AS MULHERES DO MEU PAÍS
AQUI D´EL REI!

Dizia o anterior executivo camarário que não fazia sentido a linha porque estava desactivada e iria ser toda arrancada, segundo a decisão do governo PS da altura, pois não fazia sentido mantê-la.
Nessa mesma altura declarei ser contra tal arranque e demonstrei as possibilidades da sua manutenção, quer para transporte de passageiros, quer para transporte de mercadorias, para além do potencial turístico que poderia ser retirado daquele troço de caminho de ferro e dos envolventes.
Pouco tempo passado, surge o projecto da REFER, único decente, para o espaço da estação de Estremoz, no qual já se contemplava a manutenção do caminho de ferro no mesmo sitio onde seria construída uma avenida, mas só até à porta do museu.
A apresentação do referido projecto teve honras de Secretário de Estado, que veio a Estremoz expor a vantagens inegáveis da manutenção do caminho de ferro e da ligação à capital de Distrito por causa do TGV, mas só o troço a partir da estação de São Bento do Ameixial.
Naquela altura o executivo camarário era PS e o governo central também o era, tal como o era o Ministério da Tutela da REFER e tal como deveria ser o Conselho de Administração da REFER, como é de esperar.
Naquela altura estavam reunidas todas as condições para que houvesse a possibilidade de se manter a linha de caminho de ferro, mas fez-se exactamente o contrário, isto é, pugnou-se pelo progresso da ciclovia, muito mais avançada do que a ferrovia, com capacidades transcendentes que só o então executivo camarário sabia e percebia existirem.
No projecto da REFER também se contemplava a manutenção do museu da ferroviário existente em Estremoz, mas com a condição de se manter a linha. Todos sabíamos que a linha não era para manter, qual monstro do século XIX que urgia exorcizar, para dar lugar à recente descoberta da ciclovia, mais rápida, mais limpa e mais saudável para a população.
Naquela altura nada se fez em prol da manutenção do museu ferroviário, muito embora do discurso oficial saísse o contrário, o certo é que a posição do anterior executivo era a de arrancar o monstro de ferro e, por isso, não pugnou junto do seu governo, pela manutenção da linha de caminho de ferro e muito menos pela sua reactivação.
Agora, perante o facto que já se esperava, mais dia menos dia, aqui d’el rei que tiram o Museu Ferroviário de Estremoz! Não percebo. Então a ciclovia não era a maravilha das maravilhas da técnica e da ciência moderna? Então a ciclovia já não é o símbolo do progresso da civilização, do bem-estar social e económico?
Não percebo tanto alarido por uma morte que estava mais do que anunciada e começou a ser construída durante o mandato do anterior executivo camarário.
O PS, pela calada da noite, tudo fez para que este desfecho fosse inevitável e não são declarações de intenções que resolvem o problema
O PS preferiu a ciclovia, agora aqui d’el rei que me tiram a ferrovia!
Festival Tauromáquico de Estremoz
Breve História do "Brados"
- Publicado no Jornal Brados do Alentejo em 03Fev2011;
- Também publicado em ad valorem;
- Fotos do autor.
Petição Pela Construção da Variante de Estremoz do IP2
da Variante de Estremoz do IP2/EN 18
• Os estremocenses esperam há muitos anos pela construção da Variante de Estremoz ao IP2/EN18 que tarda em ser construída.
Núcleo Museológico de CP - Opinião publicada
- Opinão publicada no Jornal E
- Também públicado em ad valorem
FALECEU JOSÉ FLORES: MUSEU DE ESTREMOZ PERDE UM AMIGO
Ontem, 26 de Janeiro, pela tarde, faleceu António Flores. Este nasceu em Estremoz no ano de 1940, donde saiu muito cedo, mantendo no entanto uma ligação afectiva à sua terra natal.
Frequentou, já em Lisboa, a Escola António Arroio. Participou em várias exposições de gravura, nomeadamente na Exposição Comemorativa dos 20 anos da Sociedade de Gravadores Portugueses “GRAVURA”. Foi convidado a expor na I Bienal de Gravura da Amadora, apresentada a seguir no Porto, na Cooperativa Árvore e em Lagos. Participa na primeira exposição de pintura colectiva após o 25 de Abril de 1974, realizada na Galeria de Belém; na exposição “Novas Tendências do Desenho”, na Sociedade Nacional de Belas-Artes em 1986; expõe na Casa do Alentejo, numa selecção de 20 artistas alentejanos, 1989; exposição “O Papel” na SNBA em 1983; “Obras sobre papel”, 1997, “Pequeno Formato”; participa em várias exposições do Grupo Paralelo, de que foi um dos fundadores.
Exposições individuais: 1994-Galeria Municipal de Vila Franca de Xira; Galeria Municipal de Sobral de Monte Agraço; Galeria de Arte Moderna da SNBA, Lisboa. Foi membro da direcção da SNBA. Está representado no Museu Armindo Teixeira Lopes, Mirandela, de Vila Franca de Xira e no Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho. Tem obras suas em diversas colecções particulares.
A sua acção destaca-se na obra gráfica que lega e em Gravura, técnicas nas quais era um dos maiores especialistas em Portugal.
Recentemente, por limite de idade, tinha-se reformado e agora o seu objectivo era voltar a ligar-se à sua terra natal, fundando um pequeno atelier dedicado à Gravura.
O seu último trabalho foi realizar uma selecção, para a Festa do Avante de 2010, de obras da Colecção de Desenho do Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho, à qual estava de sobremaneira ligado, pela amizade que tinha a Rogério Ribeiro e pela sua acção dinamizadora de 1997. Nesse ano expos a colecção na Sociedade Nacional de Belas Artes, conseguindo algumas dezenas de doações de artistas portugueses de renome. Também agora esperava, através desta exposição, conseguir mais um conjunto de doações que enriquecessem a colecção. Aliás, havia mesmo um conjunto de ideias que esperávamos levar por diante, de modo a dinamizar o acervo e a projecta-lo nacionalmente.
A vida tem destes momentos trágicos. Uns dias antes do grave acidente que sofreu, estivémos a falar de projectos futuros - pessoais e ligados, como já disse, à Colecção de Desenho. Vi um homem cheio de energia. Vi futuro. Vi disponibilidade e um grande coração. Uns dias depois recebo da parte de Isaura Lobo a notícia do grave acidente. Esperei o pior. E o pior aconteceu ontem.
Fica na minha memória a imagem de um homem honesto, com vontade de abraçar ideais e ideias. Vontade de trabalhar para a sua terra e levar por diante o projecto que Rogério Ribeiro tinha para o acervo de Desenho.
Era esta a minha imagem de José António Flores. É esta a imagem que conservarei.
Hugo Guerreiro, Director do Museu de Estremoz
in museuestremoz.blogspot.com





