Os pombos vadios

Publicado no Jornal ECOS (edição nº 88, de 1 de Julho de 2010)  
(Coluna: O FRANCO ATIRADOR)

Esta coluna vai falar hoje de “pombos vadios” ou “pombos de cidade”, que são aves distintas dos “pombos-correios” e dos “pombos bravos”.

DANOS CAUSADOS PELOS POMBOS VADIOS

Os pombos vadios desalojados maioritariamente da Torre dos Congregados e do Edifício da Câmara Municipal, acoitaram-se em edifícios com telhados abatidos e janelas partidas, como é o caso, entre outros, dos edifícios da antiga firma Luís de Sousa Duarte Campos, do CDCR, do Círculo Estremocense, do Palace Hotel e do Museu da Alfaia Agrícola. Dali partem à conquista de comida e mais território, conspurcando tudo com fezes.
Cada pombo produz cerca de 12 quilos de fezes por ano, contendo 17% de ácido fosfórico e 3,3% de ácido sulfúrico. Alguma dessas fezes são expulsas nos locais abandonados onde se asilam, vivendo aí no meio da porcaria. Essas fezes causam incómodos de ordem sanitária e higiénica e estão na origem de doenças que podem ser transmitidas ao homem.
As fezes podem cair em cima dos transeuntes, sujam a roupa nos estendais e espaços públicos, como a rua, os bancos de jardim, etc.
As fezes, de natureza ácida, corroem metais, descoram pedras e pinturas de edifícios, apodrecem madeira, danificam coberturas, provocando infiltrações, assim como as pinturas dos automóveis de forma irreversível.
As penas, sós ou conjuntamente com as fezes, entopem algerozes, caleiras e ralos. Se são diminutos os riscos de saúde pública, o mesmo não se poderá dizer da “saúde” dos telhados habitados pelos pombos da cidade, que não pediram para ser adubados e vêem a sua capacidade de escoamento diminuída.
Os pombos nidificam e reproduzem-se com muita rapidez. Podem fazer ninhos por detrás de aparelhos de ar condicionado, contaminando a qualidade do ar. Ou então em algerozes, provocando o seu entupimento e subsequentes infiltrações no interior dos edifícios.
Os pombos podem também transmitir doenças ao homem. De facto:
- a inalação de partículas de poeiras provenientes de excrementos secos, causa infecções agudas no sistema respiratório.
- a ingestão de alimentos crus ou mal cozinhados, contaminados com fezes de pombos, causa gastroenterites graves.
- a inalação de aerossóis das fezes provoca tuberculose aviária.
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POMBOS-CORREIOS
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Nada temos contra os pombos-correios, que são atletas de competição, devidamente alimentados e tratados pelos seus proprietários, que têm os seus próprios pombais, sendo a columbofilia uma actividade desportiva devidamente regulamentada por lei. De facto, a Federação Portuguesa de Columbofilia impõe aos columbófilos que vacinem os pombos-correios contra a “doença de Newcastle”, uma patologia altamente contagiosa que afecta as aves em geral e em particular os pombos vadios, os pombos bravos e os pombos-correios. Contudo, só estes últimos são vacinados, tendo os columbófilos que fazer obrigatoriamente prova dessas vacinas junto da respectiva Federação. Facultativamente, há ainda columbófilos que vacinam os pombos contra a “sarna”.
Os pombais dos columbófilos são frequentemente limpos e desinfectados com produtos químicos, pois quando não há largada, os pombos-correios estão fechados no pombal, aí deixando os excrementos. A vagabundagem nos telhados ou nos campos é contrária à prática columbófila uma vez que os pombos-correios podem contrair doenças ou ser mesmo envenenados. Do exposto se conclui que os pombos-correios não nos causam problemas. Os nossos problemas são causados pelos pombos vadios.
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MEDIDAS A TOMAR
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A nosso ver, o actual Executivo Municipal, deveria fazer o seguinte:
1 – Fazer um levantamento exacto da situação;
2 – Intimidar pelos meios legais, os proprietários de edifícios degradados onde se alojam os pombos vadios, para que visando medidas sanitárias e higiénicas, entaipem os buracos dos respectivos edifícios, para obrigar os pombos a regredir para os campos;
3 – Assumir a Câmara essa tarefa, no caso dos proprietários não responderam à intimidação, cobrando-lhes coercivamente essas despesas “à posteriori”;
4 – Dissuadir a população de dar de comer aos pombos vadios, o que para alguns, como os frequentadores do quiosque frente à Câmara, é um passatempo;
5 – Encarregar alguém de capturar os pombos vadios com armadilhas, como foi feito pela Câmara Municipal de Évora;
6 – Distribuir aos pombos vadios comida tratada quimicamente, que sem os matar, impeça a sua procriação, fazendo-os regredir em número. Assim procedeu com êxito a Câmara Municipal de Lisboa.
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UM CASO PARTICULAR
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Um caso gritante é o Palácio da Justiça de Estremoz, onde é farta a provisão de andorinhas nos beirais e nichos do edifício e onde se instalaram também os pombos vadios.
É desejável que a entidade que gere o Palácio da Justiça, possa reunir condições que lhe permitam concluir a necessidade de aplicação de rede em polietileno transparente e espigões em aço com base em PVC, aplicáveis com silicone. Isto tem sido feito em muitos edifícios públicos. A nível de edifícios ligados à Justiça temos conhecimento dos Tribunais Judiciais de Abrantes, Aveiro e de Figueira de Castelo Rodrigo. É de realçar que existindo aves como as andorinhas, que são espécies protegidas, a aplicação de sistemas dissuasores como os referidos não provoca qualquer tipo de dano às aves, limitando-se a impedir que as aves pousem e nidifiquem nos locais protegidos. Para tal, os sistemas são aplicados fora do período de nidificação e cumprindo integralmente as leis do Instituto de Conservação da Natureza.
Julgamos que pedir isto a quem tem poder para o resolver, não é pedir demais. E não digam que o país está em crise. A crise não pode servir de pretexto para um deixa andar. A sanidade, a higiene e o bem-estar dos cidadãos, não podem ser deixados para trás numa escala de prioridades.

