Breve História do "Brados"

No dia 1 de Fevereiro de 1931 saiu a 1.ª edição do jornal Brados do Alentejo. Na véspera tinham sido comemorados os 40 anos da revolta republicana do Porto. Coincidência? Talvez. O que não deixa de ser curioso é que o grupo fundador deste jornal – Marques Crespo, Niny Mexia, Goucha de Almeida, Acácio Palmeiro da Costa e Joaquim Ribeiro Gomes – eram todos adeptos da 1.ª República e comemoraram, até 1951, o aniversário do Brados a 31 de Janeiro e não, como seria de esperar, a 1 de Fevereiro. Este facto está comprovado através de gravações numa coluna em mármore na Tipografia Brados do Alentejo, Lda. – empresa constituída por dois sócios, Artur Assunção e António José Parelho, pela mesma altura.
O Brados surge num contexto em que o Estado Novo começava a dar sinais de ter vindo para ficar (ao contrário das inúmeras escaramuças que caracterizaram a 1.ª República). Marques Crespo tinha sido Presidente da Câmara de Estremoz e foi o golpe de Gomes da Costa e de Óscar Carmona que levou à sua substituição em 1926. Entretanto, um nome emergia da penumbra: Salazar. Em 1931, já não era Gomes da Costa quem metia medo… nem sequer Carmona… e a página 3 do Brados lá tinha a menção “Tem Visto da Censura”.
Marques Crespo dirigiu o jornal que fundou durante 20 anos, até Fevereiro de 1951. Interinamente foi o dono da tipografia, António José Parelho, quem lhe sucedeu na direcção no mês seguinte, para em Março entrar em cena, por 1 ano e ½, um novo director: João Falcato. O Brados estava a mudar. A 1.ª república estava cada vez mais longe... A exaltação do Alentejo continuava presente, o Brados continuava a ser uma referência cultural e literária – o último texto de Sebastião da Gama foi publicado 4 dias antes da sua morte – mas a inspiração política original estava a dissipar-se com a entrada de novas sensibilidades…
Em Outubro de 1952, André Brito Tavares iniciou o mais longo período à frente da direcção do Jornal. Foram quase 23 anos, atravessando os períodos do Rock ‘n’ Roll, da irreverência dos Teddy Boys, da revolução hippie e do Twist. A todos estes movimentos o jornal resistiu sem perder a sua identidade… só não resistiu ao Verão Quente de 1975. A edição do jornal entra num período letárgico, ressurgindo episodicamente numa 2.ª série, entre 1978 e 1979, da qual sobram dedos de uma mão para contar as edições publicadas. Director: novamente António José Parelho.
É no final de 1979 que surge a actual 3.ª série deste jornal que, entretanto, passou a ser propriedade da Casa da Cultura de Estremoz. O novo Director foi José Emílio Guerreiro, o qual deixou o cargo, em 1982, quando se candidatou à presidência da Câmara de Estremoz. Sucedeu-lhe outro futuro presidente de Câmara, entre 1982 e 1994, que dava pelo nome de José Dias Sena. Curioso: na fundação saía-se da Câmara para o Brados; depois passou-se a sair do Brados para Câmara.
Desde 1994 o jornal é dirigido por Inácio Grazina cujo mandato já leva 17 anos. Neste período o Brados foi-se transformando, sendo hoje um jornal verdadeiramente plural e um incómodo para os poderes pouco tolerantes. Está no bom caminho. Vida longa ao Brados.

Notas:

Petição Pela Construção da Variante de Estremoz do IP2

Petição Pela Construção
da Variante de Estremoz do IP2/EN 18

Para:
Assembleia da Republica;
Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações

• Os estremocenses esperam há muitos anos pela construção da Variante de Estremoz ao IP2/EN18 que tarda em ser construída.

