FERIADOS A MAIS?

Charlie Chaplin (1889-1977) em "Tempos Modernos" (1936)

Faz cem anos que a República foi proclamada. Estava-se no dia 5 de Outubro de 1910.
Os novos dirigentes do País procuraram criar uma cultura cívica e laica. Quer isto dizer que incentivavam a cidadania, a participação consciente de cada um, o culto pela História, e, claro, uma separação entre as esferas civil e religiosa.
Uma das suas preocupações foi colocar de forma lógica, no calendário, festividades, que se traduziram em feriados, que proporcionassem aos cidadãos ocasiões para celebrarem eventos de realce, que seriam também de reflexão cívica. Decidiram também permitir que continuassem a ser feriados uma série de festividades católicas.
Assim, para além do 5 de Outubro, data da proclamação do novo regime, alguns feriados, alguns provindos ainda da monarquia, receberam consagração oficial. Foi o caso do 10 de Junho (aniversário da morte do maior poeta português, Luís de Camões, representando o próprio País), e do 1.º de Dezembro (aniversário da libertação de Portugal do domínio de uma potência estrangeira, e, com a República, Dia da Bandeira).
A ditadura Salazarista respeitou estas datas, embora deturpando o sentido cívico das mesmas, e acrescentou-lhe o 28 de Maio. O 25 de Abril de 1974 veio restaurar esse sentido cívico, legalizar um feriado de significado mundial (o 1.º de Maio), e, claro, tornar feriado o 25 de Abril um feriado mais.
Na origem de todos estes feriados estão, pois, intenções, celebrações, eventos que a Portugal e à sua História e transformações políticas dizem respeito. Não são datas de "preguiça", nem tempo perdido, como não o são os Domingos e parcialmente os Sábados...embora os tempos recentes de capitalismo agressivo já tenham eliminado, em muitas "actividades", estes descansos semanais, que são basicamente uma conquista civilizacional. Na verdade, o ser humano não é uma máquina, precisa de tempo para si próprio.
Na Europa "comunitária", o número de feriados é variável. Há países que têm menos feriados do que Portugal. Outros há que têm mais.
Estamos a falar de países diferentes, de histórias e sensibilidades distintas. Não se podem fazer generalizações neste campo.
Mas eis que surge uma ideia bizarra... vinda, como vem, de elementos de um partido republicano. Eliminar feriados. Aproximar Portugal da média europeia neste campo. Juntar feriados a fins de semana (que para alguns já não existem), para evitar as "pontes". Ah!
Em nome da sacrossanta Produção e da saída da crise.
Em vão procuramos, vindos destes deputados, ideias para diminuir o fosso entre ricos e pobres em Portugal. Ou para melhorar a produção...num sentido qualitativo (que é o que faz realmente aumentar significativamente a riqueza), e não num sentido quantitativo. Ou para acabar com o escândalo dos "off-shores" e com a desigual distribuição da riqueza. É preciso é trabalhar, trabalhar, trabalhar. O ser humano não precisa de lazer. É apenas um mecanismo.
A pobreza cultural desta proposta é ainda mais exasperante quando se verifica que os feriados religiosos ficam intocáveis nas intenções destes deputados. Na verdade, para um não religioso, ou, talvez melhor, para um não católico, o que significa o dia do Corpo de Deus?
Não se pretende reabrir uma "Guerra" religiosa, mas não se compreende que, no centenário da República, se tentem abolir feriados de participação cívica e de memória histórica da colectividade, e se esqueça que, pela lógica laica do mesmo regime republicano, deveriam ser os feriados religiosos os primeiros a ser sacrificados!Perante a lógica economicista destas propostas, há que dizer, uma vez mais, que o trabalho deve proporcionar ao Homem o que ele necessita, e não transformar-se numa forma de o escravizar.
Façam-se propostas para distribuir melhor a riqueza nacional, de diminuir o fosso entre ricos e pobres, e proponham-se, pontualmente, dias de trabalho voluntário para isso. Se de facto essas propostas foram credíveis, se levarem a corrigir assimetrias e injustiças, muitos de nós (eu incluído) não se importarão de trabalhar um dia extra. Para alimentar um sistema económico que vê em cada cidadão uma peça duma máquina desumana que produz sem lógica e só para proveito duma economia demente, não vale a pena sacrificar as datas que cada ser humano, em particular, e que cada colectividade, em geral, foi consagrando... e que muitas vezes foram conquistas da nossa civilização.
Querem ver que ainda vamos voltar às 14 e 16 horas de trabalho do início da Revolução Industrial... lá no ano de 1800?
Estremoz, 11 de Dezembro de 2010
Carlos Eduardo da Cruz Luna