NEWSLETTER E

JORNAL E - edição 5 - JÁ NAS BANCAS

FALSO PROBLEMA
José Oliveira, Presidente da Segurança Social do Distrito de Évora, GARANTE: "A população de etnia cigana representa menos de 5% dos beneficiários do rendimento minimo e através desta medida têm frequentado o ensino regular, têm tido acessos a cuidados de saúde e melhorado a sua inserção na comunidade."

Contrato foi por água abaixo
Estremoz sai da empresa Águas do Centro Alentejo

João Sardo
Vice-campeão nacional de hóquei em patins

ESSÊNCIA
Boletim Informativo do Recolhimento de Nossa Senhora dos Mártires em destacável de 4 páginas

Destacamos ainda nesta edição...

O Dia em que o ponto final chamou José Saramago - Página 4

Olivença é nossa - Página 7

Forcados Amadores de Sousel apresentam-se Sábado - Página 8

Mais saúde em Cano e Casa Branca - Página 10

Classe de Ballet do Orfeão de Estremoz "Tomaz Alcaide" encerra ano lectivo - Página 11

José Gonçalez entrevista Camané em "À Volta do Rossio" - Página 15

A Bola já rola - Torneios de Verão animam noites de Verão - Página 19

Pode encontrar estas e outras notícias ao longo das 28 páginas do Jornal E nº 5
JÁ NAS BANCAS

O excerto mais famoso de "A queda"


Já quase toda a gente viu este excerto do filme "A queda". Porém, também quase todos o viram com legendas parodiadas, ou a falar de vuvuzelas, da Meo e da Zon, ou a falar da Ministra Milú Rodrigues, ou ainda de qualquer outra coisa. Seja qual for o motivo da chacota, tem sempre piada, ainda que tal piada esteja longe de ser original.
Começou por ser uma promoção de marketing do iPad 3G, à qual a Constantin Film AG reagiu banindo tal vídeo do Youtube (aliás o que tem continuado a fazer com todas as outras paródias que lhe sucederam).
Se a Constantin Film não banir também este vídeo, quem não conhece ficará agora com a possibilidade de saber aquilo que alegadamente estaria Hitler efectivamente a dizer nesta soberba interpretação de Bruno Ganz.

27º Aniversário da Associação Filatélica Alentejana


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A Associação Filatélica Alentejana (AFA) assinala no próximo sábado, dia 3 de Julho, os seus 27 anos de existência, inaugurando pelas 12 horas, na Sala de Exposições do Centro Cultural Dr. Marques Crespo, em Estremoz, o Salão Filatélico FILAMOZ 2010. Esta Mostra é constituída por 30 participações de um quadro das diferentes classes filatélicas, pertencentes a filatelistas de todo o país, que irão disputar entre si a posse do TROFÉU DR. ANÍBAL QUEIROGA 2010. O vencedor será o expositor que receber mais votos do público. A votação decorrerá entre as 12 e as 13 horas, sendo sorteado um brinde surpresa entre todos os participantes na votação.

Um aspecto do Salão Filatélico FILAMOZ no ano passado
(Fotografia de José Cartaxo)

No local funcionará também um posto de correio provido de carimbo comemorativo, representando o distinto filatelista eborense Dr. Aníbal Queiroga, já falecido. Será emitido um selo personalizado com o seu busto, desenhado pelo Dr. Jorge Branco e editado um postal máximo triplo, que é simultaneamente um inteiro postal repicado.

