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VOLTAR A SANTIAGO

Fotografia de José Cartaxo

Foi com satisfação que tomei conhecimento que o programa Agenda 21 se propõe realizar uma das propostas que apresentei para o Bairro de Santiago, a de remodelação dos quartéis em ateliers para diversas actividades.
Mas este projecto terá que ser enquadrado e articulado com o conjunto dos problemas de Santiago e, desde logo, com o problema da criminalidade, sendo que parte dela está associada ao consumo e trafego de droga.
Tal como propus, deve ser instalado um sistema de videovigilância em todo o Bairro de Santiago, através da celebração de contratos de segurança local, por tal sistema ter a virtualidade de dissuadir e prevenir a criminalidade, tal como aconteceu noutras zonas do país em igual ou pior situação, sendo uma ajuda fundamental às forças policiais de Estremoz.
A videovigilância é fundamental para que os residentes em Santiago sintam segurança e para que os potenciais residentes sejam cativados para investirem no Bairro.
Ao mesmo tempo terá que ser equacionada a questão da prevenção da toxicodependência naquela zona, devendo, para tal, ser programado com as forças policiais um programa de acção nesse sentido.
A par dos benefícios fiscais já existentes, como a devolução do IMT em casas remodeladas e recuperadas que invertam o despovoamento, deve a Câmara conceder benefícios fiscais, tais como a isenção de IMI e de taxas nas obras de recuperação e reabilitação, bem como na de instalação de estabelecimentos comerciais, tendo como contrapartida a permanência das pessoas no Bairro por 5 a 10 anos.
Simultaneamente com estas medidas, terá a Câmara que proceder à instalação de redes de água e saneamento básico, onde eles não existem, bem como proceder à reabilitação do património camarário para o destinar ao arrendamento social.
Deverá ser realizado todo um programa cultural relativo ao Bairro de Santiago, a começar pela reintrodução da feira de Santiago no calendário das feiras do concelho, de entre outros eventos relacionados com a vivência histórica do Bairro e do castelo.
Não nos podemos esquecer que o Bairro de Santiago foi o primeiro Bairro de Estremoz fora de portas, para além do que é o caminho obrigatório para qualquer turista que se desloque ao castelo, pelo que, tem todas as condições para se transformar num Bairro com uma clara apetência turística e comercial.
Por último, mas não menos importante, é toda a intervenção social que tem vindo a ser feita e que é uma importante e fundamental obra para Santiago, que deverá ter o apoio Camarário para que possa chegar a cada vez mais pessoas, sem desvirtuar o programa já estabelecido.
Só com a integração destas quatro vertentes, segurança, benefícios fiscais à recuperação urbanística, programação cultural e apoio social, é que teremos uma verdadeira alteração qualitativa no Bairro de Santiago.
Toda e qualquer intervenção que se faça, desacompanhada das restantes corre o sério risco de, a breve prazo, ter um resultado negativo, porque a solução para Santiago terá que ser integrada e interligada nestas várias vertentes.
É, por isso, positivo o programa agora anunciado, pelo que espero que seja um incentivo para que a Câmara lance mãos à obra na parte que lhe pertence.
Por Santiago!


Convívio de ex-Combatentes

Aproximando-se mais um almoço convívio do Batalhão de Cavalaria 3878, de que fiz parte em missão no Norte de Moçambique (Macomia, Chai e Mataca), a realizar proximamente na Lousã, aproveito para divulgar a intervenção que proferi há três anos, aquando da realização de idêntico convívio, na cidade de Estremoz.

Considero de interesse geral a problemática dos ex-combatentes, nomeadamente, para aqueles, que não viveram esses tempos de guerra e sofrimento, pelo que aconselho a sua leitura.
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Caros Amigos
e Camaradas de Armas

Em primeiro lugar quero agradecer a vossa presença e desejar-vos um óptimo almoço e um agradável convívio.




Completaram-se 35 anos que, mobilizados, embarcámos em Lisboa e aterrámos no aeroporto da cidade da Beira, para uma comissão de mais de 2 anos em Moçambique.

Durante esses 2 anos, passámos por vicissitudes várias, combatemos um inimigo, que raramente víamos, sofremos as agruras do clima, das intempéries, de águas impotáveis, vivemos longe dos nossos entes queridos (da namorada, dos pais, irmãos e outros familiares), fomos feridos e alguns de nós ficámos com cicatrizes físicas e/ou psicológicas para o resto das nossas vidas.

Mas mesmo assim regressámos, às nossas terras, para junto dos nossos amigos e dos nossos familiares, que nos aguardavam, após esses longos anos de sofrimento físico e psicológico.

Infelizmente, alguns dos companheiros de ida e luta, não nos acompanharam no regresso a casa, mas regressaram “dentro de uma caixa de pinho”, como diz o poeta.

De entre esses lembro, simbolicamente, alguns dos, com que mais proximamente lidei e que sucumbiram muito próximo de mim: O Delgado, o Constantino e o Paulino.

Para todos os que lá faleceram peço-vos um minuto de silêncio em sua memória.
(1 minuto de silêncio)

Para além do sofrimento, também é verdade que nem tudo foi mau e ganhámos: maturidade, capacidade de decisão, liderança, camaradagem, espírito de sacrifício, conhecemos novas terras e novas gentes e fortalecemos novas amizades, que se têm mantido ao longo dos últimos 35 anos, de que é exemplo, este convívio com perto de 170 pessoas presentes.

Volvidos que foram todos estes anos, em que todos nós estamos mais barrigudos, mais carecas, mais rabugentos (as nossas esposas que o digam), mais ceguetas, com múltiplas doenças (é o acido úrico, o colesterol, os trigliceridos, a tensão alta, o reumático, o stress pós-traumático, para além das mazelas físicas, que de lá trouxemos), certamente, que muitos de nós nos perguntamos: Estarão as actuais gerações sensíveis à problemática dos ex-combatentes?

Infelizmente, teremos que dizer:

Não estão!...

As transformações por que passou o nosso país, nos últimos 33 anos, que temos que reconhecer foram enormes, fez esquecer, para os que não participaram na guerra, esses atribulados anos e as suas consequências físicas e psicológicas, para os que a realizaram.

Penso que essa será uma tarefa, a que todos nós e em especial, as organizações dos combatentes terão pela frente:

Lembrar às novas gerações os sofridos e atribulados anos de guerra, para que idênticos anos de sofrimento não voltem mais.

Apelo às associações dos combatentes, para que continuem a lutar, pela defesa dos interesses, de todos os que combateram no ex-Ultramar, que nesta fase da sua vida, necessitam de muita ajuda e muito apoio.

A divulgação das situações, o tratamento e o apoio a esses nossos companheiros de jornada, devem ser prioridades das actuais gerações.

Acreditem, são muitos os que necessitam dessa ajuda.

Às gerações que não viveram esse pesadelo, apelo para que não voltem as costas, como se nada fosse convosco.

Na vossa comunidade, na vossa região, no país, apoiem e intervenham.

Está nas vossas mãos.

E mais uma vez, desejo a todos um óptimo almoço e convívio, e

Tenho dito

Obrigado por me terem ouvido
José Capitão Pardal