Convívio de ex-Combatentes

Aproximando-se mais um almoço convívio do Batalhão de Cavalaria 3878, de que fiz parte em missão no Norte de Moçambique (Macomia, Chai e Mataca), a realizar proximamente na Lousã, aproveito para divulgar a intervenção que proferi há três anos, aquando da realização de idêntico convívio, na cidade de Estremoz.

Considero de interesse geral a problemática dos ex-combatentes, nomeadamente, para aqueles, que não viveram esses tempos de guerra e sofrimento, pelo que aconselho a sua leitura.
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Caros Amigos
e Camaradas de Armas

Em primeiro lugar quero agradecer a vossa presença e desejar-vos um óptimo almoço e um agradável convívio.




Completaram-se 35 anos que, mobilizados, embarcámos em Lisboa e aterrámos no aeroporto da cidade da Beira, para uma comissão de mais de 2 anos em Moçambique.

Durante esses 2 anos, passámos por vicissitudes várias, combatemos um inimigo, que raramente víamos, sofremos as agruras do clima, das intempéries, de águas impotáveis, vivemos longe dos nossos entes queridos (da namorada, dos pais, irmãos e outros familiares), fomos feridos e alguns de nós ficámos com cicatrizes físicas e/ou psicológicas para o resto das nossas vidas.

Mas mesmo assim regressámos, às nossas terras, para junto dos nossos amigos e dos nossos familiares, que nos aguardavam, após esses longos anos de sofrimento físico e psicológico.

Infelizmente, alguns dos companheiros de ida e luta, não nos acompanharam no regresso a casa, mas regressaram “dentro de uma caixa de pinho”, como diz o poeta.

De entre esses lembro, simbolicamente, alguns dos, com que mais proximamente lidei e que sucumbiram muito próximo de mim: O Delgado, o Constantino e o Paulino.

Para todos os que lá faleceram peço-vos um minuto de silêncio em sua memória.
(1 minuto de silêncio)

Para além do sofrimento, também é verdade que nem tudo foi mau e ganhámos: maturidade, capacidade de decisão, liderança, camaradagem, espírito de sacrifício, conhecemos novas terras e novas gentes e fortalecemos novas amizades, que se têm mantido ao longo dos últimos 35 anos, de que é exemplo, este convívio com perto de 170 pessoas presentes.

Volvidos que foram todos estes anos, em que todos nós estamos mais barrigudos, mais carecas, mais rabugentos (as nossas esposas que o digam), mais ceguetas, com múltiplas doenças (é o acido úrico, o colesterol, os trigliceridos, a tensão alta, o reumático, o stress pós-traumático, para além das mazelas físicas, que de lá trouxemos), certamente, que muitos de nós nos perguntamos: Estarão as actuais gerações sensíveis à problemática dos ex-combatentes?

Infelizmente, teremos que dizer:

Não estão!...

As transformações por que passou o nosso país, nos últimos 33 anos, que temos que reconhecer foram enormes, fez esquecer, para os que não participaram na guerra, esses atribulados anos e as suas consequências físicas e psicológicas, para os que a realizaram.

Penso que essa será uma tarefa, a que todos nós e em especial, as organizações dos combatentes terão pela frente:

Lembrar às novas gerações os sofridos e atribulados anos de guerra, para que idênticos anos de sofrimento não voltem mais.

Apelo às associações dos combatentes, para que continuem a lutar, pela defesa dos interesses, de todos os que combateram no ex-Ultramar, que nesta fase da sua vida, necessitam de muita ajuda e muito apoio.

A divulgação das situações, o tratamento e o apoio a esses nossos companheiros de jornada, devem ser prioridades das actuais gerações.

Acreditem, são muitos os que necessitam dessa ajuda.

Às gerações que não viveram esse pesadelo, apelo para que não voltem as costas, como se nada fosse convosco.

Na vossa comunidade, na vossa região, no país, apoiem e intervenham.

Está nas vossas mãos.

