Partido Comunista Portugês - À População de Estremoz


O Governo PS anunciou o encerramento de escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico com menos de 20 alunos.
No concelho de Estremoz esta medida afecta directamente as crianças e população das freguesias de S. Domingos de Ana Loura, S. Lourenço, S Bento do Ameixial, S. Bento do Cortiço e Veiros.
Trata-se de uma medida prejudicial a vários níveis.
Prejudicial para cerca de 60 crianças, com idades entre os 6 e os 10 anos, que são obrigadas a deslocar-se diariamente para Estremoz, para uma escola enorme, onde se concentram várias centenas de alunos do 1º ao 9º ano.
Prejudicial para as crianças do pré-escolar uma vez que encerrada a escola do 1º ciclo ficarão estas também em risco de perder definitivamente o direito ao ensino pré-escolar.
Prejudicial para as famílias que verão assim as suas condições de apoio e acompanhamento ao ensino dos filhos dificultado.
Perde-se a função de acompanhar diariamente o filho è escola, com tudo o que essa rotina significa para a criança e para a ligação dos pais à escola.
Prejudicial para cada uma das freguesias que fica mais pobre, mais desertificada e mais dependente da cidade.
Prejudicial para a autarquia que vê crescer os custos com transportes escolares e com outros custos inerentes à nova reorganização da escola.
Prejudicial para os trabalhadores da educação que verão extintos mais umas dezenas de postos de trabalho.
São razões mais que suficientes para que todos, engrossemos a oposição a mais esta medida do Governo contra os interesses das populações, que tem como principal vítima crianças de terra idade.
Modernizar não é encerrar. Educar não é sacrificar. Democratizar não é desertificar.
Juntemos as nossas vozes, tomemos individual e colectivamente posição contra o encerramento de mais cinco escolas no concelho de Estremoz.
A comissão concelhia de Estremoz do Partido Comunista Português está convicta de que este grave erro, político e pedagógico pode e deve ser impedido.
É necessário lutar contra mais esta medida do governo PS 

Estremoz 10 de Junho de 2010
Comissão Concelhia de Estremoz

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Já nas bancas

Terminou em Estremoz a 2ª etapa da 28ª Volta ao Alentejo em Bicicleta


Cândido Barbosa e o Presidente da Câmara, Luís Mourinha, pousam para o fotógrafos, ladeados por duas simpáticas jovens (Foto do Jornal ECOS on line
 
Na passada 6ª feira, 11 de Junho, Estremoz recebeu de braços abertos o final da 2ª etapa da 28ª edição ano da Volta ao Alentejo, a qual terminou frente ao edifício dos Paços do Concelho. A ampla participação popular coroou a aposta de uma etapa terminar em Estremoz. Está, pois, de parabéns a Câmara Municipal de Estremoz, que através de alguns dos seus autarcas fez entrega de prémios aos vencedores.
Dia 12 de Junho (sábado), teve lugar a 3ª etapa REGUENGOS-MONSARAZ e no dia 13 de Junho (domingo), a Volta ao Alentejo terminou com a 4ª etapa no percurso REDONDO-ÉVORA.
Abaixo se indicam as classificações das três últimas etapas.
A 28ª Volta ao Alentejo seria ganha pelo espanhol David Blanco (Pameiras Resort-Tavira) (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), vencedor de três Voltas a Portugal.

CLASSIFICAÇÕES DA ETAPA (2ª): VIANA DO ALENTEJO – ESTREMOZ
180,2 km - Média: 39,880 km/h

1º Bruno Pires (Barbot-Siper), 4h31m07s

2º Bruno Sancho (LA-Paredes Rota dos Móveis), a 2s

3º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), mt
4º David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), mt
5º Danail Petrov (Madeinox-Boavista), mt
6º Pedro Soeiro (CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow), mt

