Parabéns Evoramonte

O Castelo de Evoramonte  foi considerado uma das 7 Maravilhas do Alentejo.





Evoramonte e os evoramontenses estão de parabéns.

Como estão de parabéns:

o seu presidente da Junta de Freguesia, Bruno Oliveira;
o presidente da LACE - Liga dos Amigos do Castelo de Evoramonte, Eduardo Basso;
o município de Estremoz;
e todos aqueles que têm contribuído, de uma forma ou de outra para a manutenção e divulgação daquela preciosidade.

Caros leitores,

Subam a Evoramonte
e deliciem-se com a deslumbrante paisagem que se avista da torre do Castelo.

Totós

Tenho para mim que há brigas que não fazem sentido. As greves em França por causa do adiamento da idade da reforma de 60 para 62 anos enquadram-se nesta categoria. Curiosamente, a Alemanha já tomou este ano idêntica medida – adiando a idade de reforma dos 65 para os 67 anos – e, ao contrário do que está a acontecer em França, tal acção não provocou tanto alarido. Eu compreendo que na óptica individual daqueles que estão à beira duma reforma em relação à qual alimentaram expectativas, esta greve até faça sentido. Porém, se as pessoas pensarem um pouco facilmente concluem pela tremenda injustiça deste modelo relativamente ao futuro dos seus filhos e netos.
A explicação é simples: se alguém quiser, sem a intervenção do Estado, amealhar a sua própria reforma, vai precisar de 47 anos de poupanças para conseguir uma pensão de valor igual ao do último vencimento enquanto activo. Isto num contexto de uma esperança de vida de 80 anos. Isto sem pensar nos outros, ou seja, sem qualquer tipo de solidariedade social, sem dias de baixa, sem nunca estar desempregado, sem nunca obter qualquer tipo de apoio médico ou medicamentoso subvencionado pelo Estado.
Perante este cenário – que se tem vindo a agravar, com o prolongamento da longevidade – não consigo descortinar qualquer razão pertinente, dotada de um mínimo de racionalidade, que explique o motivo pelo qual vejo jovens de 20 e poucos anos a darem o seu apoio às greves em França. Será que aqueles totós ainda não entenderam que só estão a prejudicar-se a si próprios? Um jovem de 21 anos que comece agora a trabalhar, se depender só de si próprio e se não houver nenhum azar, só aos 68 anos poderia aspirar à reforma. Agora vamos lá abrir a pestana: se ele consentir que os mais velhos se reformem aos 60 anos, então isso significa também que 8 dos seus anos vão ser dados a outro, logo ele só vai conseguir reformar-se aos 76. Em alternativa, reforma-se também aos 60 anos mas leva a pensão correspondente a menos 16 anos de contribuições (8 dele + 8 daquele por quem agora está a fazer greve) e “contenta-se” com uma reforma de cerca de 33% do valor do último vencimento. Ah valentão, acabaste de fazer figura de urso...
Aliás, Sarkozy também está a ser totó... Deixemo-nos de tretas, o actual modelo de pensões é inviável, portanto, mudem-se as regras e acabe-se de vez com a idade da reforma. Cada um reforma-se quando quiser, contando para o efeito com 2/3 das suas próprias contribuições e ainda com a sua quota-parte do remanescente de um fundo de solidariedade social criado (com 1/3 de todas as contribuições) para acudir, em primeiro lugar, aos verdadeiramente necessitados. Se chega, tudo bem; se acha pouco, trabalhe mais tempo. Com um modelo destes ainda se salvaria alguma solidariedade social e impedir-se-ia a tremenda injustiça que actualmente está a ser cometida sobre os mais jovens, que sendo cada vez menos trabalham para cada vez mais.

Publicado na edição n.º 747 do Jornal Brados do Alentejo (28Out2010);
Também publicado em ad valorem;
As imagens foram colhidas nos sítios para os quais remetem as respectivas hiperligações.