E mais uma vez, desejo a todos um óptimo almoço e convívio, e

Tenho dito

Obrigado por me terem ouvido
José Capitão Pardal

FELIZ PÁSCOA

http://tododiacomdeus.blogspot.com/2009/04/verdadeira-pascoa-jesus-cristo.html



Celebra-se hoje, para mim e para a maior parte dos católicos, o dia mais importante do nosso calendário: a Páscoa!
O nome Páscoa surgiu a partir da palavra hebraica "pessach" (passagem), que para os hebreus significava o fim da escravidão e o início da libertação do povo judeu. Esta libertação foi marcada pela travessia do Mar Vermelho, que se abriu para "passagem" dos filhos de Israel que Moisés conduziria para a Terra Prometida. Para os cristãos, a Páscoa é a passagem de Jesus Cristo da morte para a vida: a Ressurreição. A passagem de Deus entre nós e a nossa passagem para Deus. É considerada a festa das festas, a solenidade das solenidades, e não se celebra dignamente senão na alegria.
Hoje celebra-se o triunfo da LUZ sobre as TREVAS!
Hoje celebra-se o triunfo da VIDA sobre a MORTE!
Hoje celebra-se o triunfo do AMOR sobre o SOFRIMENTO, sobre a DOR!
Como é referido hoje em muitas homilias:
“A ressurreição de Jesus prova precisamente que a vida plena, a vida total, a libertação plena, a transfiguração total da nossa realidade e das nossas capacidades passam pelo amor que se dá, com radicalidade, até às últimas consequências. É nessa direcção que conduzo a caminhada da minha vida?”
Procuremos na livre escolha das nossas acções honrar este mandamento único "amai-vos uns aos outros como eu vos amei", estaremos a honrar a morte do Senhor. Vale a pena lembrar que o mandamento único implica livremente oferecer a outra face, pois foi assim que Jesus nos amou, e não através do facilitismo da vingança.
Um dos maiores desafios de Deus aos Homens foi o livre arbítrio. Deus tem esperança em nós. A doutrina da Igreja é marcada por esse livre arbítrio. “Os totalitarismos foram condenados pela Igreja, particularmente os que no Leste retiravam ao homem a capacidade de decidir, em função da promessa de uma suposta igualdade material”. Todos os regimes, de esquerda ou de direita, opressores da iniciativa individual são por definição contrários ao dever de o Homem tomar decisões em liberdade. Das decisões podem advir maus resultados, porque as decisões podem ser as erradas. Só que a liberdade que Deus nos deu passa por nos permitir escolher o erro, e esperar até ao fim que não o façamos.

“Já ninguém viverá sem luz da fé,
Já ninguém morrerá sem esperança;
O que crê em Jesus venceu a morte:
Ressuscitou o Senhor Jesus!”

Feliz Páscoa!
Já agora vale a pena pensar nisto.

por, Nuno Rato

O espaço público: Estremoz

Reunir pessoas de diferentes sensibilidades, diferentes idades, diferentes quadrantes políticos, diferentes formações e diferentes experiências de vida, só pode ser uma mais-valia, para (como neste caso), dar a sua opinião sobre um assunto que têm em comum, Estremoz.
Bem sei que o príncipio da responsabilidade é um activo com muito pouco valor nos dias de hoje, e não precisamos de chegar à blogoesfera, mas se lhe juntarmos esta falta de valores que norteiam a conduta de muitos com quem temos de partilhar o espaço público, chegamos à conclusão que é preciso fazer qualquer coisa.
E o que espero deste blogue é essa qualquer coisa. Valorizar quem dá a sua opinião de forma responsável. Valorizar quem, para além de dar a sua opinião responsável, dá a cara por ela e também para com a crítica que pode originar.
E porquê? Porque há coisas que não dependem de nós. O que é mais interessante: saber que o Nicolau Breyner andou com várias mulheres ao mesmo tempo ou o facto do governo permitir que a Parque Escolar continue com estes sucessivos ajustes directos?Por isto tudo, e muito mais, não podia dizer que não à participação num espaço destes, de informação, de crítica, de debate, de argumento e contra-argumento (espero), mas acima de tudo com autores e comentadores claramente identificados.
É este interesse generalizado sobre os assuntos pessoais, que na maior parte da vezes apenas servem para libertar invejas e ódios pessoais, que alimentam este anonimato blogoesférico (há outros anonimatos justificáveis, já referidos, com os quais estou plenamente de acordo).
(e "aquilo" dos links... Era só para fazer o teste)

Nuno Gato
(costumo andar também por aqui: lafinestradelmondo.blogspot.com) 

I HAVE A DREAM


Nada melhor para expressar os sentimentos que me levaram a fazer parte da "equipa" fundadora do projecto "Estremoz Net" do que o meu texto que enquadra o blog "JOSÉ CAPITÃO PARDAL"
e que de seguida transcrevo, certo que nesta equipa, de diferentes sensibilidades políticas e ideológicas, existem elementos aglutinadores que nos momentos de reflexão, não deixarão de aproximar ideias, sentimentos e objectivos, para a construção de um Estremoz melhor, com mais desenvolvimento económico, social e cultural, e um futuro mais harmonioso, rico, sustentado e sustentável.

