CLUBE FUTEBOL DE ESTREMOZ - Paulo Rosado para mais um mandato

Com alguma indiferença da massa associativa – estiveram presentes trinta sócios de um universo de cerca de seis centenas – realizou-se, na noite de 28 de Maio, a assembleia geral ordinária do Clube de Futebol de Estremoz. Talvez porque “não havia roupa suja para lavar”, como alguém fez questão de lembrar.
Da ordem de trabalhos apenas dois pontos: apresentação e votação do relatório e contas e, eleição dos corpos sociais para o biénio 2010/2012.
Apresentado o relatório da Direcção o mesmo pode resumir-se sucintamente a uma dado: o exercício encerrou com um saldo positivo de 80.223,13 euros. Isso mesmo: mais de 80 mil euros. Fruto de um trabalho com os pés bem assentes. Sem intervenções votou-se de imediato tendo a assembleia aprovado o relatório e contas por unanimidade, e um voto de louvor à Direcção cessante, proposto pelo conselho fiscal. Foi aprovado por maioria com aclamação [os visados abstiveram-se].
E, porque em equipa ganhadora não se mexe, a única lista apresentada a sufrágio, poucas alterações teve em relação à anterior. A mais significativa foi a indisponibilidade dos anteriores responsáveis pelas secções do futebol e do hóquei – José Lopes e Luís Lopes – e entrada para esses 'pelouros' de João Constantino e Tonico Baptista, respectivamente. Luís Manaças Baptista (tesoureiro) e Fernando Peralta como secretário, são também novas aquisições do elenco directivo. Para levar o 'barco' a bom porto «apesar da continuação das 'dificuldades' generalizadas» acompanham o reeleito presidente Paulo Fonto Rosado, agora para o seu terceiro mandato: o vice-presidente, Rui dos Abibes Lopes; Luís Paulo Manaças Baptista (tesoureiro); Fernando Jorge Calisto Peralta “Móina” (secretário); António João Lopes Baptista “Tonico” (dir. Hóquei) João Constantino Máxmo Marques (dir. Futebol) e Isabel Carapeta Dias Alves (dir. Outras actividades), e como suplentes Pedro Miguel Lagarto Ferreira, José Francisco Fernandes Frade e José Joaquim Balbino Carapeta.
A Mesa da AG é presidida por José Ascenso Maia que tem como vice Luís Fonto Rosado e como secretários José Manuel Bliz e João Correia Margalho. José Albano França preside ao Conselho fiscal coadjuvado por João Alberto Mateus (secretário) Joaquim Manuel Serra (vogal). António José Nunes Gato e Luís Fernando de Oliveira Lopes fsão os suplentes deste órgão.
“Sorrindo às dificuldades”

Publicado também no nº 739 (10-6-2010)
do Jornal
BRADOS DO ALENTEJO

Campanha de Recolha de Alimentos

Estremoz contribuiu com mais de 3,8 toneladas

Atingiu 3.860 quilos a quantidade de produtos alimentares recolhidos em Estremoz no âmbito da campanha nacional de recolha de alimentos realizada pelo Banco Alimentar Contra a Fome (BACF) nos dias 29 e 30 de Maio.
A recolha foi efectuada junto das quatro superfícies comerciais e mais dos minimercados da cidade tendo estado envolvidos mais de uma centena de voluntários.
Segundo Maria José Cavaco, coordenadora da campanha na área de Estremoz esta recolha, apesar da crise, “ultrapassou os valores atingidos em idênticas acções realizadas anteriormente, o que demonstra o elevado espírito solidário dos estremocences”.
Esta responsável deixa um “profundo agradecimento” a todas as pessoas que deram o seu contributo para a causa, aos “mais de cem voluntários, aos responsáveis dos estabelecimentos comerciais onde se efectuaram recolhas, bem como ao RC3, à PSP, à SEL e ao Centro Paroquial Social de Santo André”, que por diversas formas colaboraram na iniciativa.
Os produtos recolhidos foram transportados para a sede distrital do BACF, em Évora, onde se fará a respectiva triagem para serem posteriormente distribuídos.
O Banco Alimentar Contra a Fome de Évora e seu pólo de Beja, com a colaboração de 2000 voluntários, recolheram na campanha de 29 e 30 de Maio 76 toneladas de alimentos “o que representa um acréscimo de 8,3% em relação à campanha homóloga anterior”, informa a instituição.
A campanha realizou-se em Évora, Beja, Alcáçovas, Aljustrel, Almodôvar, Alvito, Arraiolos, Borba, Castro Verde, Cuba, Estremoz, Ferreira do Alentejo, Montemor-o-Novo, Mora, Moura, Ourique, Reguengos de Monsaraz, Serpa Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vidigueira, Vila Nova de Baronia, Vila Nova de S. Bento e Vila Viçosa.
Os alimentos integrarão os cabazes mensais a distribuir a 86 instituições de solidariedade (65 do distrito de Évora e 21 do distrito de Beja) que os farão chegar a cerca de dez mil pessoas carenciadas dos dois distritos.