• A actual EN 18 atravessa uma importante zona habitacional e de serviços da cidade onde se encontram um hipermercado, o Centro de Saúde, a Escola Secundária Rainha Santa Isabel, o Centro de Emprego, a Escola Básica Sebastião da Gama, o Pavilhão Desportivo Municipal, as Piscinas Municipais, a Escola do 1º. Ciclo do Ensino Básico (Escola do Caldeiro), o Lar de Santo André, 3 acessos ao centro da Cidade, 1 acesso ao Centro Histórico (castelo) e vários acessos à importante zona habitacional de Mendeiros, entre outros.

• Os incómodos e os riscos para os cidadãos de Estremoz têm vindo a multiplicar-se e, no espaço de menos de 2 meses, dois jovens estudantes foram atropelados numa passadeira que atravessa a EN18, junto à Escola Secundária.

• A construção da Variante de Estremoz ao IP2 é uma obra urgente que serve os interesses colectivos da cidade e dos estremocenses e que não pode continuar eternamente adiada para servir os interesses de alguns.

Os cidadãos que assinam e apoiam esta Petição, pedem ao Governo que tome uma decisão urgente sobre o traçado da Variante ao IP2 que melhor sirva os interesses de Estremoz e dos estremocenses e que tome as medidas que concorram para a sua urgente construção.

Os signatários

 

Núcleo Museológico de CP - Opinião publicada

A perda do núcleo museológico da CP é algo que lamento profundamente mas que não me surpreende. O que me surpreendeu foi a polémica em torno da discussão deste assunto só agora ter surgido. De facto, esta perda já era expectável desde que o anterior executivo classificou a linha do caminho-de-ferro como “um garrote ao desenvolvimento da malha urbana” e, por conseguinte, como uma barreira física a eliminar. Quando soube de tal intenção pronunciei-me publicamente contra tal perspectiva no jornal Ecos, em Agosto de 2007, onde comparei a remoção da linha férrea à destruição da secção nordeste da muralha setecentista, justa e ironicamente, por esta, à época, também ter sido considerada um espartilho ao desenvolvimento urbano que impedia o acesso às ferrovias.

No ano passado, na reunião do dia 11 de Agosto, voltei a pronunciar-me contra a eliminação física da linha férrea, em protesto que consta da acta da sessão, defendendo que a regeneração urbana daquela zona da cidade era compatível com a manutenção de alguns carris para potenciar o seu aproveitamento turístico. Finalmente, na última reunião de câmara voltei a ser eu, uma vez mais, a pronunciar-me no mesmo sentido e foi na sequência dessa minha intervenção que a dita polémica se despoletou.

Ora, não podem agora os eleitos do PS dar ares de dama ofendida com este desfecho quando, na verdade, são os principais responsáveis pela situação que lhe deu origem. De facto, se há coisa que caracteriza o actual executivo é não apresentar ideias próprias, limitando-se a pôr no terreno, de forma acrítica, alguns projectos definidos no anterior mandato.

FALECEU JOSÉ FLORES: MUSEU DE ESTREMOZ PERDE UM AMIGO



O meu amigo Zé Flores/José João Brito/Desenho a Carvão/35x25cm/1996/Colecção de Desenho do Museu de Estremoz/Inv: 1891-AP-91

Ontem, 26 de Janeiro, pela tarde, faleceu António Flores. Este nasceu em Estremoz no ano de 1940, donde saiu muito cedo, mantendo no entanto uma ligação afectiva à sua terra natal.

Frequentou, já em Lisboa, a Escola António Arroio. Participou em várias exposições de gravura, nomeadamente na Exposição Comemorativa dos 20 anos da Sociedade de Gravadores Portugueses “GRAVURA”. Foi convidado a expor na I Bienal de Gravura da Amadora, apresentada a seguir no Porto, na Cooperativa Árvore e em Lagos. Participa na primeira exposição de pintura colectiva após o 25 de Abril de 1974, realizada na Galeria de Belém; na exposição “Novas Tendências do Desenho”, na Sociedade Nacional de Belas-Artes em 1986; expõe na Casa do Alentejo, numa selecção de 20 artistas alentejanos, 1989; exposição “O Papel” na SNBA em 1983; “Obras sobre papel”, 1997, “Pequeno Formato”; participa em várias exposições do Grupo Paralelo, de que foi um dos fundadores.