I HAVE A DREAM!… (Martin Luther King)

Como diz o poeta “O sonho comanda a …” e “Quando um homem sonha…”.
Os nossos sonhos, por si só, não resolvem os reais problemas com que nos debatemos na sociedade dos nossos dias, mas serão, certamente, importantes como inspiração ao traçarmos os nossos objectivos de e orientarmos os nossos comportamentos e a nossa acção, no dia a dia dessa em sociedade.
A nossa atitude em cada momento e os nossos contributos individuais para uma sociedade mais empenhada e produtiva, mais justa, mais solidária, mais atractiva e mais sustentável é que são decisivos para a construção pacífica de um Mundo cada vez melhor.
Naturalmente, que estamos perante uma tarefa eternamente inacabada, mas todas as gerações têm dado e, estou certo, continuarão a dar ao longo dos tempos o seu contributo decisivo, para que a mudança se concretize e o futuro de todos, incluindo os vindouros, seja cada vez mais radioso.
Cabe, a cada um de nós, realizar a nossa parte e dar o nosso modesto contributo para o progresso e o do meio onde estamos inseridos.
Um pouco a cada um, significa muito para todos. Faz a tua parte, que eu farei a minha.
Obrigado por me estarem a ler.

Já nas bancas

Sensibilidade e bom senso II


Em Fevereiro de 2007 publicou este jornal uma crónica minha intitulada "Sensibilidade e bom senso", a qual versou sobre o abate injustificado de árvores no espaço urbano de Estremoz. Passados 3 anos e, curiosamente, na mesma semana em que a RTP 2 inicia a difusão de mais uma adaptação televisiva de uma obra de Jane Austen (desta feita, "Emma"), volto ao mesmo tema pelas piores razões: o abate criminoso de árvores continua.
Classifiquei de "criminoso" o abate de árvores mesmo sem ter a certeza se, do ponto de vista jurídico-legal, se trata efectivamente de um crime ou de uma mera violação das normas de conduta social (de uma contra-ordenação, portanto). Enfim, a classificação jurídica do acto pouco importa agora, para mim é um crime e ponto final. De facto, não vejo qualquer similitude entre um estacionamento proibido – o qual basta remover o carro e o problema fica resolvido – e destruir o património arbóreo (com dezenas, quiçá centenas, de anos de vida) que integra a nossa paisagem. Neste último caso, é toda uma memória colectiva que é banida da nossa vivência e cuja reposição da situação anterior ao "crime" só ocorrerá, na melhor das hipóteses, quando a maior parte de nós já estiver na quinta dos pés juntos a fazer tijolo.
Há 3 anos vi tudo o que se estava a passar, ao vivo e a cores, com estes que a terra há-de comer; desta vez só quase 2 anos depois vim a saber do crime e… através de terceiros. Há 3 anos, o crime foi cometido dentro da cidade de Estremoz; desta vez, o crime foi cometido na antiga estrada N4, a seguir à passagem de nível da Fonte do Imperador. No dizer de Alejandro Casona "as árvores morrem de pé"… pois mas isso é quando morrem de causas naturais; desta vez as árvores foram assassinadas de pé, através de uma poda excessiva deliberadamente feita com a intenção de as matar. Ora aí está uma daquelas coisas que me chateiam: quem ordenou, quem consentiu, quem não agiu, fê-lo de forma dissimulada com o claro propósito de matar e ao mesmo tempo com a intenção de dar ares de "acidente", facto que torna ainda mais hediondo este crime com recurso à tortura. Só de uma coisa os criminosos não podem ser acusados: da ocultação dos cadáveres. Os restos mortais das árvores continuam lá… de pé.
A minha veia romanesca leva-me a chamar "túnel verde" às estradas circundadas de árvores de grandes dimensões, por sempre ter visto neles a simbiose perfeita da intervenção do Homem em harmonia com a Natureza. Ali, no antigo caminho para Lisboa havia um… que alguém se encarregou de destruir de forma irremediável. Esse alguém havia de ser condenado, no mínimo, a repor aquilo que destruiu. Já não seria para proveito daqueles que hoje integram o mundo dos vivos, porém, tenho a certeza que os nossos netos ainda se iriam deliciar com o túnel verde.
Notas:
Publicado na edição de 01Abr2010 do Jornal Brados do Alentejo;
Também publicado em ad valorem;
As imagens são do autor ou foram colhidas nos locais para os quais apontam as respectivas hiperligações.