Publicado também no nº 739 (10-6-2010)

A brincar aprende-se a respeitar a Natureza

O David, a Margarida, a Maria Inês, o Miguel, o Henrique e o Simão foram os brilhantes vencedores do concurso “A Minha Lancheira é a mais Original” realizado pelos grupos 1º e 2º CEB, Creche e Pré-escolar, do Externato S. Filipe, de Estremoz.
Este foi um concurso de ideias visando promover o uso de lancheiras amigas do ambiente, integrado no conjunto de actividades do “Dia Eco-Escola”, celebrado no dia 7 naquele estabelecimento de ensino.
A importância da reciclagem e da reutilização de materiais; como poupar água e energia; como apanhar insectos de forma artesanal, ou a promoção do gosto por uma alimentação saudável, foram outras das variadíssimas actividades em que toda a escola esteve envolvida, visando, como aliás é da filosofia do “Dia Eco-escola”, sensibilizar os mais novos para as problemáticas da Natureza e da qualidade de vida, e de forma lúdica ensinar-lhes a respeitar o ambiente e a construir um mundo melhor para todos.
E foi bonito de ver o entusiasmo com que todos se empenharam nas tarefas que lhes estavam destinadas.
Publicado também no nº 739 (10-6-2010)

Partido Comunista Portugês - À População de Estremoz


O Governo PS anunciou o encerramento de escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico com menos de 20 alunos.
No concelho de Estremoz esta medida afecta directamente as crianças e população das freguesias de S. Domingos de Ana Loura, S. Lourenço, S Bento do Ameixial, S. Bento do Cortiço e Veiros.
Trata-se de uma medida prejudicial a vários níveis.
Prejudicial para cerca de 60 crianças, com idades entre os 6 e os 10 anos, que são obrigadas a deslocar-se diariamente para Estremoz, para uma escola enorme, onde se concentram várias centenas de alunos do 1º ao 9º ano.
Prejudicial para as crianças do pré-escolar uma vez que encerrada a escola do 1º ciclo ficarão estas também em risco de perder definitivamente o direito ao ensino pré-escolar.
Prejudicial para as famílias que verão assim as suas condições de apoio e acompanhamento ao ensino dos filhos dificultado.
Perde-se a função de acompanhar diariamente o filho è escola, com tudo o que essa rotina significa para a criança e para a ligação dos pais à escola.
Prejudicial para cada uma das freguesias que fica mais pobre, mais desertificada e mais dependente da cidade.
Prejudicial para a autarquia que vê crescer os custos com transportes escolares e com outros custos inerentes à nova reorganização da escola.
Prejudicial para os trabalhadores da educação que verão extintos mais umas dezenas de postos de trabalho.
São razões mais que suficientes para que todos, engrossemos a oposição a mais esta medida do Governo contra os interesses das populações, que tem como principal vítima crianças de terra idade.
Modernizar não é encerrar. Educar não é sacrificar. Democratizar não é desertificar.
Juntemos as nossas vozes, tomemos individual e colectivamente posição contra o encerramento de mais cinco escolas no concelho de Estremoz.
A comissão concelhia de Estremoz do Partido Comunista Português está convicta de que este grave erro, político e pedagógico pode e deve ser impedido.
É necessário lutar contra mais esta medida do governo PS 