7º Constantino Zaballa (CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow), mt
GERAL INDIVIDUAL
1º Cândido Barbosa (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 8h52m33
2º Bruno Pires (Barbot-Siper)
3º Oleg Chuzhda (Caja Rural)
GERAL COLECTIVA
1ª Barbot-Siper, 26h38m16s
2ª CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow, a 2s
3ª Vendée U
4ª LA-Paredes Rota dos Móveis
5ª Liberty Seguros/SM Feira
PONTOS
1º Bruno Sancho (LA-Paredes Rota dos Móveis), 33 pontos
2º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), 32
3º Cândido Barbosa (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 28
MONTANHA
1º Sergei Fuchs (Nutrixxion Sparkasse), 3
2º Rubén Martinez (Caja Rural), 2
3º André Ferreira (Aluvia/Valongo), 1
JUVENTUDE
1º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira)
2º António Carvalho (Mortágua/Basi)
3º Etienn Piert (Vendée U)
0
CLASSIFICAÇÕES DA ETAPA (3ª) REGUENGOS-MONSARAZ
18,4 km (Contra-relógio) - Média: 47,28 km/h
0
º David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 23m21s
2º Alejandro Marque (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 22s
3º José Mendes (LA-Paredes Rota dos Móveis), a 27s
4º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), a 36s
5º Michal Kwiatkowski (Caja Rural), a 42s
GERAL INDIVIDUAL
1º David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 9h16m07s
2º Alejandro Marque (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 22s
3º José Mendes (LA-Paredes Rota dos Móveis), a 27s
4º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), a 28s
5º Cândido Barbosa (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 36
0
CLASSIFICAÇÕES DA ETAPA (4ª): REDONDO – ÉVORA
162 Km - Média: 45,72 Km/h
0
1ºSteffen Radochla (Nutrixxion Sparkasse), 3h32m35s
2º Bruno Sancho (LA-Paredes Rota dos Móveis), mt
3º Kevin Reza (Vendée U), a 2s
4º Sérgio Ribeiro (Barbot-Siper), mt
5º José Mendes (LA-Paredes Rota dos Móveis), mt
6º Unai Iparragirre (Bidelan Kirolgi), mt
7º Santiago Pérez (CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow), mt
8º Justin Jules (Vendée U), mt
9º Tony Hurel (Vendée U), mt
10º Marco Cunha (Madeinox-Boavista), mt
GERAL INDIVIDUAL
1º David Blanco (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), 12h48m
2º Alejandro Marque (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 22s
3º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), a 27s
4º José Mendes (LA-Paredes Rota dos Móveis), mt
5º Cândido Barbosa (Palmeiras Resort-Prio-Tavira), a 36s
6º Bruno Pires (Barbot-Siper), a 37s
7º Michal Kwiatkowski (Caja Rural), a 42s
8º Oleg Chuzhda (Caja Rural), a 48s
9º Santiago Pérez (CC Loulé-Louletano-Orbitur-Aquashow), a 54s
10º Aketza Peña (Caja Rural), a 58s
GERAL EQUIPAS
1º Palmeiras Resort-Prio-Tavira, 38h27m23s
2º Caja Rural, a 1m26s
3º Barbot-Siper, a 2m03s
PONTOS
1º Bruno Sancho (LA-Paredes Rota dos Móveis), 55 pontos
2º Steffen Radochla (Nutrixxion Sparkasse), 49
3º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira), 46
MONTANHA
1º Micael Isidoro (ASC/Vitória/RTL), 5 pontos
2º Sergei Fuchs (Nutrixxion Sparkasse), 3
3º Julien Belgy (Vendée U), 3
JUVENTUDE
1º Fábio Silvestre (Liberty Seguros/SM Feira)
2º Michal Kwiatkowski (Caja Rural)
3º Etienn Piert (Vendée U)

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 Hernâni Matos

Colecção da Alfaia Agrícola de Estremoz


"AINDA BEM QUE NÃO PASSA DUM SONHO”