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Pelas 13 h 30 min terá lugar o almoço comemorativo do 27º Aniversário da AFA, no Até Jazz Café.

Um aspecto do almoço de aniversário no ano passado
(Fotografia de José Cartaxo)

No final do almoço será entregue o TROFÉU DR. ANÍBAL QUEIROGA 2010, ao respectivo vencedor. Será ainda entregue o TROFÉU AFA PARA 2010 ao associado João Soeiro, que pela sua acção pessoal tem prestado serviços relevantes à Filatelia Portuguesa, contribuindo para o seu desenvolvimento em Portugal e no Estrangeiro. Como expositor tem construído excelentes participações, das quais se destacam "Correio Aéreo Português", "Emissões Marquez de Pombal" e "Emissões Independência de Portugal - 1926, 1927 e 1928". Como jornalista filatélico é autor de inúmeros artigos de Aerofilatelia e publicou em 1997, o livro “Notas Sobre o Correio Aéreo Português". Como organizador tem dado forte contributo para as grandes exposições realizadas em Évora pela "Confraria Timbrológica Meridional - Armando Álvaro Boino de Azevedo", de que é Presidente desde a sua fundação.
Membro da Direcção da FPF, que lhe outorgou em 2004 a Ordem de Mérito Filatélico, é Jurado Nacional do Quadro da FPF, nas classes de Aerofilatelia, Juventude e Filatelia Tradicional . A nível FIP é Delegado de Astrofilatelia e Jurado de Aerofilatelia.
O Troféu AFA é constituído pelo "PASTOR ALENTEJANO", peça da barrística popular estremocense da autoria das Irmãs Flores.

Almoço de Confraternização de Benfiquistas no dia 17 de Julho

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ESTALEIRO OU MUSEU?

Foto de Jorge Pereira

Há muito que se fala das condições em que se encontra o estaleiro da Câmara Municipal de Estremoz e das condições de quem lá trabalha. Foi promessa urgente do anterior executivo camarário não cumprida; o actual pretende mudá-lo de local.
Segundo consta o local escolhido é o da antiga empresa de mármores Batanete, à entrada de Estremoz, pelas portas de Santo António, uma das quatro portas monumentais da cintura de muralhas de Estremoz.
Também muito se tem discutido sobre a compra do terreno onde esteve instalada a empresa Batanete, mas sobre esta questão apenas direi que, já vamos estando habituados a que as prioridades eleitorais sejam umas e as pós-eleitorais sejam outras; estranho é que no anterior executivo camarário se tenham gasto, pelo menos, €: 1.750.000,00 em obras e projectos completamente destituídos de sentido, lógica e utilidade e ninguém se incomodou, com excepção do que publiquei sobre as ditas obras.
É um facto que o estaleiro municipal precisa de intervenção urgente, quanto mais não seja para conferir condições de dignidade a quem nele trabalha, o que, até à data, apesar de termos tido sempre executivos camarários defensores da classe operária, leia-se PCP e PS, a defesa que destes foi feita está bem patente no estado ruína em que se encontram as instalações.
A questão para mim está no facto de se ir instalar um estaleiro de obras numa das principais entradas de Estremoz, o que não é lógico, nem faz sentido nenhum, sendo certo que o local apropriado é, de facto, a zona industrial, porque foi para isso que a mesma foi construída; para retirar as instalações do centro da cidade.
Ora, depois deste esforço, não faz sentido que seja a Câmara a dar o exemplo contrário e ir retirar o estaleiro da zona industrial para o colocar junto de uma das principais entradas de Estremoz.
Para quem vem a Estremoz e entre pela porta de Santo António a primeira coisa que vê de Estremoz é um estaleiro de obras. Na minha opinião não tem qualquer sentido.
Se a deliberação da Assembleia Municipal for no sentido da aquisição do terreno então que o mesmo seja aproveitado para algo que cause boa impressão a quem entre em Estremoz por aquelas portas e, quanto a mim, ali deveria ser instalado o Museu da Alfaia, não só pelo espaço que consegue albergar toda a colecção existente, como também, porque sendo ainda uma área rural, está intimamente ligada à temática do Museu e ao percurso evolutivo das técnicas rurais, nele havendo espaço para realizar e exemplificar a vivência rural ao longo dos tempos, tornando o Museu num museu vivo e dinâmico, partilhado por quem o visita.
O Museu da Alfaia merece, até porque dispõe de um dos maiores e mais completos espólios de alfaias agrícolas e representativo das várias épocas e da evolução do mundo rural.
Não quer isto dizer que o estaleiro da Câmara não mereça um tratamento digno, porque merece e a obra deve ser realizada, mas o seu local deve ser aquele onde está actualmente, na zona industrial, e não à entrada da cidade.
Estaleiro ou Museu? Museu.


Luis Assis
Publicado também no nº 740 (24-6-2010)
do Jornal
BRADOS DO ALENTEJO