Bloco de Esquerda já tem Sede em Estremoz.

Luís Mariano no uso da palavra.
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No passado dia 28 de Novembro (domingo), o Núcleo de Estremoz do Bloco de Esquerda (BE), inaugurou a sua sede, situada no número 15 da Rua Capitão Mouzinho de Albuquerque. Ao acto iniciado cerca das 11 horas, compareceram cerca de 40 pessoas, entre militantes e simpatizantes.
Dando início às intervenções, Luís Mariano fez um balanço do trabalho do BE a nível local, criticou a política autárquica de Luís Mourinha e equacionou as tarefas que se põem aos bloquistas com a crise, manifestando a convicção de que a existência de uma Sede se traduza na melhoria da intervenção do Bloco, a nível de trabalho poítico.
Seguiu-se a deputada Catarina Martins que caracterizou a crise a nível global e nacional, apontando as tarefas que se põem aos bloquistas no actual contexto, que inclui ainda a batalha das Presidenciais 2011.
Terminadas as intervenções, seguiu-se um almoço de convívio num restaurante local, que incluiu no final, uma actuação do cantor popular Liordilho.
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A deputada do BE, Catarina Martins, durante a sua intervenção.
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O almoço de convívio que reuniu militantes e simpatizantes do BE.
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A actuação do cantor popular Liordilho.

Antes que seja tarde…

Um aspecto das casas degradadas no Largo do Espírito Santo.
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Várias Câmaras Municipais estão endividadas até às orelhas, como se costuma dizer.
O Município de Estremoz não está ainda na zona mais negra da lista, mas ao que tudo indica, o seu presidente – Luis Mourinha – tudo está disposto a fazer para colocar nos ombros de cada estremocense, mais uns milhares de euros de dívida…
A compra indiscriminada de imóveis, as iluminações de Natal, os projectos megalómanos como a Zona Industrial de Arcos, etc., são exemplo do que não se deve fazer em tempos de crise.
Vários municípios já cortaram nas iluminações de Natal, mas por cá vamos sorrindo e andando em frente…
São os próprios comerciantes a afirmar que o dinheiro que se gasta nestas coisas era melhor estar nas mãos das pessoas…
Dezenas de milhares de empresas declaram falência, mas Mourinha quer uma zona industrial em Arcos e “loteamentos” para comércio e serviços em Veiros.
Diz ter encontrado uma dívida municipal maior do que esperava, mas atira-se a comprar imóveis sem conta nem medida, aumentando essa mesma dívida.
Poupar em tempos de crise é ter a imaginação suficiente para não gastar acima das nossas possibilidades enquanto concelho do interior, sem tecido industrial forte e sem recursos assinaláveis.
Poupar em tempos de crise é criar um plano concelhio de recuperação das casas degradadas que dê casa a quem dela precisa, que dê emprego aos pequenos empresários ligados à construção civil e que mude radicalmente o aspecto desta cidade que é linda mas tão mal tratada pelos vários poderes municipais e centrais.
Poupar é criar emprego.
Criar emprego é apoiar os micro empresários e trabalhadores por conta própria.
Poupar não é chegar a Novembro e poupar nos post’it ou nas esferográficas.
O que se espera da liderança municipal é que saiba evitar os maiores “apuros” em datas limite e situações críticas.
Mas poupar não pode ser à custa dos direitos dos trabalhadores municipais ou dos subsídios de acção social.
Poupar é não gastar e é para hoje.
Amanhã será tarde de mais.