Subitamente, parece começar a falar-se, ou pelo menos o director do Museu Municipal de Estremoz, do Museu da Alfaia Agrícola de Estremoz.
Na realidade, houve tempo em que praticamente a qualquer colecção que se expunha, de forma mais ou menos púbica, se dava vulgarmente o nome de museu.
Mas a realidade actual é bem diferente, sendo a criação e funcionamento dos museus, com explicitação das suas funções e estrutura funcional que elas implicam suficientemente definidas para não permitir equívocos.
Efectivamente, a Colecção da Alfaia Agrícola de Estremoz (CAAE) representa um "espólio” suficientemente importante e significativo, quantitativa e qualitativamente, quer para o município de Estremoz, quer para a região do Alentejo em que estamos inseridos, poderia por isso, só por si, constituir objecto de um museu
Contudo, parece-me não ser viável, num município como Estremoz com os recursos que tem / não tem para a cultura, em particular para o(s) museu(s), e onde já existe um museu municipal, criar uma nova estrutura museológica tutelada pela autarquia. Assim, será melhor, porque mais adequado e eficaz, conceber a CAAE como um pólo museológico do Museu Municipal já existente, perspectiva mais coerente com as funções de um museu desta natureza (municipal), que se deve assumir do respectivo território, por isso polinuctear, tanto mais que, pela própria natureza do acervo da CAAE, a sua interpretação implica, inevitavelmente, a sua contextualização, a qual passa pelo território onde estes instrumentos de trabalho tiveram utilização. Por outro lado, é nesse território que ainda perduram inúmeros artefactos - azenhas, lagares de vinho e de azeite, moagens, eiras, montes com acento de lavoura, noras, ... - que interessava serem objecto de acção museológica.
São opções que se tomam, que definem um programa museológico, sobre o qual convirá ter ideias definidas, a fim de não se perder mais tempo que, no caso presente tem tido consequências desastrosas.
A segunda questão: o surgimento súbito de notícias relacionadas com a CAAE e o imóvel em que a mesma tem estado instalada, nomeadamente em jornais e na rádio.
Quem lê o artigo do Brados do Alentejo, de 13 de Maio - "Acervo do Museu da Alfaia Agrícola reabre ao público" - parece que a situação da CAAE e do respectivo imóvel que a tem "abrigado", outrora pertença da Federação Nacional dos Produtores de Trigo, é nova e, se calhar, inesperada.
Desde há vários anos que existem diagnósticos feitos (eu próprio elaborei um em 1994, o qual foi entregue ao Município de Estremoz) e até propostas de intervenção urgente, quer ao nível da conservação e preservação do acervo, quer do próprio edifício.
O que foi feito? Parece que nada ou, na melhor das hipóteses, muito pouco.
Desde a disposição de diversos elementos da colecção, de forma imprópria, até a falta de uma reserva que, para já não falar de ciência, o simples bom senso aconselharia, ou a mínima conservação do edifício, conforme se pode observar ao passar pelas rua Serpa Pinto e de S. Pedro, são inúmeras as situações que potencialmente e de facto iriam conduzir à degradação inevitável tanto do acervo como do imóvel.
Só a falta de conhecimento, por parte dos munícipes de Estremoz, da situação em que se encontra a CAAE, e do valor patrimonial que a mesma representa, tem permitido que ainda não se tenha criado um sentimento generalizado de indignação.
O próprio director do Museu Municipal dá-nos motivo de preocupação ao afirmar que "o acervo, de facto, não está nas melhores condições e será necessário realizar acções de recuperação, de limpeza, de desinfestação e estou preocupado com os couros e madeiras".
Basicamente os materiais que estão incorporados no acervo da CAAE são: madeira, couro, cortiça, metais, algumas fibras, incluindo tecidos. Existem ainda alguns elementos em corno e barro. De todos, os mais sensíveis do ponto de vista da conservação, os tecidos são os mais delicados. Será que a omissão do director do Museu em relação a peças desta natureza significa o seu desaparecimento, por degradação completa? E em relação aos couros e madeiras, conhecendo os cuidados a ter com a sua conservação, a situação de preocupação mencionada pelo director do Museu só é possível na sequência de um abandono total por período longo.
Mas falemos do futuro!
De novo, o director do Museu Municipal esclarece-nos nos que o acervo vai ser transferido, para um armazém junto aos silos (Agrigénese) em terrenos da antiga estação de caminho de ferro, mas confessa "que o seu sonho era que este (o acervo} fosse transferido para a "Casa das Fardas", situada junto ao castelo"...
Quando soube da notícia, ainda no mandato da Câmara anterior, até saudei a iniciativa, não por discordar da utilização do edifício da Rua Serpa Pinto, onde o acervo se encontra actualmente, o qual desde sempre esteve ligado à lavoura e faz parte da memória da cidade, memória essa que é necessário preservar nomeadamente através da requalificação de alguns imóveis, mas como situação limite para salvaguardar esse mesmo acervo. Há, portanto, que acautelar o processo de transferência do acervo, e a utilização do "novo" espaço, no qual é necessário prever diversas funcionalidades e equipamentos.
Quanto ao "'sonho" do director do Museu de instalar a CAAE na antiga "Casa das Fardas”, ainda bem que não passa dum sonho.
É evidente (?) que a concentração do património museológico fica muito mais "bonitinho" Mas... tem, por acaso, o senhor director, noção do valor e dos recursos necessários à recuperação da "Casa das Fardas", das entidades envolvidas, dos precedentes que já ocorreram? Parece que não, caso contrário o seu sonho arrisca-se a tomar num pesadelo.
Mas, mesmo sendo possível considerar esta hipótese, haveria vantagem na concentração do património museológico, tendo em conta a sua diversidade e especificidade?
Seria bom que, quem tem competência para toma decisões sobre o futuro da Colecção da Alfaia Agrícola tenha sensibilidade e a noção de que este acervo constitui um património colectivo. Que a acção museológica que tem esta colecção como objecto deve, necessariamente, envolver quantos estiveram na sua génese - incluindo doadores e depositantes dos elementos que compõem hoje o acervo, trabalhadores rurais e de outras profissões nele representadas.
Junho de 1010
Pedro Nunes da Silva