Estremoz 10 de Junho de 2010
Comissão Concelhia de Estremoz

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Já nas bancas

Terminou em Estremoz a 2ª etapa da 28ª Volta ao Alentejo em Bicicleta


Cândido Barbosa e o Presidente da Câmara, Luís Mourinha, pousam para o fotógrafos, ladeados por duas simpáticas jovens (Foto do Jornal ECOS on line
 
Na passada 6ª feira, 11 de Junho, Estremoz recebeu de braços abertos o final da 2ª etapa da 28ª edição ano da Volta ao Alentejo, a qual terminou frente ao edifício dos Paços do Concelho. A ampla participação popular coroou a aposta de uma etapa terminar em Estremoz. Está, pois, de parabéns a Câmara Municipal de Estremoz, que através de alguns dos seus autarcas fez entrega de prémios aos vencedores.
Dia 12 de Junho (sábado), teve lugar a 3ª etapa REGUENGOS-MONSARAZ e no dia 13 de Junho (domingo), a Volta ao Alentejo terminou com a 4ª etapa no percurso REDONDO-ÉVORA.
Abaixo se indicam as classificações das três últimas etapas.
A 28ª Volta ao Alentejo seria ganha pelo espanhol David Blanco (Pameiras Resort-Tavira) (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), vencedor de três Voltas a Portugal.

CLASSIFICAÇÕES DA ETAPA (2ª): VIANA DO ALENTEJO – ESTREMOZ
180,2 km - Média: 39,880 km/h

1º Bruno Pires (Barbot-Siper), 4h31m07s

2º Bruno Sancho (LA-Paredes Rota dos Móveis), a 2s

3º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), mt
4º David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), mt
5º Danail Petrov (Madeinox-Boavista), mt
6º Pedro Soeiro (CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow), mt

7º Constantino Zaballa (CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow), mt
GERAL INDIVIDUAL
1º Cândido Barbosa (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 8h52m33
2º Bruno Pires (Barbot-Siper)
3º Oleg Chuzhda (Caja Rural)
GERAL COLECTIVA
1ª Barbot-Siper, 26h38m16s
2ª CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow, a 2s
3ª Vendée U
4ª LA-Paredes Rota dos Móveis
5ª Liberty Seguros/SM Feira
PONTOS
1º Bruno Sancho (LA-Paredes Rota dos Móveis), 33 pontos
2º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), 32
3º Cândido Barbosa (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 28
MONTANHA
1º Sergei Fuchs (Nutrixxion Sparkasse), 3
2º Rubén Martinez (Caja Rural), 2
3º André Ferreira (Aluvia/Valongo), 1
JUVENTUDE
1º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira)
2º António Carvalho (Mortágua/Basi)
3º Etienn Piert (Vendée U)
0
CLASSIFICAÇÕES DA ETAPA (3ª) REGUENGOS-MONSARAZ
18,4 km (Contra-relógio) - Média: 47,28 km/h
0
º David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 23m21s
2º Alejandro Marque (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 22s
3º José Mendes (LA-Paredes Rota dos Móveis), a 27s
4º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), a 36s
5º Michal Kwiatkowski (Caja Rural), a 42s
GERAL INDIVIDUAL
1º David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 9h16m07s
2º Alejandro Marque (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 22s
3º José Mendes (LA-Paredes Rota dos Móveis), a 27s
4º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), a 28s
5º Cândido Barbosa (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 36
0
CLASSIFICAÇÕES DA ETAPA (4ª): REDONDO – ÉVORA
162 Km - Média: 45,72 Km/h
0
1ºSteffen Radochla (Nutrixxion Sparkasse), 3h32m35s
2º Bruno Sancho (LA-Paredes Rota dos Móveis), mt
3º Kevin Reza (Vendée U), a 2s
4º Sérgio Ribeiro (Barbot-Siper), mt
5º José Mendes (LA-Paredes Rota dos Móveis), mt
6º Unai Iparragirre (Bidelan Kirolgi), mt
7º Santiago Pérez (CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow), mt
8º Justin Jules (Vendée U), mt
9º Tony Hurel (Vendée U), mt
10º Marco Cunha (Madeinox-Boavista), mt
GERAL INDIVIDUAL
1º David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 12h48m
2º Alejandro Marque (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 22s
3º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), a 27s
4º José Mendes (LA-Paredes Rota dos Móveis), mt
5º Cândido Barbosa (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 36s
6º Bruno Pires (Barbot-Siper), a 37s
7º Michal Kwiatkowski (Caja Rural), a 42s
8º Oleg Chuzhda (Caja Rural), a 48s
9º Santiago Pérez (CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow), a 54s
10º Aketza Peña (Caja Rural), a 58s
GERAL EQUIPAS
1º Palmeiras Resort-Prio-Tavira, 38h27m23s
2º Caja Rural, a 1m26s
3º Barbot-Siper, a 2m03s
PONTOS
1º Bruno Sancho (LA-Paredes Rota dos Móveis), 55 pontos
2º Steffen Radochla (Nutrixxion Sparkasse), 49
3º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), 46
MONTANHA
1º Micael Isidoro (ASC/Vitória/RTL), 5 pontos
2º Sergei Fuchs (Nutrixxion Sparkasse), 3
3º Julien Belgy (Vendée U), 3
JUVENTUDE
1º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira)
2º Michal Kwiatkowski (Caja Rural)
3º Etienn Piert (Vendée U)