Luis Mariano

CONFERÊNCIAS ALÉM TEJO


PROGRAMA

14.15 – ABERTURA (Dr. Luís Assis)
14.30 - O TURISMO E O INTERIOR: PERSPECTIVAS PARA O SEU DESENVOLVIMENTO (Dr. Telmo Correia)
15.00 - DEBATE
15.15 - AGRICULTURA NO ALENTEJO: NOVAS PERSPECTIVAS DE FINANCIAMENTO (Dr. Luís Valente)
15.45 - DEBATE
16.00 - SEGURANÇA: NECESSIDADES DAS FORÇAS POLICIAIS NO INTERIOR, SUA REORGANIZAÇÃO (Dr. Nuno Magalhães)
16.30 – DEBATE
16.45 - SAÚDE E CUIDADOS PALIATIVOS: UMA NECESSIDADE NUMA POPULAÇÃO ENVELHECIDA (Dra. Isabel Galriça Neto)
17.15 - DEBATE
17.30 - O PROBLEMA DO EMPREGO E O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO NO INTERIOR: PERSPECTIVAS E FORMAS DE RESOLUÇÃO ( Dr. Luís Pedro Mota Soares)
18.00 - DEBATE
18.15 – ENCERRAMENTO (Dr. Paulo Portas)
19.30 – JANTAR DE NATAL DA DISTRITAL DE ÉVORA COM A PRESENÇA DO DR. PAULO PORTAS


Conferência: Gratuita, mediante contacto prévio para inscrição
para o tlf: 964370614 – 919316103 – mail: distritalevora.cds@gmail.com
(Entrada mediante inscrição prévia obrigatória e sujeita à capacidade da sala)
Jantar: por pessoa €: 18,00 – jantar buffet
Local e Data: Évora, Hotel Évorahotel, 18 Dezembro 2010
Organização: CDS-PP
Destinatários: militantes e simpatizantes

COMO SE VAI DE DUARTE PIO À UNIÃO?


Duarte de Bragança, em entrevista à Lusa no dia em que comemoramos a restauração da independência, mais uma vez (repete-se muito), disse que a República foi uma perda de tempo e que a monarquia poderia ter proporcionado a Portugal as mesmas realizações que a aquela. Diria eu que à Monarquia não faltou tempo para o demonstrar e parece que também o perdeu.
Não me interessa o que diz Duarte Pio, nem por que razão ainda o vão ouvir. Na verdade nem é o meu ponto de partida, o 1º de Dezembro , dia do ano em que comemoramos a restauração da independência em 1640 e nos demarcámos do domínio dos Filipes que me importa, mas o tema que dali, em associação livre, me apareceu, e que foi o 1º de Dezembro de 1977, marco de um renascimento que na minha história pessoal, como na doutros, aparece misturada com o Hino da Restauração. Nesse dia, depois de aprendido o solfejo e as primeiras notas num instrumento sob a batuta do saudoso Mestre Genaro Manteigas, a Banda saiu à rua com um bando de miúdos e seguramente muitas fífias que os músicos seniores da União tentaram abafar e apoiar. Tocou-se o Hino da Restauração. Eu estava lá, do lado das fífias (é claro). Esse 1º de Dezembro marca o que foi o ressurgimento da Banda da União (como conhecemos a Banda Municipal de Estremoz), que está aí, sempre a ensinar música aos estremocenses, desempenhando na formação dos que têm a sorte de por lá passar um papel inestimável, a troco de quase nada que não a dedicação.
Dos colegas que tive na União muitos tinham talento e deles alguns encontraram, a partir do que ali aprenderam, uma carreira profissional que, diga-se também, alguns puseram ao serviço daquela Casa que estimam, ensinando às crianças de Estremoz uma das mais sublimes artes.
Outros, como eu, já lá não estão, mas está com eles, como comigo, o muito que ali aprenderam. O conhecimento é um tesouro de que nos apropriamos e eu, que o valorizo, posso testemunhar que, na vida, me serviram os saberes que ali me ofereceram, sem dar nada em troca, a não ser o meu reconhecimento e muita saudade.
Também não interessam os meus estados de alma e não perderia tempo com eles se não estivesse segura de que a União, como as restantes Filarmónicas do concelho, desempenham um papel na educação e formação musical das nossas crianças que é precioso e que está ali, para todos, sem excepção, uma oportunidade de conhecimento, de descoberta de talentos e de destinos a que devíamos dar mais atenção. E, além de tudo isto, fazem muito mais.
Cumpro assim o estranho itinerário que me levou de Duarte Pio à União.