O "Traje Popular Alentejano" no Centro Cultural


No Centro Cultural Dr. Marques Crespo, em Estremoz, está patente ao público, até finais de Abril, a Exposição de fotografia “O TRAJE POPULAR ALENTEJANO”.
A Exposição, da iniciativa da Associação Filatélica Alentejana e com o apoio da Câmara Municipal de Estremoz, é constituída por cerca de cinquenta fotografias de grande formato, que num relance visual procuram dar uma visão sintética do que foi o traje popular alentejano na primeira metade do século XX.
Na Exposição é possível apreciar como eram os trajes usados nas fainas agro-pastoris por camponeses, semeadores, mondadeiras, ceifeiros, guardas de herdades, pastores, porqueiros, tiradores de cortiça, vindimadores, azeitoneiros, carreiros, manteeiros, etc.
Na Exposição é possível ainda apreciar o traje usado por homens e mulheres, no seu dia-a-dia nos centro urbanos, bem em como em ocasiões especiais como as festas cíclicas ou a ida a romarias.
O traje alentejano é rico e diversificado, quer seja usado por homem ou mulher, estando em relação directa com a posição de cada um na escala social e com as tarefas diárias desempenhadas.
Ao surgir como produto natural do meio, isto é, de quanto dentro e à volta do homem existe, o traje popular tem a ver com a nossa identidade cultural, a qual mais do que nunca interessa preservar. Porém, mais que dissertar aqui sobre o traje popular alentejano, importa contar uma das muitas histórias que aquelas fotografias suscitam.
É uma história centrada numa fotografia de Rogério Carvalho (1915-1988), obtida nos anos quarenta do século passado. Mostra o passeio do Rossio frente ao Hospital da Misericórdia, em Estremoz.
Um camponês de pelico e safões prepara-se para beber uma aguardente, que a viúva, proprietária da taberna-churrião se prepara para lhe servir. À esquerda, o carro aberto dum vendedor de cereais. Ao fundo, a Igreja dos Congregados, antes do completamento da construção.
A taberna-churrião funcionava como taberna ambulante, onde se servia vinho, aguardente, pão, queijo e carnes cheias. Aí os camponeses gostavam de petiscar. Era um local de amena cavaqueira e de convívio, onde por vezes se defrontavam ao desafio, poetas populares como os lendários Hermínio Babau e Jaime da Manta Branca.
Consta-se que certa vez, o primeiro, versejador de vastos recursos e crítico do Estado Novo, se terá saído com esta cantiga:

“ Lá em Santa Comba Dão,
Nos foros de Jesus,
Para dar cabo de uma Nação,
Deu uma mãe um filho à luz.”

Esta tirada foi aproveitada por dois indivíduos que não o gramavam e o foram denunciar à Guarda Nacional Republicana, cujo posto se situava na Igreja dos Congregados. Após a denúncia e chegados à taberna-churrião, os guardas deram ordem ao Hermínio de os acompanhar até ao posto, o mesmo se passando relativamente aos dois bufos. Uma vez no posto, os guardas disseram-lhe que era acusado de estar a dizer versos contra o Governo, ao que ele respondeu que não senhor, que não era verdade, desafiando então os denunciantes a repetirem os versos que ele tinha dito. Como eles não foram capazes de o fazer, o Hermínio declarou então aos guardas:
- Meus senhores, os versos foram estes:

“ Acabaram as revoluções.
A situação melhorou.
Portugal é um brinquinho
Desde que este Governo entrou.”

Os acusadores, bem clamaram que os versos não eram aqueles, mas como não foram capazes de apresentar versos contrários como prova, foram acusados pelos próprios guardas de terem prestado falso testemunho e foram eles que acabaram por passar a noite no posto. Em termos de rifonário popular, chama-se a isso “Ir buscar lã e sair tosquiado” . Quando ao Hermínio Babau voltou à taberna-churrião para continuar a função.
Nessa época, durante a Feira de Santiago e por ocasião das tradicionais Festas de Setembro, o passeio do Rossio frente à Misericórdia ficava repleto destes carros, propriedade de quem vinha às Festas. Pelos arreios dos animais, pelos assentos, pelas cortinas e pelos enfeites dos carros, se conhecia o poder económico de quem neles se fazia transportar.
Era em churriões puxados por mulas, que os camponeses das freguesias rurais se dirigiam à cidade para vender e para comprar ou simplesmente para tratar de assuntos que só na cidade podiam ser tratados.
Era também em churriões destes que se ia às Festas de S. Mateus a Elvas. Era uma romaria que durava dias, entre o ir e o voltar. E ali os romeiros estacionavam os churriões por zonas, conforme a zona de proveniência. Digam-me lá, se o alentejano é ou não é um tipo organizado?
Esta história exemplifica bem, as histórias que as fotografias ali expostas podem suscitar. Daí a importância de que se reveste a presente Exposição, o que só por si justifica uma visita prolongada.
A Exposição pode ser visitada de 3ª feira a sábado, entre as 9 e as 12 h 30 min e entre as 14 e as 17 h 30 min.