Postado por
 Hernâni Matos

Colecção da Alfaia Agrícola de Estremoz


"AINDA BEM QUE NÃO PASSA DUM SONHO”

Subitamente, parece começar a falar-se, ou pelo menos o director do Museu Municipal de Estremoz, do Museu da Alfaia Agrícola de Estremoz.
Na realidade, houve tempo em que praticamente a qualquer colecção que se expunha, de forma mais ou menos púbica, se dava vulgarmente o nome de museu.
Mas a realidade actual é bem diferente, sendo a criação e funcionamento dos museus, com explicitação das suas funções e estrutura funcional que elas implicam suficientemente definidas para não permitir equívocos.
Efectivamente, a Colecção da Alfaia Agrícola de Estremoz (CAAE) representa um "espólio” suficientemente importante e significativo, quantitativa e qualitativamente, quer para o município de Estremoz, quer para a região do Alentejo em que estamos inseridos, poderia por isso, só por si, constituir objecto de um museu
Contudo, parece-me não ser viável, num município como Estremoz com os recursos que tem / não tem para a cultura, em particular para o(s) museu(s), e onde já existe um museu municipal, criar uma nova estrutura museológica tutelada pela autarquia. Assim, será melhor, porque mais adequado e eficaz, conceber a CAAE como um pólo museológico do Museu Municipal já existente, perspectiva mais coerente com as funções de um museu desta natureza (municipal), que se deve assumir do respectivo território, por isso polinuctear, tanto mais que, pela própria natureza do acervo da CAAE, a sua interpretação implica, inevitavelmente, a sua contextualização, a qual passa pelo território onde estes instrumentos de trabalho tiveram utilização. Por outro lado, é nesse território que ainda perduram inúmeros artefactos - azenhas, lagares de vinho e de azeite, moagens, eiras, montes com acento de lavoura, noras, ... - que interessava serem objecto de acção museológica.
São opções que se tomam, que definem um programa museológico, sobre o qual convirá ter ideias definidas, a fim de não se perder mais tempo que, no caso presente tem tido consequências desastrosas.
A segunda questão: o surgimento súbito de notícias relacionadas com a CAAE e o imóvel em que a mesma tem estado instalada, nomeadamente em jornais e na rádio.
Quem lê o artigo do Brados do Alentejo, de 13 de Maio - "Acervo do Museu da Alfaia Agrícola reabre ao público" - parece que a situação da CAAE e do respectivo imóvel que a tem "abrigado", outrora pertença da Federação Nacional dos Produtores de Trigo, é nova e, se calhar, inesperada.
Desde há vários anos que existem diagnósticos feitos (eu próprio elaborei um em 1994, o qual foi entregue ao Município de Estremoz) e até propostas de intervenção urgente, quer ao nível da conservação e preservação do acervo, quer do próprio edifício.
O que foi feito? Parece que nada ou, na melhor das hipóteses, muito pouco.
Desde a disposição de diversos elementos da colecção, de forma imprópria, até a falta de uma reserva que, para já não falar de ciência, o simples bom senso aconselharia, ou a mínima conservação do edifício, conforme se pode observar ao passar pelas rua Serpa Pinto e de S. Pedro, são inúmeras as situações que potencialmente e de facto iriam conduzir à degradação inevitável tanto do acervo como do imóvel.