Enfrentando a realidade


A história é simples de contar e de compreender. Portugal chegou à Europa em 1986 com um atraso estrutural, muitos problemas económicos e sociais por resolver, e uma baixa produtividade. Para superar estas sérias deficiências, a Europa mandou umas ajudas muito generosas. Infelizmente, todos esses avultados recursos foram essencialmente consumidos, e só em muito menor medida investidos e utilizados na recuperação do atraso estrutural. O nível de vida dos portugueses melhorou, mas não a sua produtividade. Os portugueses gostaram tanto que votaram em quem lhes prometeu dinheiro fácil e um nível de vida de país rico.
Quando os fundos europeus deixaram de ser suficientes para financiar uma economia profundamente estagnada, de baixa produtividade, mas com um nível de vida de país rico, Portugal descobriu o endividamento externo. Beneficiando do euro e das taxas de juro muito baixas, os portugueses, as empresas, e o Estado tudo financiaram com o dinheiro dos outros. Quando rebentou a crise financeira, Portugal encontrava-se na delicada posição de ter passado uma década economicamente estagnada mas generosamente financiado pelos mercados financeiros internacionais. Uma década em que os portugueses votaram alegremente em quem lhes disse que o endividamento externo nunca seria um problema.
Agora com as taxas de juro muito mais altas e sem ter feito nenhum esforço na recuperação do atraso estrutural desde 1986, Portugal encontra-se no abismo de uma economia estagnada e fortemente endividada, num processo de empobrecimento relativo. Uma crise económica e social mais grave que qualquer experiência dos últimos trinta anos.
A responsabilidade de Sócrates tem limites. Ele herdou uma bola de neve produzida pelo populismo dos seus antecessores, nomeadamente Cavaco e Guterres. Ele foi possivelmente o primeiro-ministro que mais fez para travar essa bola de neve, mas o que fez foi insuficiente, e depois perdeu-se nas loucuras eleitoralistas
E agora? Como e quando sairemos do buraco onde estamos metidos? Sinceramente acho que não vamos sair nos próximos dez anos. A década de 2010-2020 será de baixa produtividade, sem o generoso financiamento externo, portanto com uma grave redução do nível de vida dos portugueses. Esperam-nos anos muito duros.
Se os portugueses aprenderam a lição, nas próximas eleições esperam-se políticos com coragem, que digam a verdade, que saibam esclarecer que os próximos dez anos vão ser maus, e o que está em causa é fazer aquilo que não se fez em vinte anos para que a próxima geração possa viver melhor. Se o PS e o PSD voltarem com o discurso eleitoralista, das falsas promessas, das soluções milagrosas que acabam com a crise em 2013 ou 2014, e se os portugueses voltarem a votar nisso, então muito dificilmente teremos um futuro para oferecer aos nossos filhos. Não vale culpar os políticos por tudo o que corre mal. Eles apenas dizem o que os portugueses querem ouvir.

CENTRAIS DE BIOMASSA!

Volto ao tema das centrais de biomassa a propósito do relatório sobre a área de floresta ardida este ano, que aponta para cerca de 126 mil hectares, porque entendo que é uma forma de invertermos esta situação.
As centrais de biomassa caracterizam-se pela produção de energia limpa com recurso aos desperdícios florestais e agrícolas, que servem como fonte de combustão para produção de energia eléctrica.
A criação de centrais de biomassa no interior do país tem várias utilidades e, desde logo, a de ser um pólo de inversão da desertificação, de criação de riqueza, de postos de trabalho e a de contribuir para uma nova gestão da floresta.
O investimento em centrais de biomassa no interior do país, estrategicamente colocadas, permite a ampliação da oferta de emprego, não só para os postos de trabalho da própria central, como também pelo facto de criar uma nova apetência na gestão da floresta, uma vez que a sua matéria prima é precisamente a biomassa produzida pelas florestas e pela agricultura.
A necessidade desta matéria-prima irá gerar uma nova apetência pela limpeza das florestas, tornando-a rentável, posto que a biomassa passará a ser geradora de rendimento, podendo, inclusivamente, criar novas áreas de actividade geradoras de emprego.
Com o desenvolvimento ou ressurgimento desta área de actividade, as florestas passarão a ser cuidadas e limpas, para além do facto de, passarem a ter, quase permanentemente, pessoas que nela circulam, o que, do ponto de vista da prevenção de incêndios é fundamental.
A criação deste ciclo económico, gerador de rendimento, é, por sua vez, um factor importante na diminuição da factura energética do país, pois ao introduzir energia eléctrica na rede pública de origem limpa, fará diminuir a factura da sua importação, bem como a das alternativas do petróleo e carvão.
A vantagem em termos ambientais é evidente, pois produzimos energia que não é poluidora nem geradora de CO2, que, por sua vez, contribui para a manutenção de floresta, também ela, como todos sabemos, consumidora de CO2, alcançando-se, assim, dois objectivos, quais sejam, não produzir CO2 e, simultaneamente, manter a capacidade de absorção de CO2 pela floresta.
Construímos, assim, um ciclo económico completo, desde a sua produção até à sua comercialização, passando pela transformação da matéria-prima, que trará aumento da riqueza ao país e uma diminuição das importações, contribuindo, simultaneamente, para a criação de investimento, postos de trabalho e, não menos importante, um novo olhar para a gestão florestal com ganhos efectivos.
Este ciclo combinado será um importante elemento de prevenção dos fogos florestais, promoverá a limpeza da floresta, diminuindo assim, drasticamente, o flagelo dos incêndios florestais a que todos os anos vimos assistindo.
Paralelamente fará ressurgir o povoamento de zonas desertificadas, com óbvios ganhos em termos humanos e de vivência do território nacional, gerando novas oportunidades de emprego para populações já de si depauperadas e sem perspectivas de vida.
Nesta fase de relançamento da actividade económica o investimento em centrais de biomassa é um importante factor gerador de riqueza a todos os títulos.
Haja vontade política de criar as condições para que as mesmas possam ser instaladas.