Foi publicado no nº 16 Jornal E de Estremoz, de 03 de Dezembro de 2010

A ESQUECIDA!


A estrada que liga Estremoz a Sousel, EN 245, pode considerar-se a estrada esquecida ou a vergonha de todos, poder local e central, pelo estado que apresenta há já vários anos, em parte do troço Estremoz/Sousel.
A mesma estrada, EN 245, após Sousel nem parece a mesma, nem parece ser a continuação da mesma estrada, tal é a diferença que apresenta, mas o mesmo se pode dizer do troço de Estremoz ao cruzamento de Santa Vitória do Ameixial.
Até Santa Vitória do Ameixial a estrada foi objecto de recuperação e alargamento, mas, repentinamente e vá-se lá saber porquê, ali ao virar da curva (no verdadeiro sentido da palavra), eis que a mesma estrada passa a ser um caminho de cabras autêntico, estreitinho, cheio de buracos e remendos sobre remendos de alcatrão, curvas mal desenhadas, onde não passam em sentidos opostos duas viaturas pesadas.
É exactamente o troço que atravessa a serra de Sousel que se nos apresenta pela frente neste estado deplorável de conservação e de falta de modernização, tornando-a perigosa para quem nela circula, parecendo que se trata de uma estrada do lá vai um, quando há muita auto-estrada com menos movimento que a velhinha EN 245.
E menos se percebe porque é que no mandato do anterior executivo camarário nada se fez, tendo em conta que o partido político no poder era o mesmo! Foi mais um momento desperdiçado para se aproveitar para pressionar o governo central e as Estradas de Portugal a resolverem o assunto.
Parece que é uma estrada sem importância nenhuma, mas é importante, pois faz a ligação entre o concelho de Estremoz e Sousel no mais curto trajecto e é a ligação mais próxima que Sousel tem da auto-estrada A6, com saída a escassos metros da EN 245.
Tal significa que a sua localização estratégica é fundamental para o desenvolvimento de Sousel. Mas não se pense que só Sousel beneficiaria da recuperação deste troço da EN 245, porque Estremoz também beneficiaria, tendo em conta que a maior parte dos residentes de Sousel faz a sua vida em Estremoz.
Seria, por isso, um claro exemplo de melhoria de vida para todos, para além de ser da mais elementar justiça que este troço fosse recuperado, à semelhança de todo o restante percurso, que já foi alvo de recuperação e beneficiação.
Mas pode pensar-se que estou a falar de alguma barbaridade de quilómetros, mas não, estou a falar de cerca de 4 quilómetros que necessitam das referidas obras.
Esquecida há anos e preterida em relação às demais estradas, a EN 245 merece a atenção do executivo camarário e do poder central, mais concretamente, das Estradas de Portugal, por se tratar e uma estrada nacional.
Será bom e importante que o actual executivo diligencie para que este pequeno troço da EN 245 seja recuperado, reabilitado e beneficiado, à semelhança do que já aconteceu na parte restante do seu percurso, pois é uma obra importante que urge realizar.
Será que Estremoz não percebe, ou não quer perceber que más ligações desviam os potenciais consumidores para os concelhos vizinhos? Perde Estremoz e perde o comércio estremocense.
Há pois que pressionar as Estradas de Portugal para realizar a obra.
Pior que esquecida é cair no esquecimento!

Luís Assis
Publicado também na edição nº 749 do jornal Brados do Alentejo

ESTREMOZ PELA VIDA CONTRA A PENA DE MORTE!