Exposições individuais: 1994-Galeria Municipal de Vila Franca de Xira; Galeria Municipal de Sobral de Monte Agraço; Galeria de Arte Moderna da SNBA, Lisboa. Foi membro da direcção da SNBA. Está representado no Museu Armindo Teixeira Lopes, Mirandela, de Vila Franca de Xira e no Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho. Tem obras suas em diversas colecções particulares.

A sua acção destaca-se na obra gráfica que lega e em Gravura, técnicas nas quais era um dos maiores especialistas em Portugal.

Recentemente, por limite de idade, tinha-se reformado e agora o seu objectivo era voltar a ligar-se à sua terra natal, fundando um pequeno atelier dedicado à Gravura.

O seu último trabalho foi realizar uma selecção, para a Festa do Avante de 2010, de obras da Colecção de Desenho do Museu Municipal de Estremoz Prof. Joaquim Vermelho, à qual estava de sobremaneira ligado, pela amizade que tinha a Rogério Ribeiro e pela sua acção dinamizadora de 1997. Nesse ano expos a colecção na Sociedade Nacional de Belas Artes, conseguindo algumas dezenas de doações de artistas portugueses de renome. Também agora esperava, através desta exposição, conseguir mais um conjunto de doações que enriquecessem a colecção. Aliás, havia mesmo um conjunto de ideias que esperávamos levar por diante, de modo a dinamizar o acervo e a projecta-lo nacionalmente.

A vida tem destes momentos trágicos. Uns dias antes do grave acidente que sofreu, estivémos a falar de projectos futuros - pessoais e ligados, como já disse, à Colecção de Desenho. Vi um homem cheio de energia. Vi futuro. Vi disponibilidade e um grande coração. Uns dias depois recebo da parte de Isaura Lobo a notícia do grave acidente. Esperei o pior. E o pior aconteceu ontem.

Fica na minha memória a imagem de um homem honesto, com vontade de abraçar ideais e ideias. Vontade de trabalhar para a sua terra e levar por diante o projecto que Rogério Ribeiro tinha para o acervo de Desenho.

Era esta a minha imagem de José António Flores. É esta a imagem que conservarei.


Hugo Guerreiro, Director do Museu de Estremoz

in museuestremoz.blogspot.com

NÚCLEO MUSEOLÓGICO DA CP

O Núcleo Museológico da CP, sito na Estação de Estremoz, embora com peças de inestimável valor (inclusive uma das primeiras locomotivas a circular em Portugal) está encerrado de facto há muito tempo.
A inactividade da circulação ferroviária e o desmembramento da linha, tem ditado o seu abandono.
Os cortes nos Orçamentos Gerais do Estado tem feito o resto.
Ademais numa pequena cidade do interior alentejano como Estremoz esta decisão sabe bastante a interioricídio, a marginalização, a abandono…
Com o encerramento, as peças serão transferidas para outra localidade sem – ao que parece – se esboçar por parte do Município estremocense um sinal de protesto.
A dupla que nos tem governado nos últimos anos – Cavaco e Sócrates – não vai descansar enquanto o interior não encerrar de vez e definitivamente.
Pois que se faça um mega agrupamento de escolas em Lisboa e se transportem as crianças em gigantescos autocarros, pois que se fechem todos os museus do interior e se faça um único em Lisboa, pois que se fechem todas as maternidades da raia e se transportem as mães em magníficas ambulâncias pela auto-estrada fora até à capital.
Acabe-se com o Alentejo e transformem-se estas terras em gigantescas coutadas de caça para os srs do litoral, da governança e do poder se poderem deliciar com o ar puro e com a rusticidade dos que ainda por cá conseguirem sobreviver…
O comércio vai fechando portas não aguentando mais concorrências dos chineses, dos Belmiros e dos Jerónimos.
As casas vão caindo e o centro histórico vai passando “à história”.
Um destes dias privatizam os CTT e declaram Estremoz como não sendo apetecível do ponto de vista logístico e económico.
Depois privatizam a CGD e lá se vai mais outro anel, depois vão os dedos…
Quantos serviços públicos já fecharam em Estremoz? Lembram-se da loja da PT, da loja da EDP, por exemplo? Quantos mais vão fechar?
E o nosso inefável Presidente da Câmara, tem opinião sobre isto? Ou tanto lhe faz?