"Relembrar para não esquecer"

José Capitão Pardal



Pela sua importância e por concordar plenamente com o seu conteúdo, tomo a liberdade de transcrever o texto inserto no blog "Relembrar para não esquecer", da autoria de Inácio Silva, sobre o discurso proferido pelo Presidente da Comissão das Comemorações do 10 de Junho de 2010, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, Dr. António Barreto.

Chai - Companhia de Cavalaria nº 3508
1972 a 1974 - Entrega do correio
....................///...................

Quinta-feira, 10 de Junho de 2010

10JUN2010 - António Barreto dá uma chicotada psicológica aos mais Altos Representantes de Portugal

ANTÓNIO BARRETO, intelectual e cientista social, autor dos documentários para a RTP, “Um retrato social”, realizados em 2006, encarna publicamente, em frente das mais altos responsáveis do país, o sentimento e a mágoa dos ex-combatentes.

Confesso que não sabia que António Barreto era o responsável pela Comissão das Comemorações do 10 de Junho de 2010, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, mas foi com uma agradável surpresa que ouvi o seu discurso, quase todo virado para os ex-combatentes, preocupado em salientar o facto de não haver vários tipos de combatentes, como alguns pretendem.

Existe, apenas, um tipo de combatente: aquele que em nome do seu país, serviu ou serve, em território português, ou no estrangeiro, por mandato do Estado Português. Entenda-se que as ex-colónias, hoje países estrangeiros, eram, na altura da guerra colonial, consideradas terras sob administração portuguesa...

António Barreto proferiu, no meu ponto de vista, o discurso que os ex-combatentes esperavam ouvir, há mais de 40 anos, e que nenhum político ousou dizer, talvez com o receio de ser conotado com uma ou outra força política, por concordância ou discordância da manutenção das guerras do ultramar.

O desassombro e a inspiração de António Barreto merece a nossa vénia e o nosso obrigado. Ele soube definir, com tamanha clareza de espírito e evidência o que levou tantos milhares de jovens a deixar as suas terras e as suas famílias, os seus amigos, os seus empregos, para serem levados, sem vontade própria, para terras que desconheciam, sem um “bilhete de passagem” que lhes garantisse o regresso.

A tal dívida de gratidão, tantas vezes proferida por milhares de ex-combatentes e que ventos hostis nunca permitiram que chegasse aos nossos governantes, foi – graças ao António Barreto - insuflada, à força, um a um, nos ouvidos dos governantes ali presentes.

A partir de hoje, nenhum deles poderá dizer que desconhece existir uma dívida de gratidão e que ela terá que ser paga, com ou sem existência de crise.

É certo que o País já possui legislação sobre algumas questões que afectavam e afectam os ex-combatentes, relacionadas, justamente, com as situações mais gritantes de injustiça social, tais como, o apoio aos deficientes e aos afectados pelo "stress" pós traumático.

António Barreto afirmou que "Portugal não trata bem os seus antigos combatentes, sobreviventes, feridos ou mortos”, reforçando que o “esquecimento e a indiferença são superiores”, sobretudo "por omissão do Estado".

