados"

No dia 1 de Fevereiro de 1931 saiu a 1.ª edição do jornal Brados do Alentejo. Na véspera tinham sido comemorados os 40 anos da revolta republicana do Porto. Coincidência? Talvez. O que não deixa de ser curioso é que o grupo fundador deste jornal – Marques Crespo, Niny Mexia, Goucha de Almeida, Acácio Palmeiro da Costa e Joaquim Ribeiro Gomes – eram todos adeptos da 1.ª República e comemoraram, até 1951, o aniversário do Brados a 31 de Janeiro e não, como seria de esperar, a 1 de Fevereiro. Este facto está comprovado através de gravações numa coluna em mármore na Tipografia Brados do Alentejo, Lda. – empresa constituída por dois sócios, Artur Assunção e António José Parelho, pela mesma altura.
O Brados surge num contexto em que o Estado Novo começava a dar sinais de ter vindo para ficar (ao contrário das inúmeras escaramuças que caracterizaram a 1.ª República). Marques Crespo tinha sido Presidente da Câmara de Estremoz e foi o golpe de Gomes da Costa e de Óscar Carmona que levou à sua substituição em 1926. Entretanto, um nome emergia da penumbra: Salazar. Em 1931, já não era Gomes da Costa quem metia medo… nem sequer Carmona… e a página 3 do Brados lá tinha a menção “Tem Visto da Censura”.
Marques Crespo dirigiu o jornal que fundou durante 20 anos, até Fevereiro de 1951. Interinamente foi o dono da tipografia, António José Parelho, quem lhe sucedeu na direcção no mês seguinte, para em Março entrar em cena, por 1 ano e ½, um novo director: João Falcato. O Brados estava a mudar. A 1.ª república estava cada vez mais longe... A exaltação do Alentejo continuava presente, o Brados continuava a ser uma referência cultural e literária – o último texto de Sebastião da Gama foi publicado 4 dias antes da sua morte – mas a inspiração política original estava a dissipar-se com a entrada de novas sensibilidades…
Em Outubro de 1952, André Brito Tavares iniciou o mais longo período à frente da direcção do Jornal. Foram quase 23 anos, atravessando os períodos do Rock ‘n’ Roll, da irreverência dos Teddy Boys, da revolução hippie e do Twist. A todos estes movimentos o jornal resistiu sem perder a sua identidade… só não resistiu ao Verão Quente de 1975. A edição do jornal entra num período letárgico, ressurgindo episodicamente numa 2.ª série, entre 1978 e 1979, da qual sobram dedos de uma mão para contar as edições publicadas. Director: novamente António José Parelho.
É no final de 1979 que surge a actual 3.ª série deste jornal que, entretanto, passou a ser propriedade da Casa da Cultura de Estremoz. O novo Director foi José Emílio Guerreiro, o qual deixou o cargo, em 1982, quando se candidatou à presidência da Câmara de Estremoz. Sucedeu-lhe outro futuro presidente de Câmara, entre 1982 e 1994, que dava pelo nome de José Dias Sena. Curioso: na fundação saía-se da Câmara para o Brados; depois passou-se a sair do Brados para Câmara.
Desde 1994 o jornal é dirigido por Inácio Grazina cujo mandato já leva 17 anos. Neste período o Brados foi-se transformando, sendo hoje um jornal verdadeiramente plural e um incómodo para os poderes pouco tolerantes. Está no bom caminho. Vida longa ao Brados.

Notas:

Petição Pela Construção da Variante de Estremoz do IP2

Petição Pela Construção
da Variante de Estremoz do IP2/EN 18

Para:
Assembleia da Republica;
Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

• Os estremocenses esperam há muitos anos pela construção da Variante de Estremoz ao IP2/EN18 que tarda em ser construída.

• A actual EN 18 atravessa uma importante zona habitacional e de serviços da cidade onde se encontram um hipermercado, o Centro de Saúde, a Escola Secundária Rainha Santa Isabel, o Centro de Emprego, a Escola Básica Sebastião da Gama, o Pavilhão Desportivo Municipal, as Piscinas Municipais, a Escola do 1º. Ciclo do Ensino Básico (Escola do Caldeiro), o Lar de Santo André, 3 acessos ao centro da Cidade, 1 acesso ao Centro Histórico (castelo) e vários acessos à importante zona habitacional de Mendeiros, entre outros.

• Os incómodos e os riscos para os cidadãos de Estremoz têm vindo a multiplicar-se e, no espaço de menos de 2 meses, dois jovens estudantes foram atropelados numa passadeira que atravessa a EN18, junto à Escola Secundária.

• A construção da Variante de Estremoz ao IP2 é uma obra urgente que serve os interesses colectivos da cidade e dos estremocenses e que não pode continuar eternamente adiada para servir os interesses de alguns.

Os cidadãos que assinam e apoiam esta Petição, pedem ao Governo que tome uma decisão urgente sobre o traçado da Variante ao IP2 que melhor sirva os interesses de Estremoz e dos estremocenses e que tome as medidas que concorram para a sua urgente construção.

Os signatários

 

Núcleo Museológico de CP - Opinião publicada

A perda do núcleo museológico da CP é algo que lamento profundamente mas que não me surpreende. O que me surpreendeu foi a polémica em torno da discussão deste assunto só agora ter surgido. De facto, esta perda já era expectável desde que o anterior executivo classificou a linha do caminho-de-ferro como “um garrote ao desenvolvimento da malha urbana” e, por conseguinte, como uma barreira física a eliminar. Quando soube de tal intenção pronunciei-me publicamente contra tal perspectiva no jornal Ecos, em Agosto de 2007, onde comparei a remoção da linha férrea à destruição da secção nordeste da muralha setecentista, justa e ironicamente, por esta, à época, também ter sido considerada um espartilho ao desenvolvimento urbano que impedia o acesso às ferrovias.

No ano passado, na reunião do dia 11 de Agosto, voltei a pronunciar-me contra a eliminação física da linha férrea, em protesto que consta da acta da sessão, defendendo que a regeneração urbana daquela zona da cidade era compatível com a manutenção de alguns carris para potenciar o seu aproveitamento turístico. Finalmente, na última reunião de câmara voltei a ser eu, uma vez mais, a pronunciar-me no mesmo sentido e foi na sequência dessa minha intervenção que a dita polémica se despoletou.

Ora, não podem agora os eleitos do PS dar ares de dama ofendida com este desfecho quando, na verdade, são os principais responsáveis pela situação que lhe deu origem. De facto, se há coisa que caracteriza o actual executivo é não apresentar ideias próprias, limitando-se a pôr no terreno, de forma acrítica, alguns projectos definidos no anterior mandato.