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AO QUE CHEGOU A JUSTIÇA!

Imagem retirada do blogue Visão Panorâmica.
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Já por diversas vezes escrevi sobre o facto de a justiça se encontrar numa situação pior do que a da saúde, só não tendo tanta visibilidade porque só quem dela se utiliza é que percebe o estado em que se encontra.
Muitas das decisões politicas que têm sido tomadas nos últimos anos contribuíram, não para resolver o problema, mas para o agravar, na ânsia de deixar um nome ligado a uma chamada reforma da justiça.
Quem exerce advocacia há mais de dez anos percebe perfeitamente a diferença, para pior, no que se tem tornado a justiça, num caminho descendente para o abismo ou mesmo para um buraco negro.
Alguns exemplos ajudam a perceber a situação actual da justiça.
A chamada reforma do mapa judiciário criou um problema maior do que aquele que queria resolver, uma vez que na intenção de quem o criou estava apenas uma questão economicista, julgando que os números traduzem uma realidade que não existe.
Entenderam os entendidos que juntando tudo no mesmo sitio se resolvia o problema. Nada de mais errado e a prática tem-no demonstrado abundantemente.
Outra das famosas reformas é desjudicialisar processos, isto é, retirar competências aos Tribunais e criar uma figura ao lado que aparece como salvadora da pátria para resolver os problemas da pendência, o que não é verdade, antes pelo contrário, tem criado mais problemas.
Um erro crasso, posto que a causa permanece inalterada, tal como se tivermos infiltrações em casa pintarmos as paredes e os tectos mas não repararmos o telhado. É certo e sabido que as infiltrações não desaparecem por efeito da pintura.
Outro dos erros monumentais foi transformar a taxa de justiça num verdadeiro imposto como forma de diminuir os processo entrados, o que sucedeu, mas os litígios não diminuíram, acentuando-se o conflito latente entre as pessoas.
A junção dos cofres dos Tribunais num Instituto de Gestão Financeira, promoveu o descalabro completo da gestão dos Tribunais. Outrora com dinheiro, passaram à penúria completa, descobrindo-se, depois que há contas do ITIJ que ninguém conhece de milhões de euros, etc, etc.
A gestão dos Tribunais hoje é um autêntico quebra-cabeças, pois o dinheiro que lhes é enviado não chega, sequer, para as despesas diárias e Tribunais há que ficaram sem telefone e internet por falta de dinheiro para pagar as contas, impedindo o seu funcionamento, uma vez que os processos são geridos por um sistema informático ligado em rede.
Um dos exemplos desta penúria em que se transformaram os Tribunais é o Tribunal de Estremoz, onde nem dinheiro para reparar o soalho há, estando remendado com fita adesiva de embrulho para que os tacos de madeira não saltem ou a chuva que cai na novíssima sala de audiências que, com menos de um ano ficou inutilizada e não pode ser utilizada.
Mas houve dinheiro para frotas de automóveis dos directores do ITIJ!
É confrangedor ver ao que chegou a justiça!
o

ESTREMOZ - Resultados das Eleições Presidenciais 2011