SALVEM OS RICOS, AJUDEM OS MILIONÁRIOS.



POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL


Postado por Hernâni Matos

A 4.ª República

A 4.ª República vai ser, espero eu, um regime presidencialista. Sobejam razões para podermos considerar o actual modelo semipresidencial (ou semiparlamentar, como lhe queiram chamar, que em qualquer caso continua a não ser nem carne nem peixe) desadequado às necessidades da democracia portuguesa. Se dúvidas houvesse, bastava ter ouvido o início do último “Prós e Contras” (sim, só vi o início) com Eanes, Soares e Sampaio, para elas se dissiparem…
O primeiro defendeu uma terrorista pedagógica conhecida por Milú, a qual é a principal responsável pela instituição do “faz de conta” no ensino. O segundo disse que a crise que se vive actualmente não é exclusiva do país, parecendo desculpabilizar a governação socialista pela mais longa crise continuada (já leva quase dez anos) de há 80 anos para cá, essa sim um triste exclusivo nosso. O terceiro procurou justificar às massas a sua célebre frase do “há mais vida para além do défice” (sem a referir expressamente), confirmando agora que ainda não percebeu a essência do problema económico que afecta o país.
Por outro lado, todos estes Doutores Honoris Causa constituíram, cada um a seu tempo, a causa de crises políticas em Portugal. O caricato deste modelo é que o Presidente da República é suposto ser o garante da estabilidade, da conciliação, do avir entre partes desavindas… e o que foram eles? Eanes fez a folha a Soares, a ponto do partido deste ter ficado reduzido a 18%... Soares era o seu inimigo de estimação. Soares desforrou-se logo de seguida ao conseguir sentar-se na cadeira presidencial e fez Cavaco cozer em lume brando preparando a entrada triunfal de Guterres… Cavaco era o seu inimigo de estimação. Sampaio fez de Santana o seu inimigo de ocasião, estendendo o tapete a um quase engenheiro que dá pelo nome de Sócrates, a quem não são conhecidas trapalhadas nem tampouco sobre ele recaem quaisquer suspeitas… Por fim Cavaco ajustou contas com Soares fazendo crer que a sua formação e experiência na área económica iriam ser fundamentais para fazer face aos momentos difíceis que se adivinhavam… e vejam lá do que é que isso nos valeu.
Em síntese, o verdadeiro problema não está sequer nas pessoas, as quais acabam por agir em conformidade com a natureza do confronto político que este modelo proporciona. Ou seja, o Presidente vai a jogo sempre com trunfos e descarta-os a seu bel-prazer sempre que entende conveniente fazê-lo. Dito de outro modo, o presidente ganha sempre ou quase… (é preciso não esquecer que Sócrates esteve quase a ganhar uma partida de bisca lambida com a cena das escutas na presidência).
E é disto que nós precisamos, pergunto eu? Não! Na 4.ª República, o líder do governo será também, espero eu, o presidente da nação! Assim, sem álibis nem interferências.
Publicado na edição n.º 746 do Jornal Brados do Alentejo (14Out2010);
Também publicado em ad valorem;
As imagens foram colhidas nos sítios para os quais remetem as respectivas hiperligações.