Barreto acusa o Estado de ser pouco "explícito no cumprimento desse dever", avisando que está na altura de "eliminar as diferenças entre bons e maus soldados, entre veteranos de nome e veteranos anónimos, entre recordados e esquecidos".

Um antigo combatente não pode ser tratado de "colonialista", "fascista" ou "revolucionário", mas simplesmente "soldado português",.

O dia 10 de Junho de 2010 fica marcado, também, por ter sido a primeira vez que os antigos combatentes desfilaram na cerimónia militar oficial do Dia de Portugal.

Como ex-combatente, sinto-me profundamente grato pelas palavras de António Barreto, que me tocaram o coração.

Um bem-haja.

Inácio Silva

ecosonline disponível em www.jornalecos.com.pt

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O Economês Descomplicado - O Sonho Português

Imagem recolhida em The Baltimore Sun

Certa ocasião um banqueiro português recebeu um cliente a quem não queria dar crédito, mas a quem não podia também dizer que não. Convidou-o então para dar um passeio pela baixa lisboeta. Regressados ao banco, disse-lhe: "Eu não lhe empresto o dinheiro, mas depois de termos sido vistos juntos, qualquer um dos meus colegas o vai financiar.”
Na última crónica abordei a crise do Subprime que teve o seu início nos EUA em 2007 e se propagou a todo o mundo em 2008. Portugal como economia aberta e muito exposta ao exterior, não ficou imune a todos estes acontecimentos e a crise financeira bateu também à nossa porta.
Mas as perguntas que podemos fazer são: Não contribuímos também nós para este estado de coisas? Estamos isentos de culpas?
Pois é, caro leitor. Portugal também não ficou imune a essa loucura desenfreada do crédito fácil. A pequena história que se conta no início da crónica, diz-se, teve lugar na década de 80 do século passado. Do conservadorismo financeiro retratado então, passou-se para a vertigem do crédito e do consumo.
Quem de nós não foi contactado por carta ou por telefone por uma qualquer instituição financeira com a oferta de um crédito para "realizar o seu sonho".
Como tivemos de resistir - muitos não conseguiram (a maioria) - à oferta de crédito fácil para: - comprar casa (se já tínhamos uma, devíamos comprar uma segunda habitação para casa de férias); - comprar acções e fundos de empresas que iriam sempre valorizar; - para cartões de crédito, muitos e variados; - para comprarmos computadores e ir-mos de férias para destinos paradisíacos.
Enfim, o ”Sonho Português”.
Todos se deixaram embalar pela ilusão de um mundo de crédito sem factura. "Se os bancos nos emprestam é porque não há problema, eles sabem o que estão a fazer", diziam os cidadãos. "Se as pessoas aceitam o crédito é porque podem pagar, elas sabem o que andam a fazer", diziam os banqueiros, os reguladores e até os políticos.
Mas, afinal, ninguém sabia o que andava a fazer.
O problema é que nos habituámos a gastar o dinheiro que não tínhamos.
De exibir a riqueza que não produzíamos.
O cidadão pedia emprestado ao banco; O banco pedia emprestado aos mercados financeiros internacionais e assim fomos caminhando alegremente até aos dias de hoje, quando de repente acordamos do sonho e pensamos no pesadelo.
Há cerca de uma década, que em Portugal se estava a ir longe de mais na concessão de crédito. Vários especialistas alertaram que o País estava endividado; recomendavam que se pusesse um travão na concessão de créditos e muitas foram as vozes que avisaram que se estava a fazer um perigoso negócio de exploração do analfabetismo financeiro dos portugueses, sob a máscara do valor da liberdade individual.
Num mundo globalizado e turbulento, em que já ninguém confia em ninguém, a banca e as instituições financeiras internacionais, os chamados “Mercados”, olham para Portugal com desconfiança.
Olham para as nossas instituições públicas, para as nossas instituições financeiras, para as nossas empresas e para as nossas famílias e interrogam-se:
- “Como é que vão pagar o que nos devem?”
Caro leitor, não desanime, não era essa a minha intenção, irei continuar em próximas crónicas a abordar estes temas e talvez consiga abrir janelas de esperança, que nos ajudem a encontrar o caminho.

Publicado também no jornal ECOS, edição de 04/06/2010 e no blogue O Economês Descomplicado