Só a falta de conhecimento, por parte dos munícipes de Estremoz, da situação em que se encontra a CAAE, e do valor patrimonial que a mesma representa, tem permitido que ainda não se tenha criado um sentimento generalizado de indignação.
O próprio director do Museu Municipal dá-nos motivo de preocupação ao afirmar que "o acervo, de facto, não está nas melhores condições e será necessário realizar acções de recuperação, de limpeza, de desinfestação e estou preocupado com os couros e madeiras".
Basicamente os materiais que estão incorporados no acervo da CAAE são: madeira, couro, cortiça, metais, algumas fibras, incluindo tecidos. Existem ainda alguns elementos em corno e barro. De todos, os mais sensíveis do ponto de vista da conservação, os tecidos são os mais delicados. Será que a omissão do director do Museu em relação a peças desta natureza significa o seu desaparecimento, por degradação completa? E em relação aos couros e madeiras, conhecendo os cuidados a ter com a sua conservação, a situação de preocupação mencionada pelo director do Museu só é possível na sequência de um abandono total por período longo.
Mas falemos do futuro!
De novo, o director do Museu Municipal esclarece-nos nos que o acervo vai ser transferido, para um armazém junto aos silos (Agrigénese) em terrenos da antiga estação de caminho de ferro, mas confessa "que o seu sonho era que este (o acervo} fosse transferido para a "Casa das Fardas", situada junto ao castelo"...
Quando soube da notícia, ainda no mandato da Câmara anterior, até saudei a iniciativa, não por discordar da utilização do edifício da Rua Serpa Pinto, onde o acervo se encontra actualmente, o qual desde sempre esteve ligado à lavoura e faz parte da memória da cidade, memória essa que é necessário preservar nomeadamente através da requalificação de alguns imóveis, mas como situação limite para salvaguardar esse mesmo acervo. Há, portanto, que acautelar o processo de transferência do acervo, e a utilização do "novo" espaço, no qual é necessário prever diversas funcionalidades e equipamentos.
Quanto ao "'sonho" do director do Museu de instalar a CAAE na antiga "Casa das Fardas”, ainda bem que não passa dum sonho.
É evidente (?) que a concentração do património museológico fica muito mais "bonitinho" Mas... tem, por acaso, o senhor director, noção do valor e dos recursos necessários à recuperação da "Casa das Fardas", das entidades envolvidas, dos precedentes que já ocorreram? Parece que não, caso contrário o seu sonho arrisca-se a tomar num pesadelo.
Mas, mesmo sendo possível considerar esta hipótese, haveria vantagem na concentração do património museológico, tendo em conta a sua diversidade e especificidade?
Seria bom que, quem tem competência para toma decisões sobre o futuro da Colecção da Alfaia Agrícola tenha sensibilidade e a noção de que este acervo constitui um património colectivo. Que a acção museológica que tem esta colecção como objecto deve, necessariamente, envolver quantos estiveram na sua génese - incluindo doadores e depositantes dos elementos que compõem hoje o acervo, trabalhadores rurais e de outras profissões nele representadas.
Junho de 1010
Pedro Nunes da Silva